Debate da SIC TV tem embates duros, acusações e confronto de propostas entre candidatos ao Governo de Rondônia

Samuel Costa e Expedito Neto protagonizaram a troca mais tensa da noite; Fúria confrontou Marcos Rogério e Hildon Chaves, enquanto saúde, Energisa, pedágios e infraestrutura dominaram as discussões

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Debate da SIC TV tem embates duros, acusações e confronto de propostas entre candidatos ao Governo de Rondônia

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O debate da SIC TV entre os seis candidatos ao Governo de Rondônia elevou a temperatura da campanha na noite desta segunda-feira (21), em Porto Velho. Marcos Rogério, Expedito Neto, Samuel Costa, Adailton Fúria, Hildon Chaves e Pedro Abib ficaram frente a frente em rodadas de confronto direto e responderam também a perguntas enviadas por eleitores.

Saúde pública, Energisa, pedágios da BR-364, infraestrutura, agricultura, educação, violência contra a mulher e situação financeira do Estado estiveram entre os principais assuntos.

Mas foram os confrontos diretos que marcaram a noite. Houve questionamentos sobre gestões anteriores, alianças políticas, obras públicas, contratos e acusações pessoais. Algumas trocas ficaram tão tensas que resultaram em pedidos de direito de resposta.

Samuel Costa e Expedito Neto protagonizam embate mais tenso

O confronto de maior temperatura ocorreu entre Samuel Costa e Expedito Neto.

Em uma das rodadas, Samuel questionou a atuação de Expedito na área da pesca e perguntou o que ele havia feito efetivamente pelos pescadores profissionais e comunidades ribeirinhas.

Expedito respondeu que houve investimentos, distribuição de equipamentos, atuação durante situações de calamidade e ações relacionadas à pesca artesanal. Também citou abertura de mercados e divulgação do pescado de Rondônia no exterior.

Samuel então mudou o foco e questionou os valores recebidos por Expedito durante sua atuação pública.

Expedito rebateu:

“Se eu recebi de salário é porque eu estava trabalhando.”

A partir daí, o confronto abandonou a discussão sobre pesca e passou para acusações pessoais.

Expedito fez acusações contra Samuel relacionadas à vida política do adversário. Samuel respondeu com ataques sobre a trajetória profissional de Expedito e críticas à sua passagem pela área da pesca.

Em outro confronto entre os dois, Expedito perguntou diretamente sobre acusações de corrupção.

“Eu te respondi sobre o meu, que foi arquivado. E o seu?”, questionou Expedito.

Samuel negou ter condenações e devolveu os questionamentos, citando episódios envolvendo Expedito e familiares.

O embate escalou novamente para acusações pessoais, incluindo declarações sobre suposto abuso sexual e uso de drogas.

As acusações foram apresentadas pelos próprios candidatos durante o debate e não devem ser tratadas como fatos comprovados sem documentação independente.

A banca jurídica concedeu posteriormente direito de resposta a Expedito Neto por considerar que houve ofensa sem provas relacionada à alegação sobre uso de drogas.

No direito de resposta, Expedito afirmou:

“Eu estou aqui para fazer proposta, eu estou aqui para ser governador. Eu não estou nessa eleição apenas para tumultuar.”

Samuel Costa também recebeu direito de resposta em outro episódio envolvendo acusações feitas durante o confronto.

Fúria questiona Hildon sobre dívida da Energisa

A Energisa esteve no centro de outro dos principais confrontos.

Adailton Fúria perguntou a Hildon Chaves:

“O senhor pretende manter o perdão da dívida da Energisa?”

Hildon respondeu que, caso a questão já estivesse juridicamente consolidada, não seria possível simplesmente desfazê-la, embora pudesse haver contestação.

Fúria elevou o tom e afirmou que, se eleito, pretende enfrentar a questão.

“Eu vou revogar esse perdão. É inadmissível.”

Hildon rebateu dizendo que a situação não seria tão simples juridicamente e criticou o discurso do adversário.

