Quando os ônibus pararam no dia da eleição, o “Exército de Lula” pegou as chaves do carro

Falhas no transporte levaram voluntários a buscar eleitores; Justiça Eleitoral determinou investigação sobre a redução da frota de ônibus na capital baiana.

Fonte: News Rondônia

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Quando os ônibus pararam no dia da eleição, o “Exército de Lula” pegou as chaves do carro

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Apoiadores de Lula organizaram uma rede de caronas em Salvador para transportar eleitores que enfrentaram dificuldades com a circulação de ônibus no segundo turno das eleições presidenciais, em 25 de outubro. A mobilização, relatada pela Reuters, reuniu professores, motoristas de aplicativo e moradores que usaram carros próprios ou contribuíram com combustível.

Entre os voluntários estava o professor de história Martins Mafra, de 46 anos. Diante dos relatos de pessoas sem transporte, ele saiu de casa para levar eleitores aos locais de votação. Segundo a reportagem, as caronas eram oferecidas independentemente da preferência política dos passageiros.

A iniciativa integrou uma mobilização mais ampla de apoiadores do presidente, com ações nas redes sociais e nas comunidades após o primeiro turno. A reeleição de Lula, acompanhada pelo News Rondônia, confirmou seu quarto mandato à frente do Executivo federal.

Rede de voluntários levou eleitores às urnas

O produtor Gabriel Mercury, de 41 anos, filho da cantora Daniela Mercury, também participou da organização das caronas. Ele e cinco amigos recorreram às redes sociais para encontrar motoristas dispostos a buscar pessoas que não conseguiam chegar às seções eleitorais.

Parte dos participantes dirigiu, enquanto outros ajudaram a pagar o combustível. À Reuters, Mercury estimou que o grupo transportou aproximadamente 600 eleitores ao longo do domingo.

Motoristas de aplicativo também aderiram à iniciativa. Adriano de Jesus Braga dos Santos, motorista e criador de conteúdo ouvido pela agência, relatou ter realizado pessoalmente 36 corridas gratuitas.

Apesar da mobilização, nem todos conseguiram votar. A vendedora ambulante Grécia de Jesus Nunes, de 54 anos, contou que não encontrou transporte durante seu intervalo e, quando os voluntários chegaram, já não podia se afastar do trabalho.

Redução da frota será investigada

Segundo a reportagem da Reuters, fiscais do Procon da Bahia encontraram 944 ônibus parados em garagens de Salvador no dia da eleição. A situação provocou questionamentos sobre a oferta do serviço e levou à intervenção da Justiça Eleitoral.

O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia determinou o encaminhamento do caso à Procuradoria Regional Eleitoral e à Polícia Federal, para apuração de possíveis crimes eleitorais relacionados à redução da frota.

Conforme o tribunal, inspeções judiciais identificaram veículos retidos durante a votação, em desacordo com a determinação de transporte gratuito em frequência compatível com a dos dias úteis.

A decisão também exigiu que a prefeitura, a Secretaria Municipal de Mobilidade e as concessionárias preservassem e apresentassem documentos operacionais. Entre eles estavam escalas de motoristas, ordens de serviço, registros de monitoramento dos veículos e comunicações internas sobre a redução da circulação.

Prefeitura e secretário negam irregularidades

O prefeito Bruno Reis atribuiu os atrasos à retirada de adesivos de campanha de Lula dos ônibus. Segundo sua versão à Reuters, a prefeitura determinou a liberação imediata dos veículos ao perceber que o procedimento estava prejudicando a operação.

Reis negou ter dificultado o deslocamento dos eleitores. O secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, também negou irregularidades e afirmou à agência que a quantidade de ônibus disponibilizados correspondia à do primeiro turno.

A Justiça Eleitoral havia determinado a prisão em flagrante do secretário, mas tornou a ordem sem efeito na segunda-feira (26), após o encerramento da votação. O TRE-BA esclareceu que a revogação ocorreu porque cessou a situação de flagrância e não representa uma conclusão sobre a existência de crime ou a responsabilidade dos envolvidos.

Vantagem foi de 4,4 milhões de votos

O resultado consolidado pelo TSE mostra que Lula recebeu 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro somou 59.826.041 votos, ou 48,21%. A diferença foi de 4.430.191 votos.

Os cerca de 10 milhões de votos adicionais mencionados na reportagem da Reuters correspondem ao avanço da votação do petista entre o primeiro e o segundo turno, e não à distância final entre os candidatos.

A mobilização em Salvador ajuda a retratar as dificuldades de acesso às urnas e a reação de grupos de eleitores. Os relatos, porém, não permitem quantificar isoladamente o efeito das caronas sobre o resultado presidencial.

Prorrogação teve alcance limitado

As dificuldades no transporte estiveram entre os motivos apresentados para pedir a ampliação do horário de votação. Segundo o TSE, a decisão do Supremo Tribunal Federal autorizou a continuidade até as 19h nas seções que ainda estavam abertas às 17h.

O levantamento da Justiça Eleitoral contabilizou 34.393 votos registrados depois das 17h em todo o país. Desse total, 1.981 foram registrados entre 18h e 19h, e 13 após as 19h. O volume total é inferior à diferença de 4,4 milhões de votos entre os candidatos.

Em Salvador, a apuração determinada pelo TRE-BA deverá esclarecer as circunstâncias da redução da frota e as eventuais responsabilidades pela oferta insuficiente de transporte durante a votação.

Com informações de Reuters, Tribunal Superior Eleitoral e Tribunal Regional Eleitoral da Bahia.

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