Investidores mantêm negócios de IA entre EUA e China em meio à disputa tecnológica

Levantamento da Reuters mostra que instituições financeiras dos dois países continuam movimentando bilhões no setor de inteligência artificial

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Investidores mantêm negócios de IA entre EUA e China em meio à disputa tecnológica
Imagem: China Pool/Getty Images

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A disputa tecnológica entre Estados Unidos e China pela liderança em inteligência artificial não impediu que investidores e instituições financeiras dos dois países mantivessem negócios entre os dois mercados. Um levantamento divulgado pela Reuters mostra que bancos americanos participaram de operações envolvendo empresas chinesas de tecnologia, enquanto investidores chineses continuam direcionando recursos para companhias americanas de IA.

O movimento ocorre em meio a restrições comerciais, disputas pelo acesso a semicondutores e acusações relacionadas à transferência de tecnologia. Mesmo com as tensões entre os governos, o mercado financeiro continua buscando oportunidades nos dois ecossistemas de inteligência artificial.

Bancos americanos participam de IPOs na China

Segundo o levantamento citado pela Reuters, bancos americanos participaram de 19 ofertas públicas iniciais (IPOs) de empresas chinesas de alta tecnologia em 2026. As operações movimentaram US$ 17,2 bilhões, cerca de R$ 88,1 bilhões pela cotação mencionada na reportagem original.

O volume corresponde a aproximadamente 30% das emissões de ações do setor no mercado chinês no período analisado.

Entre as instituições financeiras envolvidas estão Goldman Sachs, Morgan Stanley, JPMorgan, Citigroup e Bank of America. As operações abrangem empresas ligadas principalmente à inteligência artificial, semicondutores e infraestrutura tecnológica.

O fluxo também acontece no sentido contrário. Investidores chineses e de Hong Kong mantêm exposição relevante a empresas americanas, incluindo companhias ligadas à fabricação de chips e infraestrutura para IA.

Investimentos chineses também chegam aos EUA

De acordo com os dados apresentados pela Reuters, investidores chineses aplicaram US$ 18 bilhões em empresas americanas de inteligência artificial em 2025.

Empresas do setor de semicondutores aparecem entre as beneficiadas por esses investimentos, incluindo Micron, Sandisk, AMD, Lam Research e Applied Materials.

O valor de ações americanas pertencentes a residentes na China e em Hong Kong também teria aumentado 23% em um ano, ultrapassando US$ 750 bilhões. Fundos chineses autorizados a investir no exterior mantêm aproximadamente US$ 150 bilhões em ações dos Estados Unidos, segundo o levantamento.

Os números mostram que as relações financeiras continuam existindo mesmo diante das medidas adotadas pelos governos para restringir determinados fluxos tecnológicos.

Restrições podem acelerar alternativas chinesas

A disputa entre os dois países também produz efeitos sobre o desenvolvimento tecnológico. As restrições americanas ao acesso chinês a determinados componentes e tecnologias avançadas podem incentivar empresas chinesas a desenvolver alternativas próprias.

Investidores mantêm negócios de IA entre EUA e China em meio à disputa tecnológica
Investidores interessados em faturar com a IA não têm sido influenciados pela nacionalidade das empresas. (Fonte: Getty Images)

Esse processo cria dois ecossistemas tecnológicos que podem operar de maneira cada vez mais independente, mas que continuam conectados por investimentos, mercados financeiros e cadeias de produção.

Para investidores, a divisão aumenta a necessidade de acompanhar tanto as oportunidades comerciais quanto as mudanças regulatórias que podem afetar empresas de inteligência artificial e semicondutores.

EUA e China discutem riscos da inteligência artificial

Apesar da competição tecnológica, Washington e Pequim também discutem formas de comunicação sobre os riscos relacionados ao desenvolvimento da inteligência artificial.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que os dois países discutem mecanismos para compartilhar informações sobre possíveis riscos de perda de controle de sistemas de IA e outros problemas que possam afetar a segurança.

A discussão ocorre após incidentes envolvendo agentes de inteligência artificial capazes de interagir com sistemas de terceiros durante testes. A possibilidade de estabelecer canais de comunicação entre os dois países busca aumentar a transparência sobre riscos relacionados à tecnologia.

O tema também pode aparecer nas discussões entre os governos dos Estados Unidos e da China previstas para esta semana em Washington.

Disputa tecnológica e mercado financeiro

A relação entre EUA e China no setor de inteligência artificial apresenta, portanto, dois movimentos simultâneos: enquanto os governos ampliam restrições e disputam o domínio tecnológico, instituições financeiras e investidores continuam procurando oportunidades nos dois mercados.

O cenário pode mudar conforme novas regras de exportação, investimentos e acesso a componentes sejam implementadas. Por isso, os fluxos financeiros entre empresas americanas e chinesas permanecem condicionados também às decisões políticas e regulatórias dos dois países.

FAQ

A disputa entre EUA e China interrompeu os investimentos em inteligência artificial?
Não. O levantamento citado pela Reuters mostra que investidores e instituições financeiras continuam realizando operações nos dois mercados, apesar das tensões tecnológicas.

Quanto bancos americanos movimentaram em IPOs chineses em 2026?
Segundo o levantamento, bancos americanos participaram de 19 IPOs de empresas chinesas de alta tecnologia, que movimentaram US$ 17,2 bilhões.

Quanto investidores chineses aplicaram em empresas americanas de IA?
Segundo os dados citados na reportagem, investidores chineses aplicaram US$ 18 bilhões em empresas americanas de inteligência artificial em 2025.

EUA e China discutem cooperação sobre os riscos da IA?
Sim. Segundo declarações citadas na reportagem, os dois países discutem mecanismos de comunicação para alertar sobre riscos relacionados à inteligência artificial.

Com informações de André Luiz Dias Gonçalves.

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