Aline Leon alerta: “Não romantizem o controle”

No Jovem News, advogada aborda sinais de relacionamentos abusivos, acesso à proteção em Rondônia e o papel de familiares e amigos no acolhimento às vítimas.

Fonte: News Rondonia

Publicado em

Aline Leon alerta: “Não romantizem o controle”

Compartilhe esta notícia:

Nos siga no Google News

Ciúme tratado como prova de amor, controle sobre roupas e amizades e humilhações constantes foram alguns dos comportamentos discutidos pela advogada Aline Leon durante entrevista ao Jovem News, da News TV. Ao falar sobre violência contra as mulheres, ela defendeu que a prevenção comece na educação e que as vítimas encontrem apoio, sem julgamentos, ao procurar ajuda.

“Não romantizem os ciúmes. Não romantizem o controle. Isso não é amor”, afirmou.

Advogada com atuação em Direito da Mulher e mestre em Direito, Aline participou da edição do Jovem News exibida em 21 de setembro. A conversa abordou relacionamentos abusivos, medidas protetivas, autonomia financeira e dificuldades de acesso à rede de atendimento em Rondônia.

A violência também aparece no controle

Durante a entrevista, Aline chamou atenção para comportamentos que podem ser normalizados no início de um relacionamento. Entre eles, citou tentativas de afastar a mulher de amigos, limitar suas escolhas e desvalorizar sua capacidade de viver sem o parceiro.

Segundo a advogada, frases que diminuem a autoestima podem contribuir para a dependência emocional e dificultar o reconhecimento da violência.

Ela explicou que a agressão não se resume à violência física. Humilhações, intimidação e controle também precisam ser observados, inclusive quando apresentados como cuidado ou preocupação.

“Às vezes o homem pode não bater. Mas ele vai lá e fala: ninguém vai querer ficar com você”, exemplificou.

Para Aline, discutir esses sinais com os jovens ajuda a questionar comportamentos que, por vezes, são reproduzidos sem reflexão.

Acolher sem culpar a vítima

A advogada criticou comentários que responsabilizam a mulher por permanecer em uma relação abusiva. Na avaliação dela, esse julgamento ignora as dificuldades emocionais, financeiras e familiares envolvidas na busca por proteção.

“A gente não pode julgar. A gente precisa estender a mão”, destacou.

Aline também abordou situações em que agressões são seguidas de presentes e demonstrações de afeto. Segundo ela, essa alternância pode alimentar a expectativa de mudança e tornar mais difícil romper o relacionamento.

Por isso, defendeu a presença de uma rede de apoio que escute, acolha e ajude a mulher a acessar os serviços disponíveis.

Educação e respeito desde a infância

Outro ponto central da conversa foi o papel da educação na prevenção da violência. Aline defendeu que o respeito aos limites do outro seja ensinado desde a infância, incluindo a necessidade de consentimento para contatos físicos.

Ao falar sobre a criação dos meninos, questionou a ideia de que demonstrar sentimentos seja sinal de fraqueza.

“Homem chora. Não é feio o homem chorar”, afirmou.

Para a advogada, aprender a reconhecer emoções e lidar com frustrações faz parte da construção de relações respeitosas. Ela também ressaltou a importância da participação dos homens no enfrentamento à violência.

Na entrevista, citou grupos reflexivos como espaços para discutir comportamentos e responsabilidades. Sua avaliação é que o debate precisa envolver famílias, escolas, instituições e a comunidade.

Proteção precisa ser acessível

Aline apontou que a busca por ajuda pode envolver obstáculos pouco percebidos por quem está fora da situação de violência. Entre eles estão a distância dos serviços, o custo do transporte e a necessidade de repetir o relato em diferentes atendimentos.

Segundo ela, a rede de proteção precisa considerar essas condições e evitar que a mulher seja submetida a novos constrangimentos ao procurar acolhimento.

“A gente precisa também ter esse olhar para esse pedido de ajuda”, disse.

Durante o programa, a advogada destacou os canais digitais como uma alternativa para facilitar o acesso à Justiça.

Em Rondônia, a plataforma oficial de Medidas Protetivas Online do Tribunal de Justiça permite preencher uma solicitação para avaliação judicial. Segundo o serviço, o pedido será analisado por um juiz ou uma juíza em até 48 horas. A análise não significa concessão automática da medida.

Autonomia financeira e continuidade dos estudos

A dependência econômica também foi discutida como uma dificuldade para mulheres que desejam sair de relacionamentos violentos. Aline incentivou a continuidade dos estudos, a qualificação e a construção de fontes próprias de renda.

“Você menina tá estudando, continua estudando, namora, mas continua estudando”, afirmou.

A advogada relacionou a autonomia à possibilidade de fazer escolhas e organizar a própria vida. Também defendeu que as políticas públicas levem em conta as responsabilidades de cuidado e as dificuldades enfrentadas por mulheres com filhos.

Ao falar sobre representação política, cobrou a presença de pessoas comprometidas com essas demandas nos espaços de decisão. Para ela, o enfrentamento à violência exige ações concretas, estrutura de atendimento e acompanhamento das medidas de proteção.

Quem presencia também pode buscar ajuda

Aline destacou que o enfrentamento à violência não deve ficar restrito à vítima. Familiares, amigos e vizinhos podem acionar as autoridades quando identificarem uma situação de agressão.

“A sua vizinha apanha, você não precisa ir lá interferir. Liga a polícia”, orientou, ao defender o acionamento dos serviços de segurança sem exposição a confrontos.

Em situações de emergência ou violência em andamento, o número é 190, da Polícia Militar. Para orientações, informações sobre a rede de atendimento e registro de denúncias, o Ligue 180 funciona gratuitamente, 24 horas por dia, todos os dias da semana.

NEWS QUE VOCÊ VAI QUERER LER

DESTAQUE NEWS

EMPREGOS E CONCURSOS

POLÍTICA

POLÍCIA

ÚLTIMAS NOTÍCIAS