- Disputa interna no PSB em Rondônia enfraquece politicamente a candidatura de Samuel Costa, desautorizado pela direção nacional que decidiu não ter candidato próprio ao governo.
- Léo Moraes, prefeito de Porto Velho, declarou apoio robusto à candidatura de Silvia Cristina (Progressistas) ao Senado, reforçando sua posição no maior colégio eleitoral do Estado e gerando acusações de “traição” entre grupos aliados a Hildon Chaves.
- Relatório do TCE aponta que Rondônia, apesar de crescer em arrecadação e PIB, caminha de superávit em 2025 para déficit bilionário em 2035, com alta de despesas obrigatórias, baixa capacidade de investimento, serviços públicos deficientes e avanço da violência mesmo com forte presença de policiais na política.
Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação do News Rondônia
AUTOFAGIA
Autofagia em alto grau. É a conclusão quase inevitável de quem acompanha a briga fratricida entre o candidato do PSB, Samuel Costa, e o candidato do PT, Expedito Neto. Em tese, pertencem ao mesmo campo ideológico. Na prática, comportam-se como adversários que descobriram, tarde demais, que a guerra interna pode ser mais destrutiva que a disputa contra o inimigo.
NATIMORTA
Samuel está certo em lutar para preservar sua candidatura. É legítimo. Candidato que entra numa eleição não costuma abandonar o barco porque alguém em Brasília resolveu trocar a rota. O problema é outro: sua candidatura já nasceu politicamente enfraquecida, antes mesmo da intervenção do PSB nacional na executiva provisória de Rondônia.
REJEITADO
Ao destituir a direção estadual e decidir que o PSB não terá candidatura própria ao governo, a direção nacional praticamente escreveu em letras garrafais aquilo que Samuel talvez ainda não queira ler: não é para ser candidato. É possível que o TRE acolha o parecer do Ministério Público Eleitoral e reconheça a candidatura de Samuel. O cara é rejeitado em casa.
DERROTAS
A Justiça Eleitoral pode lhe conceder mais alguns capítulos nessa novela. Mas quem conhece os meandros dos bastidores partidários sabe que a história pode terminar no TSE. E ali, independentemente da discussão estritamente jurídica, a situação política de Samuel é bastante desconfortável. Porque há derrotas jurídicas e há derrotas políticas. Esta reúne o risco das duas.
DEGOLA
É desmoralizante para qualquer militante ser desautorizado pelo próprio partido. Mais ainda quando a legenda nacional decide não disputar o governo e prefere apoiar um candidato de outra sigla. O PSB não apenas deixou de sustentar Samuel: decidiu não ter candidatura própria em Rondônia, apesar da insistência dos dirigentes destituídos e da convenção que havia homologado seu nome.
REALIDADE
Falta a Samuel perceber que uma candidatura nessas condições pode até existir no papel, mas se torna uma espécie de fantasma eleitoral: anda pelas ruas, aparece nas redes, disputa espaço no horário eleitoral, mas não encontra a própria família política dentro de casa. E há uma ironia adicional. Samuel não enfrenta apenas a máquina partidária que resolveu desmontar sua candidatura. Enfrenta também a realidade eleitoral de Rondônia, onde o eleitorado é majoritariamente conservador.
DESTRUIÇÃO
Se nem os próprios socialistas conseguiram manter de pé sua candidatura, será preciso muito mais do que bravura jurídica para convencer o eleitor de que existe uma candidatura politicamente viável. Samuel pode ganhar alguns dias. Pode até conseguir uma decisão favorável no TRE. Pode prolongar a batalha nos tribunais. Mas candidatura não se sustenta apenas por uma certidão judicial. A candidatura pode até existir juridicamente. Politicamente, porém, o PSB já disse que não existe.
E quando o próprio partido abandona o candidato antes mesmo da urna, a autofagia deixa de ser metáfora e passa a ser estratégia eleitoral. Uma estratégia, convenhamos, bastante eficiente para destruir a si própria.
