Por que jogos licenciados têm mais chances de fracassar?

Licenças, contratos, músicas e regras entre marcas podem aumentar custos, limitar a distribuição e reduzir a vida útil de jogos baseados em franquias conhecidas.

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Por que jogos licenciados têm mais chances de fracassar?
Imagem - Reprodução/Canaltech

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Jogos licenciados costumam nascer com uma vantagem: o reconhecimento de marcas, personagens e universos já conhecidos pelo público. Mesmo assim, transformar uma franquia de filmes, séries, HQs, livros ou músicas em um game envolve obstáculos que podem comprometer tanto a recepção quanto a permanência do título no mercado.

Um exemplo recente citado nesse debate é Marvel Tokon: Fighting Souls, desenvolvido pela Arc System Works. A discussão no Brasil envolve a utilização dos nomes dos super-heróis em inglês, em vez das versões tradicionalmente usadas no país, uma escolha que gerou reação negativa de parte da comunidade.

O problema, porém, vai além da localização dos personagens. Jogos licenciados dependem de contratos, acordos comerciais e direitos de uso que podem determinar por quanto tempo uma produção permanecerá disponível.

O impacto dos nomes das franquias

A questão envolvendo a Marvel não é recente. O texto aponta que o debate ganhou força no Brasil com Marvel’s Spider-Man, lançado em 2018, quando os personagens foram apresentados com nomes em inglês, incluindo o próprio Homem-Aranha e alguns de seus vilões.

A estratégia também apareceu em outros produtos da Marvel. Em Marvel’s Guardians of the Galaxy, de 2021, por exemplo, personagens como Peter Quill são apresentados como Senhor das Estrelas, enquanto o grupo aparece como Guardiões da Galáxia.

A diferença está na forma como cada produção administra essa escolha. Quando os nomes utilizados em um jogo entram em choque com aqueles consolidados na cultura local, a experiência pode causar estranhamento entre os fãs, especialmente em mercados onde determinadas traduções existem há décadas.

O problema dos contratos

Um dos maiores desafios dos jogos licenciados está nos direitos de utilização das marcas.

Quando um contrato entre uma desenvolvedora e uma empresa detentora de uma franquia chega ao fim, o jogo pode deixar de ser comercializado. Foi o que ocorreu com diversos títulos associados à Marvel após o encerramento do acordo com a Activision.

Produções como Marvel Ultimate Alliance, Deadpool e outros jogos licenciados acabaram ficando indisponíveis em lojas digitais. Isso não significa que tenham fracassado comercialmente quando foram lançados, mas mostra como um game pode desaparecer do mercado mesmo depois de conquistar público.

O mesmo problema atingiu jogos como Transformers: Devastation, Godzilla e Teenage Mutant Ninja Turtles: Mutants in Manhattan.

Com a distribuição digital, essa questão ganhou ainda mais importância. Diferentemente dos jogos físicos, que dependiam da quantidade de cópias disponíveis nas lojas, os títulos digitais podem permanecer acessíveis por tempo indeterminado — desde que os direitos necessários continuem válidos.

Quando a música vira um obstáculo

Os problemas não envolvem apenas personagens e marcas. Jogos musicais como Rock Band, Guitar Hero e Just Dance enfrentam uma dificuldade adicional: os direitos sobre as músicas utilizadas.

Para manter uma faixa em um jogo, é necessário lidar com artistas, bandas, gravadoras e contratos específicos. Quanto maior a quantidade de músicas licenciadas, maior também pode ser a complexidade para manter o conteúdo disponível.

A renovação dos acordos é uma possibilidade, mas pode deixar de fazer sentido financeiramente quando os custos superam o retorno obtido com as vendas ou com a manutenção do produto.

A estratégia adotada por Just Dance é apresentada como uma alternativa. Os lançamentos anuais permitem atualizar o catálogo e retirar versões anteriores, reduzindo parte do impacto causado pela necessidade de manter contratos antigos.

Ainda assim, a repetição de lançamentos sem mudanças significativas pode provocar outro problema: a perda de interesse do próprio público.

Crossovers aumentam a complexidade

Misturar diferentes universos também exige uma série de negociações. Cada personagem, marca, música ou elemento utilizado pode estar submetido a regras próprias.

Jogos como Project X Zone, Mortal Kombat vs. DC Universe, PlayStation All-Stars Battle Royale e Jump Force são exemplos de produções que reuniram personagens ou franquias distintas e ficaram sujeitas a acordos entre diferentes empresas.

Essa dependência pode afetar diretamente a longevidade dos títulos. Quanto mais propriedades intelectuais estão envolvidas, maior pode ser o número de contratos que precisam permanecer válidos para que o jogo continue disponível.

O caso das músicas de animes

Adaptações de animes apresentam outro nível de complexidade. As músicas utilizadas na obra original podem ter contratos diferentes daqueles necessários para sua inclusão em um game.

Uma faixa licenciada para uma série pode exigir outro acordo quando passa a fazer parte de um jogo distribuído em diferentes plataformas e mercados.

Por isso, algumas adaptações optam por criar trilhas sonoras próprias, evitando custos ou restrições relacionados às músicas originais.

Jogos baseados em Naruto, por exemplo, nem sempre utilizam as mesmas músicas presentes no anime, justamente por causa das diferenças envolvendo os direitos de uso.

Por que jogos licenciados podem desaparecer?

No fim, o principal risco não está necessariamente na qualidade do jogo. Um título pode ser bem recebido e ainda assim enfrentar dificuldades para permanecer disponível.

Custos de licenciamento, contratos com prazo determinado, direitos musicais, acordos entre empresas e decisões de localização podem influenciar o desempenho e a longevidade de uma produção.

É por isso que alguns jogos considerados marcantes acabam desaparecendo das lojas digitais anos depois do lançamento. A obra continua existindo, mas o público encontra dificuldades para comprá-la oficialmente.

Há exceções. O texto cita GTA 5 como exemplo de uma produção que conseguiu lidar de maneira particular com questões envolvendo licenciamento e retorno financeiro.

O cenário mostra que o sucesso de um jogo licenciado não depende apenas da força da franquia. É preciso equilibrar criatividade, custos, contratos e expectativas dos fãs, além de garantir que o produto consiga permanecer acessível depois do lançamento.

FAQ

Um jogo licenciado pode fazer sucesso e depois desaparecer?

Sim. O encerramento de contratos pode levar à retirada de um jogo das lojas digitais, mesmo que ele tenha tido bom desempenho comercial.

Por que músicas licenciadas dificultam a manutenção dos games?

Porque os direitos sobre músicas envolvem contratos específicos com artistas, bandas e gravadoras. A renovação desses acordos pode aumentar os custos de manutenção.

Crossovers tornam os jogos mais difíceis de manter?

Podem tornar. Quanto maior o número de marcas e propriedades intelectuais envolvidas, maior tende a ser a quantidade de acordos necessários para manter todos os elementos disponíveis.

Com informações de Diego Corumba.

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