Gasolina nos EUA pode superar US$ 4 por galão

Preço médio deve atingir US$ 4,03 no Dia do Trabalho, em meio à alta do petróleo e aos impactos da guerra no Oriente Médio sobre o mercado de energia.

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Gasolina nos EUA pode superar US$ 4 por galão
foto - REUTERS/Caroline Brehman

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O preço médio da gasolina nos Estados Unidos pode superar US$ 4 por galão no Dia do Trabalho, celebrado nesta segunda-feira (7). A estimativa é do analista Patrick De Haan, da GasBuddy, que projeta média nacional de US$ 4,03 por galão.

Se confirmada, a marca superará o recorde anterior para o feriado, de US$ 3,83 por galão, registrado em 2012.

Na quinta-feira (4), a gasolina já custava cerca de US$ 4,13 por galão, segundo o monitoramento da GasBuddy. O valor representa aumento de quase US$ 1 em relação à média registrada no mesmo período do ano anterior.

Petróleo acima de US$ 90

A alta dos combustíveis ocorre em meio à elevação das cotações do petróleo.

O preço do petróleo bruto voltou a superar US$ 90 por barril durante a semana, após novas ações militares entre Estados Unidos e Irã aumentarem as preocupações sobre possíveis interrupções no abastecimento mundial.

Os combustíveis também sofrem influência de problemas no setor de refino. Ataques contra instalações de refino na Rússia aumentaram as preocupações com a oferta de derivados, incluindo diesel e óleo para aquecimento.

Como o petróleo bruto é a principal matéria-prima utilizada na produção de combustíveis, as oscilações da commodity costumam se refletir nos preços praticados nos postos.

Alta preocupa consumidores

A gasolina é um dos preços mais observados pelos consumidores norte-americanos e pode influenciar a percepção sobre a situação da economia.

O nível acima de US$ 4 por galão também preocupa famílias que dependem do carro para trabalhar, fazer compras e viajar.

O aumento ocorre justamente no Dia do Trabalho, tradicionalmente considerado o último grande fim de semana do verão nos Estados Unidos. O período costuma registrar deslocamentos de milhões de pessoas por rodovias e aeroportos.

Em estados como Colorado, Utah, Idaho, Montana, Wyoming e Dakota do Norte, os preços registraram alguns dos maiores aumentos desde o início da guerra.

Califórnia, Havaí e Washington estão entre os estados com as maiores médias de preço da gasolina no país.

Motoristas reduzem viagens

O impacto já aparece no comportamento de alguns consumidores.

Motoristas ouvidos pela Reuters relataram redução dos gastos com combustível e mudanças nos planos de viagem diante dos preços mais altos.

Em Houston, no Texas, a moradora Madison Moore, de 28 anos, afirmou que está reduzindo os planos para o feriado. Segundo ela, viagens que antes eram comuns passaram a pesar mais no orçamento familiar.

No Colorado, Randi O’Brien, de 57 anos, disse que limitou a US$ 15 o valor que poderia gastar em um abastecimento. Ela utiliza uma caminhonete para fazer o trajeto diário até o trabalho.

Trump sofre pressão sobre preços

O aumento dos combustíveis também representa um desafio político para o presidente Donald Trump, que durante a campanha e o governo prometeu reduzir os custos de energia para os norte-americanos.

Nas últimas semanas, Trump intensificou as críticas a refinarias e varejistas de combustíveis, responsabilizando-os pelos preços elevados nos postos.

Em agosto, o presidente afirmou que os norte-americanos deveriam aceitar pagar um pouco mais pela gasolina para impedir que o Irã obtivesse uma arma nuclear.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos aumentaram as exportações de petróleo e combustíveis depois do início da guerra com o Irã, segundo dados citados na reportagem.

As exportações de produtos refinados cresceram mais de 10% em relação ao ano anterior, de acordo com a Administração de Informações sobre Energia dos Estados Unidos.

O cenário mantém os preços dos combustíveis no centro das preocupações econômicas e políticas do país, especialmente durante o período de maior circulação de veículos no feriado.

Com informações de Nicole Jao, Liz Hampton e Georgina McCartney – Repórteres da Reuters.

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