MORO AGE COMO JUIZ QUE JÁ NÃO É MAIS

É espantosa a atitude do ministro Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública). Saiu rapidamente em defesa da destruição do conteúdo das mensagens captadas pelos supostos hackers detidos pela Polícia Federal em São Paulo.

Publicado em

MORO AGE COMO JUIZ QUE JÁ NÃO É MAIS

Compartilhe esta notícia:

Nos siga no Google News

O jornal “O Estado de São Paulo” informou primeiro ao distinto público: “Moro defende destruição de mensagens”, foi a manchete de quinta-feira (25) em seu portal. Segundo a matéria, o ministro, agindo como juiz que não mais é, ligou para cada uma das autoridades atingidas para dizer que as mensagens a ser extraídas pela Polícia Federal do material apreendido seriam destruídas.

Ora, até o mais elementar cidadão, medianamente informado, sabe que, envolvido diretamente no caso, teve o celular clonado e tem seu comportamento questionado nas reportagens publicadas pelo site Intercept quando juiz da Operação Lava Jato¸ Sérgio Moro não pode ser ele mesmo autor do pedido de investigação contra hackers e julgador do processo de apuração.

Foi uma atitude precipitada, e tem conotação autoritária. Mesmo que legalmente a prova ilícita não seja considerada, há claramente um conflito de interesses entre o público e o privado. Não cabe ao ministro decidir sobre o que será feito com o conteúdo supostamente extraído mediante a invasão de aparelhos móveis de diversas autoridades.  

No processo penal, quando há conflito entre o direito privado e o direito público, o que deve prevalecer?  O direito público. É preciso perícia, e que tudo seja absolutamente colocado à luz do sol,  o melhor detergente que existe.

Certa está a Polícia Federal que em nota declarou não ser o objetivo da ação contra os hackers esmiuçar o conteúdo de mensagens que eles supostamente teriam retirado de aparelhos móveis de ministros, mas que serão preservadas, reconhecendo que cabe à Justiça decidir sobre a inutilização ou não desse tipo de prova.  

Para haver a destruição, é necessária solicitação e autorização judicial. No caso, o responsável é o juiz Vallisney Oliveira, da 10.ª Vara da Justiça Federal. Foi ele quem expediu mandados de prisão contra o grupo preso em Araraquara e Ribeirão Preto.

Os quatro presos são investigados inicialmente pelos crimes de invasão de dispositivos informáticos e interceptações telefônicas, que prevê pena máxima de 3 anos e 4 meses. Caso prevaleça o que defendem alguns integrantes do Planalto, eles podem pegar até 15 anos de prisão se enquadrados na Lei de Segurança Nacional.   

De acordo com a PF, Walter Delgatti Neto utilizava celulares e computadores de alta tecnologia para acessar as contas de aplicativos de conversas.

Por  enquanto, há mais perguntas do que respostas sobre o caso, mas é certo que já ocorre uma guerra de versões em curso solta na imprensa, a partir de Brasília, a cidade símbolo do grampo e também agora a cidade hackeada.

NEWS QUE VOCÊ VAI QUERER LER

DESTAQUE NEWS

EMPREGOS E CONCURSOS

POLÍTICA

POLÍCIA

ÚLTIMAS NOTÍCIAS