ANÚNCIO
Durante o lançamento oficial da campanha de Paulo Moraes, sábado passado, na Talismã, o prefeito Léo Moraes surpreendeu ao anunciar apoio à candidatura de Silvia Cristina, do Progressistas, ao Senado. E não foi um apoio para constar na fotografia. É um apoio robusto. Léo é prefeito da capital, tem avaliação positiva e vinha fazendo campanha ostensiva para Fernando Máximo, do PL. Ao fechar agora o segundo voto com Silvia, dá um empurrão considerável à deputada justamente no maior colégio eleitoral de Rondônia. O talismã ficou pequeno para acomodar a multidão que compareceu ao convite do prefeito, irmão de Paulo Moraes.
ENTREGAS
Silvia chega a esse apoio com algo que faz diferença numa eleição: trabalho realizado e resultados que podem ser vistos. Sua atuação na área da saúde está entre as mais efetivas da bancada federal de Rondônia. E não se trata apenas de números ou anúncios de gabinete. São serviços que chegam diretamente a quem mais precisa.
MARCAS
O trabalho desenvolvido no Hospital de Amor, referência no atendimento e tratamento de pacientes com câncer, é uma dessas marcas. Silvia também participou da estruturação de unidades de diagnóstico em Ji-Paraná e Vilhena, ampliando o acesso da população a serviços de saúde que, para quem enfrenta uma doença grave, não são promessa de campanha – são necessidade concreta.
INCÔMODO
É justamente aí que está a força política de Silvia Cristina. Ela tem entregas para apresentar e, mais importante, pessoas beneficiadas por elas. Na política, pode-se discutir quase tudo. Só é difícil discutir contra aquilo que o eleitor consegue enxergar. O detalhe que parece incomodar algumas almas mais sensíveis da política é que Silvia está na aliança que apoia Hildon Chaves ao governo, enquanto Léo Moraes é adversário declarado do ex-prefeito da capital.
TRAIÇÃO
Pronto. Bastou isso para alguns descobrirem uma nova modalidade de traição política: votar em alguém de outra trincheira. Convém baixar a temperatura e subir um pouco o nível do raciocínio. Coligação para governador não transforma candidato a senador em propriedade privada. São eleições diferentes, com interesses diferentes e, sobretudo, dois votos para o Senado. Candidato que pretende ocupar uma dessas vagas precisa buscar votos onde eles estiverem – inclusive fora do próprio arco partidário. Senão o concorrente busca.
EXCLUSIVIDADE
Silvia não está traindo Hildon por receber o apoio de Léo. Está fazendo política eleitoral. E, até onde se sabe, ninguém assinou contrato de exclusividade para pedir voto apenas aos aliados do candidato a governador. Aliás, Silvia não está sozinha nessa “heresia”. Maurício Carvalho e sua irmã, Mariana Carvalho, também procuram ampliar seus apoios para além dos limites da própria aliança. Os demais candidatos fazem exatamente a mesma coisa, cada qual tentando construir uma ponte onde enxergam votos.
INGENUIDADE
A eleição para o Senado tem 12 candidatos disputando apenas duas cadeiras. Nesse cenário, imaginar que todos permanecerão confinados às fronteiras das coligações é uma ingenuidade que beira a comédia. E há um detalhe que torna essa discussão ainda mais curiosa: não é segredo para ninguém que Hildon Chaves mantém uma relação pessoal mais próxima com a família Carvalho e tem circulado ao lado dos irmãos Maurício e Mariana. É Mariana, inclusive, quem recebe de Hildon pedidos de voto abertos, ainda que o nome de Silvia Cristina convenientemente não apareça na conversa.
TOSCO
Portanto, seria uma bobagem política um candidato ao governo preterir uma candidata com a capilaridade eleitoral de Silvia Cristina simplesmente porque ela recebeu o apoio de seu desafeto. Isso é pequeno, tosco e, sobretudo, pouco inteligente para quem pretende governar um Estado.
