Dia da Amazônia: El Niño aumenta alerta em Rondônia

Celebrado em 5 de setembro, o Dia da Amazônia reforça o alerta para calor intenso, redução das chuvas e maior risco de incêndios em Rondônia.

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Dia da Amazônia: El Niño aumenta alerta em Rondônia

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Quando a chuva demora, a floresta sente. Os rios perdem volume, a vegetação fica mais seca, o calor aumenta e o fogo encontra condições para avançar. Neste sábado, 5 de setembro, o Brasil celebra o Dia da Amazônia em meio a um alerta climático: o El Niño de 2026 está estabelecido, continua se intensificando e pode afetar diretamente a Região Norte.

A data foi instituída pela Lei Federal nº 11.621/2007 e faz referência a 5 de setembro de 1850, quando Dom Pedro II decretou a criação da Província do Amazonas. Mais do que uma homenagem, o Dia da Amazônia propõe uma reflexão sobre a importância de proteger a maior floresta tropical do planeta.

A Amazônia reúne uma das maiores biodiversidades do mundo, participa da regulação do clima e influencia o regime de chuvas em diferentes regiões. Também é o território onde vivem povos indígenas, comunidades tradicionais, ribeirinhos, extrativistas, produtores rurais e milhões de moradores que dependem diretamente dos rios e da floresta.

O Conselho Federal de Biologia destaca que a região abriga riquezas naturais e culturais inestimáveis. A instituição também chama atenção para a necessidade de enfrentar problemas como desmatamento, queimadas e mudanças climáticas.

El Niño de 2026 ganha força

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa mudança interfere na circulação da atmosfera e altera os padrões de temperatura e precipitação em várias partes do mundo.

Segundo o Painel El Niño 2026–2027, elaborado por instituições brasileiras, as atuais condições oceânicas e atmosféricas são compatíveis com o fenômeno.

As medições realizadas durante 2026 mostraram aquecimento no Pacífico Equatorial central e leste. Em algumas áreas monitoradas, as anomalias da temperatura da superfície do mar chegaram a 1,8°C, 2,5°C e 3,2°C.

As projeções indicam probabilidade superior a 90% de ocorrência de um evento muito forte durante o trimestre de setembro, outubro e novembro. O documento também aponta 69% de possibilidade de o El Niño de 2026/2027 ser o mais intenso desde 1950, com anomalias que podem superar 2,5°C.

A Organização Meteorológica Mundial informou que existe uma probabilidade próxima de 100% de permanência do El Niño até fevereiro de 2027. A tendência é de fortalecimento nos próximos meses, com o pico do fenômeno esperado para o fim de 2026.

“Já estamos vendo perturbação e devastação causadas por secas e inundações”, afirmou Celeste Saulo, secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial.

Segundo a dirigente, esses impactos poderão aumentar à medida que o El Niño se intensificar. A organização alerta para a possibilidade de secas, enchentes, ondas de calor e outros eventos extremos em diferentes regiões do planeta.

Como o El Niño pode afetar Rondônia?

Para a Amazônia Legal, o cenário exige atenção especial. A previsão do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia, apresentada no painel climático nacional, indica chuvas abaixo da média entre setembro e novembro de 2026 no Amapá, Roraima, Pará, Maranhão, Amazonas, Acre, norte de Mato Grosso e em áreas do norte e do centro de Rondônia.

As temperaturas deverão permanecer acima da média em toda a Amazônia Legal e no Pantanal. A combinação de calor elevado, redução das chuvas e baixa umidade pode prolongar a estação seca e atrasar o início da estação chuvosa em algumas áreas.

Em Rondônia, esse cenário pode afetar a umidade do solo, o nível dos rios, a agricultura, a navegação e o abastecimento de comunidades. A vegetação mais seca também aumenta a possibilidade de propagação de incêndios florestais.

A menor ocorrência de chuva dificulta a recuperação dos rios e mantém o solo seco por mais tempo. Quando associada às temperaturas elevadas, essa condição amplia a perda de água por evaporação e pode causar impactos na produção rural e na disponibilidade de recursos hídricos.

Apesar do alerta, as previsões sazonais indicam tendências para períodos mais longos. Isso não significa ausência total de chuva nem que todos os municípios de Rondônia terão exatamente o mesmo comportamento. Temporais isolados podem ocorrer mesmo dentro de um trimestre com precipitação abaixo da média.

Por isso, a recomendação é acompanhar também as previsões meteorológicas de curto prazo e os comunicados oficiais emitidos pelos órgãos de monitoramento.

Calor e tempo seco aumentam risco de queimadas

O CPTEC/Inpe explica que o El Niño pode provocar mudanças importantes nos padrões de chuva e temperatura do Brasil. Para 2026, a preocupação na Amazônia está concentrada principalmente no aumento do calor, na redução da umidade e no risco de incêndios.

Durante os períodos mais secos, uma pequena chama pode se transformar rapidamente em um incêndio de grandes proporções. Queimar lixo, atear fogo em terrenos, lançar cigarros às margens de rodovias ou usar as chamas para limpar áreas rurais são atitudes que podem colocar comunidades inteiras em risco.

Além da destruição da vegetação, a fumaça das queimadas reduz a qualidade do ar e pode agravar problemas respiratórios, sobretudo em crianças, idosos e pessoas com asma, bronquite ou outras doenças pulmonares.

Os incêndios também causam a morte de animais, destroem áreas de alimentação e abrigo da fauna e aumentam as emissões de gases que contribuem para o aquecimento global.

Preservar a Amazônia é proteger vidas

No Dia da Amazônia, a preservação precisa ir além das homenagens nas redes sociais. Proteger a floresta envolve fiscalização, combate ao desmatamento ilegal, prevenção às queimadas, recuperação de áreas degradadas e valorização das populações que vivem na região.

A sociedade também pode contribuir evitando o uso irregular do fogo, denunciando crimes ambientais, protegendo nascentes, reduzindo o desperdício de água e apoiando iniciativas baseadas no desenvolvimento sustentável.

Para quem vive em Rondônia, a Amazônia não é uma paisagem distante. Ela está presente nos rios, nos alimentos, na cultura, na economia e no cotidiano da população.

O cenário provocado pelo El Niño reforça que cuidar da floresta também significa proteger a água, a saúde, a produção de alimentos e o futuro das cidades amazônicas.

Neste 5 de setembro, a principal mensagem é clara: a Amazônia não precisa apenas ser lembrada; ela precisa ser protegida durante todos os dias do ano.

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