Cientistas alertam no TEDxAmazonia que devastação e seca extrema ameaçam a maior máquina de chuva do planeta

Pesquisadoras destacam papel vital dos rios voadores na América do Sul e apontam riscos de colapso climático com avanço do desmatamento e aquecimento global.

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Cientistas alertam no TEDxAmazonia que devastação e seca extrema ameaçam a maior máquina de chuva do planeta
© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

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A Amazônia atua como a principal infraestrutura hídrica e a maior máquina de chuva do planeta, sendo responsável por bombear bilhões de litros de água para a atmosfera por meio de sua vegetação e espalhar vapor em forma de rios voadores por toda a América do Sul. Durante a última edição do TEDxAmazonia, realizada no final de agosto de 2025 no Equador, as pesquisadoras Marielos Peñaclaros e Julia Valentim Tavares detalharam como esse mecanismo invisível sustenta ciclos de água, nutrientes e carbono em escala local, regional e global. Contudo, as especialistas fizeram um alerta severo: a devastação provocada pelo desmatamento, pelas queimadas, pela mineração e pelo narcotráfico já compromete a conectividade da floresta e empurra o bioma perigosamente em direção ao ponto de não retorno.

Segundo Marielos Peñaclaros, copresidente do Painel Científico pela Amazônia entidade que reúne mais de 350 cientistas, os impactos da degradação ambiental e das mudanças climáticas já são mensuráveis, resultando em menor volume de chuvas, aumento das temperaturas e estações secas mais longas e intensas no Brasil e na Bolívia. A situação foi agravada em 2024 pela pior seca da história da Amazônia, impulsionada por um evento severo do fenômeno El Niño que afetou 88% da bacia hidrográfica. A falta de água em regiões distantes da floresta provocou desabastecimento hídrico em cidades como Bogotá, na Colômbia, e cortes no fornecimento de energia elétrica em Quito, no Equador, evidenciando que os impactos ambientais ultrapassam os limites territoriais do bioma.

Riscos de emissão de carbono e necessidade de transição energética urgente

Investigando os impactos diretamente na borda sul da Amazônia, conhecida como o arco do desmatamento, a pesquisadora Julia Valentim Tavares explicou que o estresse hídrico nas árvores danifica seus sistemas internos de condução de água, elevando o risco de morte vegetal por falha hidráulica. Com o agravamento das secas e a proliferação de incêndios florestais recordes, cuja fumaça alcançou até a Região Sudeste do país, a floresta perde a capacidade de atuar como sumidouro de carbono e passa a funcionar como emissor líquido de gases estufa. Diante da previsão de novos eventos extremos, as cientistas reforçam que a reversão desse quadro exige a diminuição drástica das emissões globais, investimentos em restauração ecológica e o combate implacável às atividades ilegais na região.

Perguntas frequentes

Qual entidade científica reúne mais de 350 pesquisadores dedicados a estudar o bioma amazônico?
O Painel Científico pela Amazônia.

Em qual país foi realizada a última edição do evento TEDxAmazonia no final de agosto?
No Equador.

Qual fenômeno natural de aquecimento das águas do Oceano Pacífico intensificou a seca histórica de 2024?
O El Niño.

Quais capitais sul-americanas sofreram com desabastecimento de água ou cortes de energia devido aos impactos climáticos?
Bogotá, na Colômbia, e Quito, no Equador.

Como é chamada pelos cientistas a região sul da floresta onde o volume de chuvas já diminuiu visivelmente na última década?
O arco do desmatamento.

 

Com informações de Tâmara Freire – Enviada Especial

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