Complexo de carvão em Candiota pode causar 1,3 mil mortes até 2040

Estudo revela que poluição atmosférica gera prejuízos de R$ 11,7 bilhões em saúde e afeta países vizinhos; pesquisadores defendem a desativação gradual das usinas termelétricas para cumprir metas do Acordo de Paris.

Fonte: Rafael Cardoso - Repórter da Agência Brasil - 20

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Complexo de carvão em Candiota pode causar 1,3 mil mortes até 2040
© Ibama/Divulgação

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  • Estudo do CREA e Instituto Arayara aponta que o complexo carbonífero de Candiota pode causar até 1,3 mil mortes até 2040.
  • Relatório relaciona mineração e queima de carvão a óbitos, partos prematuros, asma infantil e impactos em países vizinhos pelo PM2.5.
  • Documento recomenda antecipar o fechamento das termelétricas, fim de subsídios e transição justa, enquanto o setor alega seguir padrões ambientais.

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação do News Rondônia

Um estudo divulgado nesta quarta-feira (25) pelo Centre for Research on Energy and Clean Air (CREA) e pelo Instituto Arayara alerta para os graves impactos à saúde causados pelo complexo carbonífero de Candiota (RS). Segundo o relatório, as atividades de mineração e queima de carvão na região podem provocar até 1,3 mil mortes e gerar gastos bilionários com saúde pública até 2040. Os pesquisadores apontam que a poluição ultrapassa fronteiras, atingindo populações na Argentina, Uruguai e Paraguai devido ao transporte de material particulado fino (PM2.5) pelo ar.

O levantamento detalha que, entre 2017 e 2025, o complexo já teria sido responsável por 430 óbitos, com previsão de mais 870 vítimas nos próximos 15 anos. A queima do carvão mineral brasileiro é especialmente poluente por possuir alto teor de cinzas, liberando substâncias ligadas ao câncer de pulmão, doenças cardíacas e AVC. Além das mortes, o estudo estima que a poluição causará 460 partos prematuros e centenas de novos casos de asma infantil, afetando a produtividade econômica com milhões de faltas ao trabalho.

Pressão por transição energética e fim de subsídios

Apesar de o carvão representar apenas 1,6% da matriz elétrica nacional, sua operação é garantida por lei até 2040, contando com subsídios públicos. Especialistas do Instituto Arayara defendem que a manutenção dessas usinas contradiz o potencial do Brasil como líder em energias renováveis. O relatório recomenda que o governo adote um cronograma legal para desativar as termelétricas antes do fim das licenças atuais e encerre isenções tributárias para o setor, priorizando investimentos em fontes eólica e solar.

Em resposta ao estudo, a Associação Brasileira do Carbono Sustentável (ABCS) afirmou que todas as emissões das usinas no Brasil são monitoradas em tempo real e seguem parâmetros de segurança definidos por autoridades ambientais. No entanto, o relatório sugere que a fiscalização seja reforçada e que novas avaliações de impacto à saúde sejam exigidas em todas as renovações de licença. O documento também propõe um plano de transição justa para os trabalhadores do setor, garantindo requalificação profissional e suporte à geração de renda durante o fechamento das minas.

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