HIPOCRISIA
Hildon pode ter suas preferências, seus desafetos e suas idiossincrasias. Mas um governante precisa pensar maior que elas. Precisa enxergar a política para além das relações pessoais e compreender que eleição se vence com votos – e governo se faz com grandeza. Chamar de traição todo apoio que atravessa o muro partidário é uma interpretação conveniente. Ou nasce da hipocrisia de quem acha legítimo o seu candidato buscar votos onde puder, mas escandaloso quando o adversário faz o mesmo; ou nasce da percepção, ainda mais dolorosa, de que seu candidato pode estar perdendo espaço.
CIÚMES
Na política, apoio não é casamento religioso. É circunstância, estratégia e voto. E, neste caso, Léo Moraes acaba de entregar a Silvia Cristina algo bastante valioso: um segundo voto no maior colégio eleitoral de Rondônia. O resto é ciúme de campanha vestido de princípio.
FINANÇAS
A contabilidade pública de Rondônia exibe crescimento da receita, do PIB e da arrecadação. Mas esses números positivos não contam a história inteira. Por trás da aparência de prosperidade, avança uma deterioração fiscal que ameaça justamente a capacidade do Estado de investir e transformar crescimento econômico em desenvolvimento. O TCE entregou aos candidatos uma radiografia do que vão encontrar a partir de 5 de janeiro nas finanças estadual.
DÉFICIT
O diagnóstico é “positivo, com forte sinal de atenção”. A expressão, porém, suaviza a gravidade do cenário. Rondônia projeta sair de um superávit de R$ 430 milhões em 2025 para um déficit de R$ 3,72 bilhões em 2035 – ou R$ 4,42 bilhões, considerando o esforço previdenciário. Não se trata de uma simples oscilação contábil, mas de uma trajetória de desequilíbrio que pode comprometer o futuro das contas públicas.
CONTRADIÇÃO
Rondônia cresce, arrecada e exporta, mas não converte essa expansão em investimento na mesma proporção. A despesa total subiu de R$ 12,31 bilhões em 2022 para R$ 17,79 bilhões em 2025, enquanto a participação dos investimentos caiu de 10,96% para 7,29%. A contradição é evidente: a receita aumenta, mas a capacidade de investir encolhe. O Estado arrecada mais e entrega menos espaço para construir estradas, ampliar serviços e preparar a economia para o futuro.
PASSIVOS
É a face mais preocupante da chamada prosperidade fiscal: o crescimento da arrecadação está sendo absorvido pela própria máquina pública. Em vez de financiar investimentos estruturantes, a receita adicional é consumida por despesas permanentes, obrigações acumuladas e passivos que se expandem. Rondônia engorda no orçamento, mas emagrece na capacidade de transformar dinheiro em desenvolvimento.
LIMITE
Esse será um dos principais desafios do governador que assumir em 2027. A máquina pública estará pressionada por folha, previdência, restos a pagar e demais despesas obrigatórias, que reduzem o espaço para investimentos. O próximo governo não receberá apenas um orçamento maior; receberá também uma estrutura mais rígida, mais cara e menos capaz de responder às necessidades da população.
PERDULÁRIA
Na saúde, o Índice Geral de Resultados da Saúde (IGRS), de aproximadamente 54 pontos, indica forte pressão estrutural e levanta dúvidas sobre a eficiência do gasto. Não basta ampliar o orçamento se os resultados não acompanham o volume de recursos aplicados. O problema não é apenas quanto se gasta, mas quanto desse gasto chega efetivamente ao cidadão em forma de atendimento, prevenção e qualidade de vida. Falta ao atual governo nesta área gestão.
