Fome recua em lares do Bolsa Família chefiados por mulheres

Estudo da FGV revela que 71% dos domicílios que atingiram segurança alimentar são liderados por figuras femininas; impacto é maior entre mulheres negras.

Fonte: Bruno de Freitas Moura - Repórter da Agência Brasil - 20

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Fome recua em lares do Bolsa Família chefiados por mulheres
© Jefferson Rudy/Agência Senado

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  • Estudo da FGV mostra queda da insegurança alimentar grave em lares do Bolsa Família chefiados por mulheres, de 9,6% para 7,2% entre 2023 e 2024.
  • Cerca de 670 mil famílias lideradas por mulheres, majoritariamente pretas ou pardas, saíram da fome, em um programa que atende 18,73 milhões de lares.
  • FGV e governo atribuem avanços ao Bolsa Família e a políticas assistenciais, que tiraram 26,5 milhões da fome e evitaram alta da insegurança alimentar.

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação do News Rondônia

A fome no Brasil registrou uma queda mais acentuada em lares beneficiários do Bolsa Família chefiados por mulheres entre 2023 e 2024. De acordo com o estudo “Mulheres no centro da redução da insegurança alimentar no Brasil”, divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta sexta-feira (20), a insegurança alimentar grave nesses domicílios recuou de 9,6% para 7,2%. O índice de redução, de 2,4 pontos percentuais, superou o desempenho dos lares chefiados por homens, que tiveram queda de 1,8 ponto no mesmo período.

O levantamento aponta que quase 670 mil famílias lideradas por mulheres deixaram a situação de fome e alcançaram a segurança alimentar no intervalo de um ano. Especialistas do Ibre/FGV atribuem o resultado à eficiência feminina na gestão dos recursos, com gastos priorizados em bem-estar infantil, saúde e educação. Atualmente, as mulheres representam 84,4% dos responsáveis familiares no programa, que atende 18,73 milhões de famílias com um benefício médio de R$ 683,75.

A questão racial também aparece como fator determinante nos dados da FGV. Das famílias que superaram a fome, 61,4% (cerca de 581 mil) são chefiadas por mulheres pretas ou pardas. Durante a divulgação, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, reforçou que o combate à desnutrição está intrinsecamente ligado ao enfrentamento da desigualdade racial, destacando que a transferência direta de renda para mulheres em vulnerabilidade é uma ferramenta de empoderamento e desenvolvimento social.

Com a retomada de políticas assistenciais, o Brasil deixou o Mapa da Fome da ONU em 2025, após ter retornado ao indicador em 2022. O Ministério do Desenvolvimento Social estima que 26,5 milhões de pessoas saíram da insegurança alimentar grave no biênio 2023-2024. A projeção da FGV indica que, sem o Bolsa Família, a insegurança alimentar grave no país saltaria de 7,1% para 8,1%, reforçando a dependência de milhões de brasileiros das políticas de transferência de renda.

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