Brasileiro está cansado de baixar aplicativos? Veja pesquisa

Levantamento encomendado pela 99 mostra que 53% dos entrevistados consideram ter apps demais no celular, enquanto 74% já desistiram de uma tarefa por precisar instalar outro aplicativo.

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Brasileiro está cansado de baixar aplicativos? Veja pesquisa
foto - Reprodução/Jotform/Unsplash

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  • Pesquisa da Consumoteca, encomendada pela 99 e apresentada em 15 de outubro no 99Tech Summit, mostra que 53% dos entrevistados acham que têm aplicativos demais e 74% já desistiram de tarefas por precisar baixar outro app.
  • O antropólogo Michel Alcoforado chama de “trabalho invisível” o esforço para administrar apps, com destaque para recuperação de senhas (incômodo para 49%), cadastros repetidos e falta de espaço na memória.
  • O estudo com 1.982 respondentes indica que 74% fazem limpezas frequentes no celular, 60% usam apenas um terço dos apps, 82% preferem resolver demandas pelo celular e 85% se consideram autônomos no uso do smartphone.

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação do News Rondônia

O acúmulo de aplicativos no celular tem incomodado os brasileiros. Uma pesquisa da Consumoteca, encomendada pela 99 e apresentada em 15 de outubro, no 99Tech Summit, no Rio de Janeiro, aponta que 53% dos entrevistados sentem que já têm aplicativos demais no aparelho. Além disso, 74% afirmam já ter desistido de alguma tarefa porque precisariam baixar outro app para concluí-la.

Os resultados mostram uma contradição no uso da tecnologia: embora o celular facilite o acesso a serviços, administrar tantos aplicativos pode exigir tempo e atenção. Instalações, cadastros repetidos, recuperação de senhas e falta de espaço na memória estão entre os obstáculos apontados pelo levantamento.

O trabalho invisível de administrar aplicativos

O antropólogo Michel Alcoforado, da Consumoteca, define esse esforço como “trabalho invisível”. Segundo ele, uma ferramenta criada para simplificar uma atividade pode gerar etapas adicionais antes que o usuário consiga aproveitar o serviço.

Na apresentação da pesquisa, Alcoforado afirmou que o consumidor precisa administrar recursos que, em tese, deveriam ajudá-lo. A avaliação sobre a conveniência de um aplicativo passa a considerar não apenas o benefício oferecido, mas também o esforço necessário para utilizá-lo.

A recuperação de senhas é um exemplo desse desgaste: 49% dos entrevistados dizem se incomodar muito quando esquecem uma senha e precisam recuperá-la. O estudo também identificou dificuldades relacionadas à repetição de cadastros e ao preenchimento das mesmas informações, como o endereço, em diferentes plataformas.

A falta de espaço no celular pode levar a escolhas imediatas. Durante a apresentação, Alcoforado relatou ter presenciado uma mulher que tentou abrir um vídeo do neto dando os primeiros passos, mas recebeu um aviso de memória insuficiente. Para assistir à gravação, ela apagou o aplicativo do banco e pretendia reinstalá-lo quando precisasse consultar o saldo.

O episódio foi contado pelo antropólogo como uma experiência pessoal, e não como um caso identificado entre os participantes da pesquisa.

Brasileiros querem menos aplicativos?

Os hábitos de organização do celular também aparecem nos resultados. Segundo o levantamento, 74% dos entrevistados fazem limpezas frequentes no aparelho, excluindo aplicativos, e 60% afirmam utilizar apenas um terço dos apps instalados.

Isso não significa, necessariamente, que os usuários queiram abandonar os serviços digitais. O estudo aponta que 82% preferem resolver uma necessidade pelo celular quando a alternativa exige deslocamento presencial.

Já 16% afirmam desejar menos dependência da tecnologia na rotina futura. O resultado indica que o incômodo com o excesso de aplicativos pode coexistir com a preferência pela praticidade oferecida pelo celular.

Familiaridade com tecnologia vai além da idade

A pesquisa também identificou que 85% dos participantes se descrevem como usuários com algum grau de autonomia no celular. Esse resultado representa a percepção dos próprios entrevistados, e não uma avaliação prática de suas habilidades digitais.

Para Alcoforado, a familiaridade com a tecnologia também está relacionada à classe social e ao tempo de exposição às ferramentas, além da idade.

Embora o tema dialogue com discussões sobre excesso de telas e desgaste digital, o levantamento investigou hábitos e percepções de conveniência. Ele não teve como objetivo diagnosticar dependência tecnológica ou transtornos de saúde mental.

Como a pesquisa foi realizada?

O levantamento reuniu 2 mil entrevistas online com pessoas de 18 anos ou mais que possuem smartphone e usam aplicativos regularmente. Após a ponderação dos dados, a base analítica ficou em 1.982 respondentes.

A pesquisa incluiu usuários finais e motoristas. A etapa qualitativa contou com quatro grupos online, reunindo mais de 20 participantes.

Como os entrevistados precisavam ter smartphone e utilizar aplicativos regularmente, os resultados não representam pessoas que estão fora desse universo. Os dados descrevem as experiências e percepções do público pesquisado.

Com informações de Marcelo Fischer.

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