Ufac reage a ataque do presidente do PL e exige retratação: “a universidade não é lugar de vagabundagem”

A nota lembra que a Ufac reúne estudantes de diferentes realidades sociais, incluindo indígenas, ribeirinhos, moradores das periferias de Rio Branco e jovens do interior do Acre.

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Ufac reage a ataque do presidente do PL e exige retratação: “a universidade não é lugar de vagabundagem”

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  • Ufac, Adufac, Sintest-AC e DCE repudiaram declarações de João Paulo Bittar (PL-AC), que chamou integrantes da comunidade acadêmica de “um bando de vagabundo” em vídeo eleitoral e exigiram retratação pública integral.
  • As entidades afirmam que a ofensa atinge estudantes e trabalhadores em condições diversas e precárias, ignora a realidade de quem busca formação superior na Amazônia e tenta desqualificar a universidade pública e suas organizações estudantis.
  • Segundo nota divulgada em 15 de outubro, o vídeo de retratação de Bittar, ao restringir o ataque a estudantes militantes e associá-los a uso de maconha no DCE, aprofunda a estigmatização da militância estudantil, levando as entidades a reiterarem defesa da Ufac, do ensino público e da liberdade de organização.

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação do News Rondônia

A Universidade Federal do Acre (Ufac), em conjunto com entidades sindicais e o Diretório Central dos Estudantes (DCE), reagiu com veemência às declarações do presidente estadual do Partido Liberal (PL), João Paulo Bittar, que chamou integrantes da comunidade acadêmica de “um bando de vagabundo” em um vídeo de conteúdo eleitoral. As entidades classificam a fala como ofensiva e mentirosa, exigem retratação pública integral e denunciam uma tentativa de desqualificar a universidade pública e suas organizações estudantis.

A manifestação reúne a Ufac, a Associação de Docentes da Universidade Federal do Acre (Adufac), seção sindical do Andes-SN, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Terceiro Grau do Acre (Sintest-AC) e o DCE. O posicionamento foi divulgado nesta quarta-feira (15), Dia das Professoras e dos Professores, e destaca o papel de estudantes, docentes, técnicos e pesquisadores na formação acadêmica e na produção científica no estado.

Ofensa atinge estudantes e trabalhadores

Para as entidades, a declaração de Bittar ultrapassa os limites da divergência política ao atingir indiscriminadamente pessoas que estudam, trabalham e mantêm a universidade em funcionamento. A nota lembra que a Ufac reúne estudantes de diferentes realidades sociais, incluindo indígenas, ribeirinhos, moradores das periferias de Rio Branco e jovens do interior do Acre.

Parte desse público enfrenta dificuldades de transporte, depende do Restaurante Universitário (RU) e de bolsas de permanência para continuar os estudos. A comunidade acadêmica também inclui mães e pais de família, trabalhadores da educação e pesquisadores que desenvolvem atividades de ensino, pesquisa e extensão em meio às restrições orçamentárias.

Nesse contexto, as entidades afirmam que rotular universitários como vagabundos significa ignorar as condições concretas enfrentadas por quem busca formação superior na Amazônia.

Vídeo de retratação amplia a polêmica

A controvérsia ganhou outro desdobramento quando, segundo a nota, Bittar publicou um suposto vídeo de retratação no qual restringiu a ofensa aos estudantes militantes. Na gravação, teria associado integrantes do movimento estudantil a pessoas que “vivem no DCE fumando maconha”.

As entidades consideram que a declaração aprofunda o ataque, ao substituir a generalização inicial pela estigmatização de estudantes organizados politicamente. Para elas, a fala tenta desqualificar o DCE, os centros acadêmicos e as associações atléticas, além de atingir o direito de participação e organização dos universitários.

A nota sustenta que a militância estudantil faz parte da vida democrática da universidade e que divergências políticas não justificam acusações generalizadas nem tentativas de criminalizar quem participa de debates sobre educação, direitos e políticas públicas.

DCE defende a universidade pública

As entidades também ressaltam a trajetória do Diretório Central dos Estudantes, descrito como uma organização com mais de meio século de existência e atuação em defesa da universidade pública e gratuita. A representação estudantil, segundo o documento, é formada por jovens que conciliam estudos, trabalho, pesquisa e extensão.

A manifestação associa os ataques à comunidade acadêmica a um discurso político que, em sua avaliação, contribui para deslegitimar as universidades públicas e abrir espaço para propostas de redução de recursos e privatização. A crítica, portanto, não se limita ao uso de uma expressão ofensiva: envolve o papel da universidade na sociedade e o direito de estudantes e trabalhadores de defender o ensino público.

Ao final, as entidades exigem uma retratação pública e integral de João Paulo Bittar e manifestam solidariedade aos estudantes, professores, técnicos e pesquisadores da Ufac.

No Dia das Professoras e dos Professores, a reação institucional coloca em evidência uma disputa que vai além de um embate eleitoral: o respeito à comunidade universitária e à liberdade de organização estudantil. Para as entidades signatárias, defender a Ufac significa reconhecer o trabalho de quem mantém a instituição viva e rejeitar discursos que transformam estudantes e trabalhadores em alvos de ataques políticos. Texto com base na nota da Ufac.

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