IN FOCO PODCAST: Dom Roque Paloschi relembra trajetória de fé e missão na Amazônia

Arcebispo de Porto Velho relembra a infância no campo, a vocação sacerdotal, a missão em Moçambique e a atuação junto aos povos indígenas na Amazônia.

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IN FOCO PODCAST: Dom Roque Paloschi relembra trajetória de fé e missão na Amazônia

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O arcebispo de Porto Velho, Dom Roque Paloschi, compartilhou momentos marcantes de sua trajetória pessoal e religiosa durante entrevista ao IN FOCO PODCAST, apresentado por Marcelo Régis. Ao longo da conversa, ele falou sobre família, vocação, missão, Igreja Católica, povos indígenas e os desafios de evangelizar na Amazônia.

Nascido em 5 de novembro de 1956, Dom Roque contou que cresceu em uma família de pequenos agricultores, formada por nove filhos. Descendente de italianos, teve a infância marcada pelo trabalho no campo, pela convivência familiar e pela fé transmitida entre gerações.

Segundo o arcebispo, a religiosidade fazia parte naturalmente da rotina da família. A oração e a participação comunitária estavam presentes desde os primeiros anos de vida.

Um personagem teve influência especial nesse caminho: um missionário franciscano holandês que atuava na região onde Dom Roque vivia. O religioso visitava as famílias, acompanhava suas necessidades e incentivava práticas que melhorassem a qualidade de vida.

Dom Roque recordou que o missionário valorizava especialmente as hortas e os pomares. Quando encontrava uma família sem uma boa produção de alimentos, procurava entender a situação, distribuía sementes e retornava posteriormente para acompanhar o resultado.

O testemunho desse religioso, segundo Dom Roque, teve papel importante em seu discernimento vocacional.

Da vida no campo ao sacerdócio

Antes de seguir definitivamente a vida religiosa, Dom Roque prestou serviço militar em Bagé, no Rio Grande do Sul. Foi nesse período que sua vocação ganhou novos contornos.

Durante o serviço militar, teve contato com um capelão franciscano e conversou sobre o desejo de seguir o sacerdócio. A partir daí, avançou na formação que o levaria à vida presbiteral.

Na entrevista, o arcebispo destacou que entende a autoridade dentro da Igreja a partir do serviço. Ao comentar o papel exercido por um bispo, afirmou que a referência deve ser Jesus e sua disposição para servir.

Dom Roque também explicou a função de um arcebispo dentro da organização da Igreja Católica. Segundo ele, não se trata simplesmente de ser uma autoridade superior aos demais bispos, mas de exercer a missão de uma espécie de “irmão mais velho” dentro da província eclesiástica.

A região mencionada pelo arcebispo envolve circunscrições eclesiásticas de Rondônia, Acre e parte do Amazonas, abrangendo uma extensa área da Amazônia.

Experiência missionária em Moçambique

Outro capítulo importante da trajetória de Dom Roque foi a missão em Moçambique.

Ele contou que desejava viver uma experiência missionária na África ainda nos primeiros anos após a ordenação. O projeto foi amadurecido e, em janeiro de 1997, seguiu para Moçambique.

A experiência ocorreu em um país ainda marcado pelas consequências de conflitos e por graves dificuldades sociais. Para Dom Roque, aquele período se transformou em uma grande escola.

Uma das primeiras lições ocorreu logo após sua chegada. Durante uma caminhada, encontrou uma mulher acompanhada de crianças. Mesmo em uma realidade de extrema simplicidade, ela ofereceu a ele parte do alimento que carregava.

Dom Roque inicialmente recusou por já ter almoçado. A mulher, porém, explicou que não aceitar aquilo que ela podia oferecer era entendido como falta de educação.

O episódio ajudou o sacerdote a compreender que a missão também exige disposição para receber.

Em outra ocasião, depois de uma celebração, integrantes da comunidade apontaram questões que ele precisava compreender melhor, entre elas a importância de aprender a língua local.

Para Dom Roque, a experiência mostrou que ser missionário não significa simplesmente reproduzir práticas de outro lugar, mas conhecer, respeitar e aprender com a população que recebe o religioso.

“Você mais recebe daquilo que você deixa”, resumiu ao recordar a passagem por Moçambique.

Missão na Amazônia e povos indígenas

A trajetória de Dom Roque também está profundamente relacionada à Amazônia. Antes de assumir a Arquidiocese de Porto Velho, ele atuou por mais de dez anos em Roraima.

A nomeação para Roraima ocorreu em 2005, ainda durante o pontificado de João Paulo II. A mudança representou uma transformação significativa: do Sul do Brasil para o extremo Norte, em uma realidade cultural, social e geográfica completamente diferente.

Na região, Dom Roque acompanhou comunidades indígenas e se envolveu com questões relacionadas aos povos originários.

Durante o IN FOCO PODCAST, ele defendeu que o anúncio do Evangelho não deve significar abandono da identidade cultural dos indígenas.

Segundo o arcebispo, um indígena que decide seguir a fé cristã não precisa deixar sua cultura. A evangelização, em sua avaliação, deve ocorrer pelo testemunho e pela apresentação da mensagem cristã, e não pela imposição.

Dom Roque também relembrou encontros com o Papa Francisco e a atenção dada pelo pontífice às questões da Amazônia e dos povos indígenas.

Cuidado com a natureza

A relação com a terra também apareceu como um dos pontos centrais da entrevista.

Dom Roque relacionou sua preocupação ambiental à própria infância como filho de pequenos agricultores. Em uma propriedade limitada, a família precisava produzir alimentos suficientes para sustentar 11 pessoas.

Essa realidade, segundo ele, ensinou desde cedo a importância de cuidar do solo e dos recursos disponíveis.

O arcebispo afirmou que a experiência familiar e os ensinamentos recebidos durante a juventude contribuíram para sua compreensão atual sobre a preservação ambiental.

Ao tratar dos impactos provocados pela ação humana, destacou a necessidade de uma relação mais responsável com a criação e lembrou que a degradação ambiental produz consequências para toda a sociedade.

Vocações e os desafios da Igreja

A formação de novos sacerdotes também foi abordada no programa. Questionado sobre os desafios vocacionais da Arquidiocese de Porto Velho, Dom Roque destacou três pontos: o testemunho dos sacerdotes, a oração pelas vocações e a construção de uma cultura vocacional.

Para ele, o exemplo dado pelo padre em sua própria comunidade pode despertar nos jovens o interesse pela vida religiosa.

O arcebispo reconheceu as dificuldades impostas pela dimensão territorial e pelo crescimento populacional da região, mas afirmou acreditar no trabalho realizado ao longo do tempo.

Filho de agricultores, Dom Roque utilizou uma imagem ligada às próprias origens para explicar essa confiança: a semente precisa ser lançada e cultivada para depois germinar.

A entrevista terminou com uma oração conduzida por Marcelo Régis e Dom Roque. Na bênção final, o arcebispo pediu que a comunicação seja instrumento de conexão, esperança, defesa da vida, acolhimento, diálogo e reconciliação.

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