Furia discute segurança pública com Polícia Civil

Candidato a governador ouviu demandas da Polícia Civil de Rondônia sobre efetivo, carreira, estrutura, valorização dos servidores e orçamento.

Fonte: Milena Santos

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Furia discute segurança pública com Polícia Civil

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O candidato a governador de Rondônia Adailton Furia (PSD) se reuniu, na segunda-feira (31), com delegados, policiais civis, aposentados e representantes de entidades sindicais para discutir a segurança pública em Rondônia. O encontro ocorreu na sede do Sindicato dos Delegados da Polícia Civil de Rondônia (Sindepro).

A reunião teve como foco as principais dificuldades enfrentadas pela Polícia Civil, incluindo déficit de efetivo, valorização dos servidores, estrutura das carreiras, orçamento e condições de trabalho.

Segundo Furia, o fortalecimento da segurança pública depende tanto da proteção da população quanto de investimentos nas instituições responsáveis pelo atendimento à sociedade.

“Não existe segurança pública forte sem profissionais valorizados, efetivo suficiente e estrutura adequada”, afirmou o candidato.

Dados do Levantamento de Informações Estratégicas da Secretaria de Estado da Segurança, Defesa e Cidadania (Sesdec), apresentados durante o encontro, apontam que a Polícia Civil possui 1.632 servidores para um quadro previsto de 6.180 cargos.

O número representa um déficit de 4.548 cargos. Com isso, apenas 26,4% do efetivo previsto estaria preenchido, segundo os dados apresentados na reunião. Entre os agentes de polícia, são 907 profissionais para 3.500 cargos previstos, resultando em 2.593 vagas não preenchidas.

Na carreira de escrivão, existem 363 servidores para um quadro de 1.380 cargos, o que representa déficit de 1.017 profissionais. Já entre os delegados, são 143 profissionais para 460 cargos previstos, deixando 317 cargos vagos.

O levantamento também indica falta de servidores em outras áreas, como datiloscopistas, médicos legistas, odontólogos legais, auxiliares e técnicos em necropsia.

A discussão sobre a estrutura da Polícia Civil ocorre em meio a indicadores de violência registrados em Rondônia. De acordo com os dados citados na reunião, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 registrou 493 mortes violentas intencionais no estado em 2025. Em 2024, foram 457 casos, representando crescimento de 7,5%.

Na área de violência sexual, foram contabilizados 1.701 estupros em Rondônia em 2025, com taxa de 97,1 casos por 100 mil habitantes, segundo os dados apresentados. O estado também registrou 25 feminicídios em 2025, contra 15 no ano anterior, um aumento de 66%.

Dados do Ministério Público de Rondônia (MPRO) apontam ainda 10.847 ocorrências de violência doméstica entre 1º de janeiro de 2025 e 31 de agosto de 2026. No mesmo período, foram registradas 7.947 solicitações de medidas protetivas. Do total de ocorrências, 6.865 foram classificadas como de alto risco de morte, conforme o levantamento citado.

Durante a reunião, representantes da Polícia Civil apresentaram cinco demandas consideradas prioritárias para a instituição. A primeira é a implementação da Lei Estadual da Polícia Civil após a aprovação da Lei Orgânica Nacional das Polícias Civis.

A categoria também defendeu a manutenção do poder aquisitivo dos servidores, com reajustes capazes de recompor, ao menos, as perdas provocadas pela inflação.

Outro ponto apresentado foi a correção dos valores da 2ª Classe das carreiras da Polícia Civil. Segundo os representantes, mudanças nos valores pagos às forças de segurança teriam provocado distorções entre as classes da instituição.

Os profissionais também defenderam uma reestruturação das carreiras para reduzir e, posteriormente, eliminar a necessidade de abertura de novas vagas para progressão funcional.

A quinta prioridade é a melhoria do orçamento anual da Polícia Civil, com recursos destinados ao cumprimento das atribuições da instituição, além de investimentos em infraestrutura e condições de trabalho. As reivindicações apresentadas no encontro também foram relacionadas ao plano de governo de Furia para a segurança pública.

Entre as propostas está a criação de uma mesa permanente de diálogo com as forças de segurança, incluindo a Polícia Civil, para tratar de carreira, remuneração, condições de trabalho, saúde ocupacional, progressão e promoção profissional.

O plano prevê ainda um estudo técnico permanente sobre o efetivo das forças de segurança e a elaboração de um Plano de Recomposição do Efetivo para o período de 2027 a 2030. A proposta inclui concursos escalonados e divulgação periódica do déficit de pessoal.

Segundo o documento, a recomposição deverá considerar a distribuição regional dos profissionais. A intenção apresentada é evitar a concentração do efetivo em poucos municípios e ampliar a presença policial no interior, distritos e regiões de fronteira.

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