Papa Leão XIV alerta sobre decisões delegadas à IA

Durante audiência no Vaticano, pontífice afirmou que algoritmos não devem substituir a consciência humana, enquanto cardeal defendeu regras comuns para a tecnologia.

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Papa Leão XIV alerta sobre decisões delegadas à IA
Foto: ALBERTO PIZZOLI

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O papa Leão XIV voltou a abordar os impactos da inteligência artificial (IA) durante a Audiência Geral realizada na Praça São Pedro, no Vaticano, na quarta-feira (16). Ao falar sobre as transformações provocadas pela tecnologia e pelas redes sociais, o pontífice alertou para o risco de as pessoas passarem a delegar aos algoritmos decisões que, segundo ele, pertencem à consciência humana.

A fala ocorreu durante uma catequese dedicada à comunidade humana e inspirada na Constituição Pastoral Gaudium et spes, documento do Concílio Vaticano II. Leão XIV afirmou que os avanços tecnológicos podem criar novas possibilidades e reduzir distâncias, mas também podem favorecer relações mais virtuais e menos pessoais.

Papa alerta para dependência dos algoritmos

Segundo o Vaticano, Leão XIV afirmou que existe o risco de a sociedade se acostumar a “delegar aos algoritmos decisões que competem exclusivamente à consciência humana”. A preocupação está relacionada ao uso crescente de sistemas automatizados em atividades que envolvem escolhas e relações entre pessoas.

A posição faz parte de uma reflexão mais ampla do pontífice sobre os limites e as responsabilidades associados à inteligência artificial. Em maio de 2026, Leão XIV publicou a encíclica Magnifica humanitas, dedicada à proteção da pessoa humana na era da IA.

No documento, o papa afirma que a inteligência artificial pode ser uma ferramenta útil, mas defende que a inteligência humana, com consciência e liberdade, permaneça responsável por orientar as inovações tecnológicas e estabelecer seus limites.

A encíclica também aborda riscos relacionados à aparência de objetividade dos sistemas de IA, à privacidade, à tomada automatizada de decisões e à possibilidade de reprodução de preconceitos presentes nos dados usados para treinar os modelos.

Vaticano amplia debate sobre governança da IA

No mesmo dia da audiência, o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, participou em Roma do simpósio “Fé e Razão na era da Inteligência Artificial”. Em declarações a jornalistas, ele defendeu uma discussão internacional sobre as regras para o desenvolvimento e o uso da tecnologia.

Parolin afirmou que a governança da IA é urgente e manifestou preocupação com a possibilidade de alguns países adotarem regras de forma isolada. Para o cardeal, um fenômeno de alcance global exige participação dos diferentes países e organismos envolvidos.

O secretário de Estado também defendeu a necessidade de refletir sobre as consequências do uso da inteligência artificial antes de definir soluções. Segundo ele, a Santa Sé pode apresentar princípios, enquanto as soluções de cooperação devem ser construídas pelos Estados e pelas instituições responsáveis.

Encíclica trata de responsabilidade e controle

A Magnifica humanitas dedica capítulos específicos à inteligência artificial, à responsabilidade e à gestão da tecnologia. O texto afirma que sistemas automatizados já participam de processos de tomada de decisão em diferentes áreas e que decisões sobre trabalho, crédito, serviços e reputação podem afetar diretamente os direitos das pessoas.

O documento também sustenta que a IA não deve ser tratada como moralmente neutra, argumentando que sistemas tecnológicos carregam escolhas relacionadas ao que medem, ignoram, priorizam ou classificam.

Em outro trecho, o pontífice defende critérios claros e mecanismos de controle para usos da IA que envolvam bens públicos e direitos fundamentais. A encíclica também aborda o impacto ambiental dos sistemas, incluindo o consumo de energia, água e infraestrutura computacional.

Parolin diz que não usa IA para escrever homilias

Durante o encontro em Roma, Parolin também foi questionado sobre seu uso pessoal da inteligência artificial. O cardeal afirmou que não utiliza a tecnologia para preparar suas homilias e explicou sua posição dizendo que “a Inteligência Artificial é apenas cabeça e não tem coração”.

As declarações de Leão XIV e Parolin fazem parte de uma participação mais ampla do Vaticano no debate sobre inteligência artificial. Em 2025, a Santa Sé já havia defendido uma governança global e uma regulamentação ética das novas tecnologias em mensagem enviada à Cúpula da Inteligência Artificial para o Bem, em Genebra.

O que o Vaticano defende para a IA?

A posição apresentada nos documentos e declarações recentes da Santa Sé combina reconhecimento do potencial da inteligência artificial com defesa da responsabilidade humana, da proteção da dignidade das pessoas e de mecanismos de governança.

A encíclica Magnifica humanitas afirma que a tecnologia pode contribuir para o desenvolvimento humano, mas sustenta que seu uso deve permanecer orientado pela responsabilidade, pela transparência e pelo bem comum.

Com informações de Nilton Kleina.

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