IA pode triplicar lixo eletrônico até 2050, diz relatório

Expansão de data centers pode elevar o descarte anual de equipamentos, com servidores, cabos e sistemas de refrigeração entre os materiais envolvidos.

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IA pode triplicar lixo eletrônico até 2050, diz relatório
imagem: reprodução/Magnific

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A expansão da infraestrutura necessária para sustentar a inteligência artificial pode provocar um aumento significativo na geração de lixo eletrônico nas próximas décadas. Um relatório da Basel Action Network (BAN), organização que acompanha o descarte e a movimentação internacional de resíduos eletrônicos, estima que o volume anual de resíduos relacionados à infraestrutura de IA poderá triplicar até 2050.

Segundo a entidade, a expansão dos data centers poderá gerar até 13 milhões de toneladas de resíduos por ano até 2030. A estimativa considera equipamentos e componentes necessários para ampliar a capacidade computacional, como servidores, sistemas de refrigeração, infraestrutura elétrica e cabeamento.

Data centers ampliam demanda por equipamentos

Para chegar às projeções, a BAN considerou uma estimativa de aproximadamente 100 gigawatts (GW) de nova capacidade computacional no mundo até 2030. Nos Estados Unidos, a organização estima pelo menos 4.871 data centers, muitos deles voltados a aplicações de inteligência artificial.

A expansão exige a fabricação de grandes quantidades de equipamentos. Um rack de alta densidade utilizado em computação de IA pode pesar cerca de 1.360 quilos, segundo o levantamento.

Equipamentos de rede, como switches, também contribuem para o volume de materiais. A organização aponta ainda que racks podem concentrar centenas de quilos de cabos de cobre.

Outro fator é a substituição dos componentes. Segundo o relatório, equipamentos podem ser trocados em períodos de dois a cinco anos devido ao desgaste térmico ou à defasagem de desempenho.

A evolução dos requisitos computacionais para IA também pode acelerar a substituição de outros dispositivos eletrônicos, incluindo computadores, celulares e equipamentos de telecomunicações.

Equipamentos e componentes eletrônicos descartados em meio ao crescimento do lixo eletrônico.
Lixo eletrônico seria consequência da obsolescência programada (imagem: John Cameron/Unsplash)

Resíduos podem conter materiais tóxicos

O problema não está apenas no volume de equipamentos descartados. Parte do lixo eletrônico contém substâncias e materiais que exigem tratamento específico, como mercúrio, cádmio e chumbo, além de compostos químicos persistentes.

A recuperação de metais presentes nesses equipamentos também depende de processos adequados para reduzir impactos ambientais e permitir o reaproveitamento dos materiais.

De acordo com Jim Puckett, cofundador da BAN, cerca de 20% do lixo eletrônico recebe destinação considerada adequada. A informação foi divulgada pelo jornal The Guardian.

A organização acompanha ainda casos de movimentação internacional de resíduos eletrônicos e alerta para o risco de materiais serem enviados a países onde o processamento pode ocorrer sem condições adequadas de controle ambiental.

Brasil também enfrenta desafio

O crescimento do lixo eletrônico já representa um desafio no Brasil. Segundo dados citados no relatório, o país gera mais de 2,4 milhões de toneladas desse tipo de resíduo por ano.

A expansão dos data centers pode aumentar esse volume, especialmente diante do crescimento da infraestrutura necessária para aplicações de inteligência artificial.

O cenário também ocorre em meio a novas iniciativas para atrair investimentos em centros de processamento de dados no país. O relatório aponta que a expansão da infraestrutura precisa ser acompanhada por medidas capazes de lidar com os equipamentos quando eles forem substituídos.

O que pode reduzir o impacto?

A BAN defende mudanças na maneira como os equipamentos utilizados em data centers são projetados, reutilizados e reciclados. A preocupação é evitar que servidores e outros componentes tenham como destino final o descarte sem tratamento adequado.

A reutilização de equipamentos, o aumento da vida útil dos componentes e sistemas eficientes de recuperação de materiais estão entre os caminhos associados à redução do impacto do lixo eletrônico.

O relatório alerta que a velocidade de expansão da inteligência artificial pode ampliar a quantidade de equipamentos descartados caso a infraestrutura de reciclagem e reaproveitamento não acompanhe o crescimento do setor.

FAQ

Quanto lixo eletrônico a IA pode gerar?
Segundo estimativa da BAN, o descarte de hardware relacionado à expansão dos data centers pode chegar a 13 milhões de toneladas por ano até 2030.

Por que os data centers geram lixo eletrônico?
A infraestrutura utiliza servidores, racks, equipamentos de rede, cabos, sistemas de refrigeração e componentes elétricos que precisam ser substituídos periodicamente.

O lixo eletrônico é perigoso?
Parte dos equipamentos pode conter substâncias como mercúrio, cádmio e chumbo, que exigem tratamento e destinação adequados.

Quanto do lixo eletrônico recebe destinação adequada?
Segundo Jim Puckett, cofundador da BAN, cerca de 20% recebe destinação adequada.

Com informações de Felipe Faustino.

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