Bolívia reforça segurança após quatro assassinatos e acende alerta sobre fronteira com o Brasil

Operação mobiliza militares, policiais e drones em Santa Cruz; cenário também chama atenção em Rondônia, que mantém ligação direta com a Bolívia por Guajará-Mirim e Guayaramerín.

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O governo boliviano reforçou, na terça-feira (15), o policiamento e a presença militar em San Ignacio de Velasco, no departamento de Santa Cruz, após quatro pessoas serem assassinadas a tiros em pouco mais de 24 horas. A operação inclui patrulhamento terrestre, emprego de drones e unidades especializadas das forças de segurança.

Os homicídios ocorreram entre domingo e segunda-feira e levaram as autoridades bolivianas a ampliar a presença do Estado na região. A Polícia investiga se os crimes têm relação com atividades ligadas ao narcotráfico ou a disputas entre organizações criminosas. Até o momento, entretanto, não há confirmação oficial sobre a motivação dos assassinatos.

Bolívia reforça segurança após quatro assassinatos e acende alerta sobre fronteira com o Brasil
Reuters

Um dos casos ocorreu no começo da semana, dentro de uma residência onde dois jovens faziam uma transmissão pelo TikTok para divulgar produtos. Segundo as primeiras informações da investigação, dois homens entraram no imóvel, fotografaram as vítimas e efetuaram os disparos. Os dois jovens morreram no local. A possibilidade de participação de cidadãos brasileiros é investigada, mas as autoridades ainda não divulgaram uma identificação oficial dos suspeitos.

Os outros dois assassinatos foram registrados no domingo, também em San Ignacio de Velasco. Diante da sequência de mortes, autoridades locais solicitaram reforço ao governo nacional.

Reflexo na faixa de fronteira

Embora os crimes tenham ocorrido em Santa Cruz, a operação ocorre em uma região conectada à extensa faixa de fronteira entre Bolívia e Brasil. Para Rondônia, a principal ligação está na região de Guajará-Mirim e Guayaramerín, no departamento boliviano de Beni.

As duas cidades mantêm intenso fluxo de pessoas e mercadorias e estão diretamente ligadas pela fronteira sobre o rio Mamoré. Estudos sobre a região classificam Guajará-Mirim e Guayaramerín como cidades-gêmeas da fronteira Brasil-Bolívia.

A preocupação com crimes transfronteiriços também já levou Brasil e Bolívia a anunciarem, em agosto, o plano “Fronteira Segura”, com previsão de intercâmbio de informações entre as forças policiais e operações em pontos considerados estratégicos. A iniciativa inclui áreas dos departamentos bolivianos de Beni, Pando e Santa Cruz.

Em San Ignacio de Velasco, o reforço determinado pelo governo boliviano envolve aproximadamente cem agentes, além de militares e unidades preparadas para missões especiais. As equipes passaram a realizar abordagens e patrulhamento em áreas consideradas sensíveis, enquanto investigadores buscam esclarecer a autoria e a motivação dos quatro homicídios.

O ministro boliviano da Defesa, Ernesto Justiniano, afirmou que a permanência das forças militares dependerá da evolução da situação. Já o ministro de Governo, Marco Antonio Oviedo, declarou que o objetivo é ampliar a presença do Estado em áreas de fronteira onde, segundo ele, o controle institucional permaneceu limitado durante anos.

Para Rondônia, o episódio reforça a relevância do acompanhamento das medidas de segurança adotadas ao longo da fronteira com a Bolívia, especialmente em Guajará-Mirim, ponto de ligação direta entre o estado e o território boliviano. Não há, porém, informação na reportagem do Infobae que relacione diretamente os quatro assassinatos de San Ignacio de Velasco a ocorrências em Rondônia. (Con información de AP, EFE y El Deber, Portal de Periódicos Ufac).

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