“O populismo está fora de moda hoje. O senhor vai resolver de que jeito isso?”

Fúria insistiu que pretende contestar o benefício e argumentou que os consumidores rondonienses enfrentam custos elevados de energia.

Hildon respondeu que, quando presidiu a Associação Rondoniense de Municípios, o tema era uma demanda dos prefeitos, mas afirmou não ter assinado uma carta relacionada à Energisa mencionada durante o confronto.

Fúria leva discussão da Energisa para Marcos Rogério

Mais tarde, Adailton Fúria voltou ao assunto, desta vez diante de Marcos Rogério.

A pergunta foi semelhante:

“O senhor pretende dar a isenção para a Energisa da dívida milionária da Energisa?”

Marcos Rogério respondeu que não pretende conceder benefício à empresa e atribuiu a medida ao atual governo estadual.

“Nós vamos cobrar cada centavo que a Energisa deve para o Estado de Rondônia.”

Fúria tentou relacionar o adversário à privatização do setor elétrico ao lembrar que Marcos Rogério foi relator da medida provisória sobre a Eletrobras no Congresso.

Marcos Rogério respondeu que são situações diferentes e afirmou que a privatização da Eletrobras não deve ser confundida com a Energisa.

O confronto também avançou para as relações políticas de Fúria com o atual governo.

Marcos Rogério acusou o adversário de ter integrado politicamente a administração estadual antes do rompimento.

Fúria rebateu:

“Ele pode presidir o partido, mas não preside a minha vida.”

Pedro Abib confronta Fúria sobre hospital de Cacoal

Um dos embates mais diretos sobre gestão pública ocorreu entre Pedro Abib e Adailton Fúria.

Abib questionou a afirmação recorrente de Fúria de que teria construído um hospital municipal em Cacoal.

“Construiu um hospital e entregou? Ou alugou?”

Fúria respondeu que encontrou um prédio que funcionava anteriormente como faculdade e o transformou em hospital. Segundo ele, houve inicialmente chamamento público e posteriormente inexigibilidade diante das características do imóvel.

Pedro Abib insistiu.

“Eu sabia que o Adailton fazia cavalinho de pau, mas não que era cara de pau.”

Em seguida, afirmou que Cacoal possuía outro complexo hospitalar com recursos públicos investidos e acusou a antiga gestão de abandoná-lo enquanto optava pela locação de outro prédio.

Fúria reagiu afirmando que o atendimento à população precisava ser imediato.

“A dor do paciente tem pressa.”

Segundo Fúria, esperar a conclusão de outra obra significaria manter pacientes sem atendimento.

O candidato também afirmou que o hospital municipal estava realizando procedimentos e disse que questões envolvendo pagamentos relacionados ao prédio haviam sido submetidas à Justiça.

Hildon questiona Fúria sobre investigação envolvendo asfalto

Hildon Chaves e Adailton Fúria também tiveram um confronto particularmente duro.

Inicialmente, Hildon propôs uma discussão sobre infraestrutura, destacando que ambos haviam administrado municípios.

Fúria citou obras realizadas em Cacoal e criticou asfaltamentos sem drenagem.

Hildon então perguntou sobre um inquérito relacionado a rejeitos de asfalto.

“Eu tive acesso a um inquérito sobre rejeito de asfalto. O que o senhor tem a dizer sobre isso?”

Fúria afirmou que a denúncia havia sido arquivada e classificou as acusações como políticas.

Hildon insistiu e mencionou suposta destinação de material a uma propriedade ligada ao pai de Fúria.

Fúria rebateu:

“Meu pai tem um CPF, eu tenho outro.”

O candidato afirmou não possuir processo que desabone sua conduta e voltou a atacar a gestão de Hildon na capital, principalmente em relação à drenagem e aos distritos de Porto Velho.

O pedido de direito de resposta apresentado posteriormente pela equipe de Hildon Chaves nesse episódio não foi aceito pela banca jurídica do debate.

Marcos Rogério questiona Hildon sobre abandono dos distritos

Outro embate envolvendo o ex-prefeito de Porto Velho ocorreu quando Marcos Rogério questionou a situação dos distritos da capital.

