Rondônia amplia pesquisas sobre potencial de terras raras

Estudos concentram-se em Bom Futuro, Ariquemes, e no sudoeste do estado, mas viabilidade econômica das ocorrências ainda precisa ser comprovada.

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Rondônia amplia pesquisas sobre potencial de terras raras

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Rondônia entrou no mapa brasileiro das pesquisas sobre terras raras, grupo de minerais considerado estratégico para a produção de veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos, sistemas de defesa e diferentes tecnologias ligadas à transição energética.

O estado possui ocorrências confirmadas principalmente em áreas relacionadas à exploração de cassiterita. Os estudos mais relevantes estão concentrados em Bom Futuro, na região de Ariquemes, e no Maciço Granítico Ouro Fino, em Costa Marques, no sudoeste rondoniense.

Apesar do potencial apontado pelas pesquisas, os dados disponíveis ainda não permitem afirmar que Rondônia possui uma grande reserva economicamente viável e pronta para exploração comercial. O trabalho atual busca justamente identificar os minerais presentes, medir as concentrações e avaliar se o aproveitamento pode ser realizado de forma técnica, ambiental e financeiramente segura.

Bom Futuro concentra principais pesquisas

A região de Bom Futuro é considerada o principal alvo dos estudos sobre terras raras em Rondônia. Conhecida pela produção de estanho, a área possui grandes volumes de rejeitos acumulados durante décadas de exploração da cassiterita.

Esses materiais descartados podem conter minerais que não eram o foco das operações anteriores, mas que passaram a ganhar valor com o avanço de tecnologias relacionadas à energia limpa, eletrônica e mobilidade elétrica.

A Agência Nacional de Mineração (ANM) reconhece Bom Futuro entre os depósitos brasileiros de terras raras associados a concentrações de cassiterita. Além dos elementos terras raras, a região possui minerais como zircão e ilmenita.

Em 2026, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) formalizou uma cooperação técnico-científica para aprofundar as pesquisas na área de Bom Futuro. O plano de trabalho tem duração prevista de 48 meses e inclui análises do minério extraído, dos concentrados e dos rejeitos gerados durante o beneficiamento.

Entre os objetivos estão a identificação dos minerais portadores de terras raras, a caracterização química das amostras e a avaliação da possibilidade de recuperação dos materiais existentes nos rejeitos.

A primeira etapa de coleta de amostras já havia sido realizada quando o projeto foi formalizado. Os estudos laboratoriais e as análises sobre eventual aproveitamento econômico devem avançar ao longo dos próximos anos.

Rejeitos da cassiterita podem ganhar novo valor

O reaproveitamento dos rejeitos é um dos pontos mais importantes da pesquisa. A possibilidade de recuperar minerais estratégicos de materiais que já foram retirados do solo pode reduzir a necessidade de abertura imediata de novas áreas de mineração.

Isso não significa, entretanto, que a atividade esteja livre de impactos. Mesmo o tratamento de rejeitos exige licenciamento, controle de resíduos, uso adequado da água, monitoramento ambiental e avaliação da presença de elementos potencialmente radioativos, como urânio e tório.

O processo de separação também representa um desafio. As terras raras não costumam ser encontradas de forma isolada e precisam passar por etapas complexas de concentração e processamento.

A viabilidade de um projeto depende não apenas da quantidade total existente, mas dos elementos encontrados, da forma como estão ligados aos minerais e do custo necessário para separá-los.

Empresa canadense demonstrou interesse

A Canada Rare Earth Corporation anunciou, em 2023, o direito de ampliar para 52% sua participação no projeto de rejeitos de Bom Futuro e assumir a operação da iniciativa.

A empresa afirmou que a área possui quantidades consideradas comercialmente atrativas de cassiterita, zircão, ilmenita e minerais de terras raras. Em uma atualização divulgada em outubro de 2025, informou que continuava avaliando o potencial do projeto em Rondônia.

