Margot Paiva fala sobre criação, retratos e trajetória artística em Rondônia

No Frequência Criativa, artista relembrou a formação na França, a exposição em Amsterdã e a pesquisa de materiais que orienta seu trabalho.

Fonte: News Rondonia

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Margot Paiva fala sobre criação, retratos e trajetória artística em Rondônia

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“A inspiração só chega se eu estiver trabalhando.” A declaração de Margot Paiva resume a relação entre pesquisa e prática que marcou sua entrevista ao Frequência Criativa, exibida na sexta-feira, 25 de setembro. Moradora de Porto Velho, a artista falou sobre formação, experimentação com materiais e o percurso que levou suas obras a espaços de exposição na Europa.

Durante a conversa no Frequência Criativa, do News Rondônia, conduzida pelo professor Luiz, Margot também abordou a atuação como curadora de artes visuais do Sesc Rondônia. Sua produção reúne pintura, escultura, objetos, instalações e criação de joias, com atenção especial aos retratos e às possibilidades de diferentes superfícies.

Incentivo à arte começou na infância

Margot atribuiu aos pais o incentivo para estudar e experimentar linguagens artísticas desde pequena. Em Porto Velho, foi aluna de Maria Miranda e Rita Queiroz e participou de cursos acompanhada pela mãe.

“Começou pequenininha mesmo, com o investimento dos meus pais, que sempre investiram muito na minha educação”, contou.

A formação na França ampliou esse contato com a arte. Segundo Margot, as possibilidades incluíam moda, figurino e cinema, mas o trabalho no ateliê de artes plásticas acabou concentrando seu interesse.

Filha de comerciantes, ela também relacionou a disciplina profissional à experiência de ajudar os pais. A criação artística, explicou, sempre conviveu com outras atividades e responsabilidades.

“Não, nunca houve aquele start, sempre houve seriedade em todo o trabalho que eu fazia”, afirmou, ao ser questionada sobre o momento em que decidiu viver da arte.

Retratos ganharam espaço durante a pandemia

A produção de retratos se intensificou durante a pandemia, quando Margot buscava uma nova forma de se manter. O pedido de uma amiga para ser retratada abriu caminho para outras encomendas.

A artista contou que solicitou uma fotografia com a qual a amiga se identificasse e pediu tempo para realizar o trabalho. Concluído em três meses, o retrato despertou o interesse de outras pessoas e estimulou novas pesquisas.

Com o avanço dessa produção, Margot passou a explorar diferentes técnicas e superfícies. Entre elas estão a pintura a óleo sobre veludo e sobre lamê, desenvolvidas a partir de sua experiência com desenho, anatomia e pesquisa de materiais.

“Aí eu crio as minhas técnicas”, disse. Na comparação feita durante a entrevista, esse processo se aproxima do trabalho de músicos que desenvolvem composições autorais.

Materiais cotidianos entram no processo criativo

Para Margot, a pesquisa não fica restrita ao ateliê. Objetos desgastados, resíduos de metal e pequenos fragmentos encontrados no cotidiano podem despertar ideias e ganhar novas funções em uma obra.

Ela citou o exemplo da poeira metálica produzida por um chaveiro e de uma vassoura antiga, cujo formato chama sua atenção. O interesse está em perceber possibilidades em materiais que poderiam ser descartados.

“Então, é uma pesquisa constante”, resumiu.

Apesar de trabalhar com várias linhas de investigação, Margot afirmou que precisa organizar o espaço para criar. Segundo ela, a separação dos materiais e dos projetos ajuda a manter o desenvolvimento de cada pesquisa.

“O processo vem enquanto a gente trabalha”, declarou, reforçando que a experimentação acompanha a execução das obras.

Identidade e ancestralidade em exposição na Europa

Os retratos também se relacionam ao interesse da artista por identidades, expressões e referências culturais. Na entrevista, Margot apresentou trabalhos com figuras negras, indígenas e representações ligadas à religiosidade, além de releituras de personalidades.

Entre as experiências internacionais, destacou a exposição em Amsterdã. A WIHH Gallery registra a mostra “Brasil, Maior País Africano”, dedicada às raízes afro-brasileiras, à ancestralidade e à identidade cultural do país.

Margot relatou que a recepção às obras e a aquisição de trabalhos durante essa experiência fortaleceram seu desejo de voltar a expor na cidade. Para ela, a circulação internacional está ligada à dedicação contínua à produção.

“Eu sugo aquilo que eu faço, eu respiro aquilo que eu faço”, afirmou.

Durante o programa, a artista também anunciou a intenção de apresentar uma coleção no hall do Ministério Público do Trabalho, em outubro. Na ocasião da entrevista, a data ainda não estava definida.

Curadoria e acesso à produção artística

Além do trabalho autoral, Margot falou sobre a curadoria no Sesc Rondônia e a importância de aproximar o público dos espaços culturais. Ela destacou a convivência entre exposições, cinema, música e atividades de formação no centro cultural da instituição, em Porto Velho.

A artista também mencionou a preparação de uma exposição de Rita Queiroz, uma de suas professoras. O relato retomou a ligação entre a formação recebida na infância e o trabalho que desenvolve hoje na produção cultural.

Ao encerrar a entrevista, Margot incentivou quem pretende seguir uma trajetória artística a estudar, trabalhar e experimentar. Sua mensagem reuniu autonomia, persistência e disposição para criar.

“Não deixe ninguém dizer que não é possível”, afirmou.

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