“O senhor acha que foi um erro a forma como tratou os distritos de Porto Velho?”

Hildon respondeu citando o volume de pavimentação executado durante sua administração e afirmou ter encontrado uma cidade com grande passivo de infraestrutura.

Marcos Rogério citou especificamente União Bandeirantes e perguntou por que parte dos investimentos em pavimentação urbana não havia sido direcionada para os 57 quilômetros de acesso ao distrito.

Hildon disse que sua administração adotou o critério de antiguidade das demandas e priorizou bairros que aguardavam pavimentação havia décadas.

O confronto ficou mais duro quando Hildon afirmou:

“O senhor não entende absolutamente nada de asfalto.”

Segundo Hildon, entre os candidatos presentes, ele e Fúria seriam os que tinham experiência administrativa direta nesse tipo de obra.

Privatizações colocam Pedro Abib e Marcos Rogério frente a frente

Pedro Abib questionou Marcos Rogério sobre privatizações e concessões.

O candidato citou a Eletrobras, a BR-364 e a possibilidade de concessão dos serviços da Caerd.

“O senhor entende que privatizar é a melhor saída para a melhoria do serviço público?”

Marcos Rogério respondeu que os casos são diferentes. Disse que a concessão da BR-364 foi conduzida pelo governo federal e lembrou que foi relator da medida provisória da Eletrobras durante o governo de Jair Bolsonaro.

Abib insistiu que serviços concedidos ou privatizados têm provocado insatisfação entre rondonienses e perguntou se o governo estadual participou suficientemente das discussões sobre a BR-364.

Marcos Rogério respondeu que não houve essa articulação.

“Essa conversa nunca aconteceu.”

Os dois convergiram, porém, na crítica a uma eventual concessão da Caerd nas atuais circunstâncias.

Pedro Abib declarou ser contrário ao processo, e Marcos Rogério também afirmou considerar inadequado avançar com a concessão sem discussão sobre investimentos e tarifas.

Marcos Rogério e Fúria duelam sobre saúde em Ji-Paraná

Saúde voltou ao centro do debate em confronto entre Fúria e Marcos Rogério.

Fúria perguntou:

“Como você pretende resolver a saúde, principalmente da segunda maior cidade do Estado, que é Ji-Paraná?”

Marcos Rogério afirmou ter destinado recursos para custeio e para um novo hospital no município e defendeu um modelo de regionalização.

Fúria respondeu defendendo a estadualização da saúde de Ji-Paraná para reduzir o deslocamento de pacientes até Cacoal e Porto Velho.

Marcos Rogério, então, passou a questionar a experiência apresentada por Fúria em Cacoal.

“Quantas cirurgias esse hospital tem feito por dia?”

Fúria respondeu que, quando deixou a prefeitura, eram realizadas em média seis cirurgias diárias, mas disse que os números atuais deveriam ser perguntados ao atual prefeito.

O confronto terminou com ataques recíprocos.

Fúria acusou Marcos Rogério de arrogância e voltou a cobrar promessas relacionadas à saúde. Marcos Rogério defendeu que o fundamental seria aproveitar estruturas existentes e fazer o atendimento chegar ao interior.

Samuel e Fúria divergem sobre contratação de médicos

Ainda no primeiro bloco, Samuel Costa e Adailton Fúria protagonizaram um confronto sobre o modelo de contratação de profissionais de saúde.

Samuel questionou Fúria sobre a gestão estadual da saúde e perguntou se ele pretendia manter determinados modelos de contratação.

Fúria afirmou que realizou concurso em Cacoal, convocou servidores e também utilizou contratação de profissionais como pessoa jurídica para especialidades em que havia dificuldade de preencher vagas.

Samuel criticou o modelo.

“Nós vamos combater a cartelização da saúde.”

Fúria respondeu:

“Você não está sabendo do que está falando.”

O ex-prefeito de Cacoal sustentou que a contratação individual de especialistas poderia ser necessária quando profissionais não participam de concursos públicos.