PESO MORTO
Também pesam o passivo de R$ 1,58 bilhão da Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia (CAERD), a precariedade da malha rodoviária, os custos logísticos estimados em R$ 3,7 bilhões anuais e os problemas de desempenho e alocação de profissionais na educação. São passivos e deficiências que revelam a mesma falha: o Estado arrecada, mas não consegue converter recursos em infraestrutura, produtividade e serviços públicos compatíveis com suas necessidades. A CAERD é falimentar há anos, está de pé em razão de governos irresponsáveis.
RALO
O problema, portanto, não é apenas arrecadar. É impedir que a arrecadação seja consumida antes de produzir resultados. É transformar recursos em serviços públicos, infraestrutura e desenvolvimento – e não apenas em novas despesas permanentes. A classificação A na Capacidade de Pagamento (CAPAG) não elimina passivos previdenciários, deficiências de infraestrutura ou baixa capacidade de investimento. Solidez financeira de curto prazo e fragilidade estrutural podem coexistir.
INDICATIVO
Uma boa classificação não autoriza complacência nem serve como prova de que o Estado está preparado para o futuro. Ela pode indicar capacidade de pagamento em determinado momento, mas não resolve o problema de um orçamento cada vez mais comprometido.
MENTINDO
O próximo governo terá de fazer escolhas difíceis: conter despesas permanentes, rever prioridades, medir resultados e enfrentar interesses organizados. Não poderá transformar todo aumento temporário de receita em novas obrigações nem tratar previdência, saúde, saneamento e infraestrutura como problemas isolados. Todos fazem parte da mesma equação: quanto mais recursos forem capturados por despesas rígidas e ineficientes, menos sobrará para investir. Quem promete construir hospital e estradas, por exemplo, a curto prazo mente e mente descaradamente de olho apenas no voto.
ODBESIDADE
O ciclo atual é claro: crescimento econômico, aumento da arrecadação, expansão das despesas obrigatórias e redução do espaço para investir. Se nada mudar, Rondônia gastará o crescimento antes que ele se transforme em desenvolvimento. A arrecadação continuará subindo, mas a capacidade de entregar obras, serviços e melhorias concretas continuará diminuindo.
EFICIÊNCIA
A partir de 2027, o desafio será recuperar a capacidade de investimento sem produzir déficits. Isso exigirá mais do que discursos sobre responsabilidade fiscal. Exigirá cortes, revisão de privilégios, controle de despesas, avaliação de resultados e enfrentamento de decisões politicamente convenientes, mas financeiramente insustentáveis. O teste não será quanto o Estado arrecadará, mas quanto dessa receita restará depois que a máquina pública consumir o crescimento. Essa é a pergunta que expõe a maquiagem fiscal: se a arrecadação aumenta e os investimentos diminuem, o problema não está na falta de dinheiro, mas na forma como o dinheiro está sendo gasto.
REALIDADE
Essa é a conta que não cabe no palanque. Se as despesas obrigatórias continuarem crescendo mais rápido que os investimentos, Rondônia terá uma prosperidade de vitrine: números positivos no presente, serviços aquém das necessidades e uma conta cada vez mais pesada no futuro. E os candidatos a governador prometendo o que não poderão entregar. Vida que seque. Marcos Rocha não entregará um estado quebrado, é mentira cravar tal afirmação, mas entregará um estado pesado, perdulário e com os serviços públicos deficientes. Poderia ser pior, uma vez que viaja mais que notícias ruins. E estas não estão sendo boas para o rondoniense faz tempo.
SEGURANÇA
Rondônia virou uma espécie de laboratório onde policial não falta na política, mas segurança continua faltando nas ruas. Há policiais civis e militares em cargos estratégicos do governo, nas administrações e até no Parlamento, e nem assim o Estado conseguiu escapar do avanço da violência e do crime organizado. Na campanha, todos prometem firmeza, competência e tolerância zero. Acredita quem quiser. Muitos dos que agora pedem votos já tiveram poder e oportunidade para mudar esse cenário. Se não fizeram antes, fica difícil acreditar que farão depois.

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