Coluna Espaço Aberto: Pesquisa eleitoral não é palpite. É coisa séria

Confira as notícias do dia, por Cícero Moura.

Fonte: Cicero Moura

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Coluna Espaço Aberto: Pesquisa eleitoral não é palpite. É coisa séria
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ONDAGEM
Pesquisa não é brincadeira. Pesquisa eleitoral é coisa séria. Muito séria. Não é enquete de rede social, não é conversa de grupo de WhatsApp e muito menos exercício de adivinhação.

IMPACTO
Pesquisa de intenção de voto produz números que ganham manchetes, alimentam discursos, movimentam campanhas e podem, sim, influenciar a escolha de milhares de eleitores.

Foto: Reprodução / Redação
DETALHES
Por isso mesmo, quando surgem dúvidas sobre a metodologia, os critérios de apuração ou a transparência dos dados, a sociedade tem todo o direito — e a imprensa tem o dever — de cobrar explicações.

PROIBIDA
A recente decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia de suspender a divulgação de uma pesquisa do Instituto Veritá acende novamente essa luz amarela.

MOTIVO
Segundo a Justiça Eleitoral, foram identificadas falhas nas informações técnicas apresentadas, incluindo a ausência do número exato de entrevistados por setor censitário e a falta do nível de confiança nas peças de divulgação.

OBSERVAÇÃO
Não cabe a esta coluna antecipar culpa ou transformar uma decisão liminar em condenação definitiva.

OBSERVAÇÃO 2
Justiça é justamente o espaço adequado para que as partes apresentem suas explicações e recursos.

OBSERVAÇÃO 3
Mas há uma questão que independe do resultado final do processo: pesquisa eleitoral precisa ser absolutamente transparente.

ILUSÃO
Não basta apresentar percentuais bonitos, gráficos coloridos e manchetes capazes de provocar comemoração em uma campanha e desânimo em outra.

CRITÉRIOS
É indispensável que o eleitor tenha condições de saber como aqueles números foram produzidos.

CRITÉRIOS 2
Quantas pessoas foram ouvidas? Onde foram entrevistadas? Como a amostra foi distribuída?

CRITÉRIOS 3
Qual foi o nível de confiança? Qual a margem de erro? Quem contratou? Quanto custou? Quando as entrevistas foram realizadas? Tudo isso importa.

INTERFERÊNCIA
E importa ainda mais porque pesquisa eleitoral não apenas mede o ambiente político. Em determinadas circunstâncias, ela também pode interferir nele.

IMAGEM
Um candidato que aparece muito à frente pode ganhar a percepção de favorito. Outro que surge em queda pode ser abandonado por aliados, financiadores ou eleitores que passam a acreditar que sua candidatura não tem viabilidade.

INFLUÊNCIA
O chamado “voto útil” também pode ser influenciado por números divulgados como se fossem uma fotografia incontestável da realidade.

RISCO
É por isso que uma pesquisa mal explicada, incompleta ou tecnicamente questionável não é um problema menor.

CONSEQUÊNCIAS
Número errado não é apenas número errado. Pode produzir comportamento errado.

FATO
E Rondônia já vive uma eleição suficientemente movimentada para que pesquisas sejam tratadas com ainda mais responsabilidade.

SEM PARTIDO
Não se trata de defender candidato, partido ou grupo político. Aliás, é justamente o contrário.

REGRA
A cobrança precisa valer para todos os institutos, todos os contratantes e todos os lados da disputa.

DIRETRIZ
Se uma pesquisa estiver correta, que seja divulgada. Se estiver tecnicamente adequada, que seja defendida.

DIRETRIZ 2
Se houver questionamentos, que sejam esclarecidos. E, se houver irregularidade comprovada, que haja responsabilização.

ENGANOSO
O que não pode acontecer é o eleitor receber números incompletos, confiar neles como verdade absoluta e só depois descobrir que havia problemas nos critérios utilizados para chegar àqueles resultados.

ENGANOSO 2
Pesquisa eleitoral não pode ser instrumento de propaganda disfarçado de ciência. A imprensa também precisa fazer sua parte.

PARÂMETROS
Reproduzir percentuais sem questionar metodologia é pouco. O jornalismo responsável não deve apenas perguntar “quem está na frente?”, mas também “como chegaram a esse número?”.

QUESTIONAMENTO
Essa é a pergunta que precisa ser feita sempre. Eleição se decide pelo voto do cidadão — e o cidadão merece informação confiável para tomar sua decisão.

ENTENDIMENTO
Pesquisa não é torcida. Pesquisa não é palanque. Pesquisa não é instrumento para fabricar realidade.

ENTENDIMENTO 2
Pesquisa é técnica, método e responsabilidade. E quem coloca números na praça precisa estar preparado para explicar, nos mínimos detalhes, de onde eles vieram.

FRASE
O eleitor prudente não transforma pesquisa em verdade absoluta. Compara dados, observa a metodologia e tira suas próprias conclusões.

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