As informações empresariais, porém, não devem ser confundidas com uma confirmação de reserva lavrável. Para que uma ocorrência mineral seja reconhecida como economicamente viável, são necessários estudos técnicos, definição de recursos e reservas, testes de processamento, licenciamento ambiental e análise financeira.

Costa Marques também possui ocorrências

Outra área de interesse está localizada no município de Costa Marques. Pesquisas do Serviço Geológico do Brasil identificaram ocorrências de xenotímio e bastnasita, minerais conhecidos por concentrarem elementos terras raras.

Os primeiros registros de xenotímio na região foram feitos em estudos realizados na década de 1970. Posteriormente, trabalhos de prospecção identificaram bastnasita na região da Serra Grande.

As descobertas, associadas a anomalias radiométricas, levaram à realização de novas análises geológicas e geoquímicas. Os resultados permitiram delimitar áreas consideradas favoráveis à ocorrência de terras raras dentro de formações graníticas.

Um estudo desenvolvido na Universidade de Brasília analisou amostras do Maciço Granítico Ouro Fino e encontrou concentrações de óxidos de terras raras entre 0,47% e 1,65%.

Os principais minerais portadores identificados foram o zircão, a elpidita e a titanita. As amostras também apresentaram concentrações elevadas de zircônio.

Os resultados confirmam a presença de mineralização, mas ainda não representam a comprovação de uma jazida economicamente aproveitável. Para isso, seria necessário ampliar as sondagens, determinar o volume disponível e avaliar a possibilidade de processamento industrial.

Potencial alcança outras áreas do sudoeste

Uma análise prospectiva realizada pelo SGB avaliou aproximadamente 51,5 mil quilômetros quadrados no sudoeste de Rondônia.

O estudo utilizou informações aerogeofísicas para identificar áreas com características favoráveis à ocorrência de terras raras. A metodologia ajuda a selecionar pontos para pesquisas de campo, coleta de amostras e sondagens.

Essas indicações não significam que toda a área possua depósitos minerais. Elas funcionam como uma espécie de filtro geológico, mostrando onde novas investigações podem apresentar melhores resultados.

Para que servem as terras raras?

Apesar do nome, as terras raras não são necessariamente escassas na natureza. A dificuldade está em encontrar concentrações que possam ser exploradas e processadas de maneira economicamente viável.

O grupo é formado por 17 elementos químicos: os 15 lantanídeos, além do ítrio e do escândio.

Entre as principais aplicações estão:

  • ímãs permanentes de alta potência;
  • motores de veículos elétricos;
  • turbinas eólicas;
  • aparelhos celulares e computadores;
  • equipamentos médicos;
  • catalisadores industriais;
  • lasers e sistemas ópticos;
  • componentes aeroespaciais;
  • tecnologias militares.

Neodímio, praseodímio, disprósio e térbio estão entre os elementos mais procurados pela indústria, especialmente pela utilização na fabricação de ímãs permanentes.

Rondônia ainda está na fase de pesquisa

As informações oficiais indicam que Rondônia possui potencial geológico real para terras raras, mas ainda está predominantemente na fase de pesquisa e caracterização.

Bom Futuro aparece como o projeto mais avançado, principalmente pela possibilidade de reaproveitar os rejeitos da mineração de cassiterita. Costa Marques e o Maciço Ouro Fino também apresentam resultados científicos relevantes, embora necessitem de estudos complementares.

Até o momento, não há confirmação pública de produção comercial contínua de terras raras em Rondônia.

A resposta sobre o verdadeiro tamanho dessa oportunidade dependerá dos resultados das pesquisas em andamento. Elas deverão mostrar quais elementos estão presentes, em que quantidade e se poderão ser recuperados com segurança ambiental e retorno econômico.

Fontes consultadas

As informações foram levantadas no Sumário Mineral Brasileiro sobre terras raras, publicado pela ANM; no plano de pesquisa do Serviço Geológico do Brasil para Bom Futuro; no estudo do SGB sobre Costa Marques; e na pesquisa da Universidade de Brasília sobre o Maciço Ouro Fino.

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