Saúde, estradas e pedágios dominam perguntas dos eleitores

As perguntas enviadas por telespectadores levaram ao debate problemas cotidianos enfrentados em diferentes regiões de Rondônia.

Um morador de Porto Velho questionou o alto preço das passagens aéreas. Samuel Costa respondeu defendendo articulação política para ampliar a oferta de voos, enquanto Hildon Chaves disse que o governador precisa mobilizar a bancada federal e outros estados da região.

Uma moradora de Vilhena perguntou sobre os pedágios e a manutenção da BR-364.

Hildon afirmou que contratos existentes não podem ser simplesmente ignorados, embora possam ser questionados juridicamente.

Marcos Rogério defendeu a criação de rotas alternativas à BR-364, incluindo investimentos na Rodovia do Boi.

Outra pergunta tratou da Estrada do Calcário. Marcos Rogério prometeu incluir a rodovia em um programa de pavimentação.

Pedro Abib, ao comentar, criticou promessas de obras que não são concluídas e direcionou críticas ao modelo tradicional de gestão de infraestrutura.

Violência contra a mulher também entra no confronto

Marcos Rogério questionou Pedro Abib sobre políticas para mulheres vítimas de violência doméstica.

Abib defendeu uma rede integrada entre segurança pública e assistência social, delegacias com atendimento permanente, acolhimento psicossocial e condições econômicas para que vítimas possam reconstruir suas vidas.

Marcos Rogério apresentou três propostas: reforço da Patrulha Maria da Penha, equipamentos para alertar mulheres quando agressores monitorados se aproximarem e criação de uma estrutura de acolhimento para vítimas e filhos.

Abib respondeu que o enfrentamento também precisa passar pela educação e por mudanças culturais.

Direitos de resposta encerram bloco marcado por acusações

A escalada dos confrontos levou a organização a analisar diversos pedidos de direito de resposta.

Samuel Costa teve um pedido aceito após confronto com Expedito Neto.

Marcos Rogério recebeu direito de resposta depois de acusações feitas por Expedito.

Expedito Neto também teve direito de resposta concedido após a declaração de Samuel Costa envolvendo suposto uso de drogas. A banca classificou o episódio como ofensa sem provas.

Adailton Fúria recebeu direito de resposta por declarações de Expedito relacionadas a suposta corrupção.

Já um pedido apresentado por Hildon Chaves após confronto com Fúria foi negado.

Considerações finais mantêm clima de confronto

Mesmo no encerramento, os candidatos mantiveram estratégias distintas.

Marcos Rogério reforçou seu posicionamento político e sua ligação com a candidatura presidencial que apoia.

Expedito Neto voltou às acusações discutidas durante o debate e apresentou sua candidatura como ligada à defesa dos trabalhadores.

Samuel Costa criticou adversários e afirmou representar uma alternativa aos grupos políticos tradicionais.

Pedro Abib concentrou sua fala na crítica ao continuísmo e ao que classificou como práticas da velha política.

Hildon Chaves adotou tom mais descontraído e sugeriu, de forma irônica, funções para os próprios adversários em um eventual governo.

Fúria encerrou destacando a experiência administrativa em Cacoal, principalmente na saúde.

Ao final de mais de duas horas de transmissão, o debate deixou expostas diferenças sobre como os candidatos pretendem administrar áreas centrais do Estado, mas também mostrou uma campanha em crescente temperatura.

As discussões sobre hospitais, estradas, pedágios, Energisa, regionalização da saúde, contratos públicos e gestão dos recursos estaduais dividiram espaço com acusações políticas e pessoais.

Para o eleitor, os confrontos também colocaram questões objetivas no centro da disputa: quem pagará pelos novos hospitais, como regionalizar a saúde, o que pode efetivamente ser feito sobre pedágios e concessões, como ampliar a pavimentação e quais medidas dependem do governador ou de outras esferas de governo.

Essas são perguntas que permanecerão no centro da campanha até o primeiro turno.

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