Disputa presidencial no Peru segue indefinida e acirrada

Diferença entre Roberto Sánchez e Keiko Fujimori encurtou para pouco mais de 7 mil votos após apuração de quase 98 por cento das urnas.

Fonte: Lucas Pordeus León - Repórter da Agência Brasil - 20

Publicado em

Disputa presidencial no Peru segue indefinida e acirrada
© REUTERS/Alessandro Cinque/Proibida reprodução

Compartilhe esta notícia:

Nos siga no Google News

A apuração das eleições presidenciais no Peru atingiu um patamar crítico nesta quarta-feira (10). Com 97,8 por cento das urnas contabilizadas, o candidato de esquerda Roberto Sánchez detém 50,20 por cento dos votos válidos, mantendo uma vantagem estreita de cerca de 7,3 mil votos sobre a candidata de direita Keiko Fujimori. O cenário, que já foi mais favorável ao esquerdista, tem se modificado com a contagem dos votos vindos do exterior, onde a filha do ex-ditador Alberto Fujimori concentra maior preferência.

Ritmo da apuração e incertezas

A corrida eleitoral tem sido marcada por reviravoltas. Inicialmente, Keiko liderava a contagem devido à agilidade na apuração dos votos da capital, Lima. Na última segunda-feira, porém, houve uma inversão numérica em favor de Sánchez. Atualmente, restam poucas atas a serem processadas pelo órgão eleitoral peruano (ONPE). Contudo, a definição oficial do vencedor deve demorar, com o Jurado Nacional de Eleições (JNE) projetando o anúncio definitivo apenas para meados de julho, devido ao trâmite de recontagem de mais de mil atas que apresentam inconsistências.

Contexto político e histórico

Os dois candidatos disputam o comando do país para o quinquênio 2026-2031. O Peru enfrenta uma década de instabilidade política severa, tendo passado por sucessivas renúncias e destituições presidenciais desde 2016. Keiko Fujimori busca o cargo após três derrotas consecutivas em segundos turnos. Já Roberto Sánchez, ex-ministro e aliado do ex-presidente Pedro Castillo destituído e preso por tentativa de golpe, mobiliza o eleitorado que se identifica com pautas rurais e indígenas.

O papel das atas em observação

O processo de revisão das 1,3 mil atas “em observação” tornou-se o novo centro do debate político. Este mecanismo obrigatório de recontagem de inconsistências adiciona uma camada de complexidade e expectativa ao pleito. Enquanto o país aguarda o desfecho, o ambiente permanece tenso, refletindo a polarização extrema que divide a sociedade peruana entre o projeto de continuidade da família Fujimori e a proposta de esquerda encabeçada por Sánchez.

NEWS QUE VOCÊ VAI QUERER LER

DESTAQUE NEWS

EMPREGOS E CONCURSOS

POLÍTICA

POLÍCIA

ÚLTIMAS NOTÍCIAS