Debate ao Senado em Rondônia pega fogo com embates diretos e discussões acaloradas

Encontro promovido pela TV Norte nesta sexta-feira foi mediado por Bárbara Mitoso e colocou frente a frente oito concorrentes às duas vagas em disputa para o Senado Federal.

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Candidatos ao Senado Federal por Rondônia participaram nesta sexta-feira, 11 de setembro, a partir das 10h, do debate promovido pela TV Norte, afiliada do SBT, na sede do Crea-RO. O evento contou com a apresentação e mediação da jornalista Bárbara Mitoso, que abriu a transmissão destacando a importância da Casa Alta em decisões fundamentais para o país, desde a elaboração de leis até a fiscalização do Poder Executivo e análise de indicações republicanas.

O debate reuniu Aires Mota, do PV; Bruno Bolsonaro Scheid, do PL; Dr. Fernando Máximo, do PL; Luciana Oliveira, do PT; Luis Fernando, do PSD; Mariana Carvalho, do Republicanos; Neidinha Suruí, do PSB; e Sílvia Cristina, do PP. Acir Gurgacz, do PDT, e o Engenheiro Thulio, da Missão, foram convidados, mas não compareceram, tendo suas cadeiras mantidas vazias durante todo o evento.

Infraestrutura, desenvolvimento e os impasses da BR-364

A discussão do primeiro bloco focou em infraestrutura, desenvolvimento e integração regional, com forte ênfase na situação da Rodovia BR-364. Aires Mota criticou o contrato de pedágio da rodovia, classificando-o como um erro monstruoso que prejudica a população, e apontou omissão da bancada federal por não tornar os detalhes transparentes. Para escoar a produção, defendeu a criação de um porto público e o aproveitamento da hidrovia do Madeira, além de insistir que Rondônia precisa manter relações institucionais com o presidente da República, independentemente de ideologias.

Mariana Carvalho também atacou a concessão, afirmando que o modelo atualbeneficiou a concessionária e gerou tarifas caras e insegurança na chamada rodovia da morte. Ela defendeu a duplicação total da via, tarifas justas e melhorias logísticas para apoiar os produtores rurais. Luciana Oliveira atribuiu a responsabilidade pela condução política da concessão a parlamentares da atual bancada alinhados ao oposicionismo, prometendo lutar pela revisão da tarifa em alinhamento com o governo federal.

Dr. Fernando Máximo destacou a necessidade de asfaltamento, pontes e integração regional, citando distritos isolados e a importância de expandir saneamento básico. Bruno Bolsonaro Scheid concentrou suas críticas no uso e na fiscalização dos recursos de emendas parlamentares, prometendo rigor absoluto para garantir que o dinheiro seja aplicado em benefício direto da população rondoniense. Neidinha Suruí cobrou atenção à infraestrutura de áreas rurais, assentamentos, reservas extrativistas e territórios indígenas, enquanto Luis Fernando enfatizou a necessidade de investimentos em estradas vicinais e repasses federais proporcionais às distâncias e ao potencial produtivo do estado.

Saúde pública e embates diretos entre os concorrentes

O setor de saúde motivou confrontos diretos e intensas trocas de acusações entre os participantes. Dr. Fernando Máximo, cirurgião e ex-secretário estadual de saúde, defendeu a retomada do programa Opera Rondônia para descentralizar cirurgias e a expansão de atendimento especializado para o interior. Ele responsabilizou gestões posteriores pela não continuidade do projeto de construção do novo Hospital João Paulo II e propôs parcerias com o governo estadual para zerar filas de espera.

Sílvia Cristina apresentou sua trajetória na área de saúde, afirmando ter prometido um hospital e entregado quatro, além de detalhar ações voltadas ao tratamento do câncer, exames de catarata e unidades móveis. Ela assumiu compromissos com a conclusão do novo João Paulo II e com a criação de estruturas especializadas para crianças autistas e com câncer. Mariana Carvalho também cobrou soluções para a saúde e lembrou ter destinado cerca de R$ 100 milhões em emendas quando deputada federal para o novo João Paulo II, verba que, segundo ela, permanece sem execução desde 2019.

Luciana Oliveira defendeu os investimentos e programas executados pela gestão federal na área médica, citando maternidades, centros de parto e unidades móveis, e criticou o uso político da pauta. Bruno Scheid rebateu as críticas afirmando que o papel central de um senador é fiscalizar o uso correto dos recursos e acusou o governo federal de conivência com facções criminosas. Neidinha Suruí questionou a eficácia das gestões passadas na saúde pública indígena e periférica, ao passo que Luis Fernando defendeu o fortalecimento da atenção básica, média e alta complexidade, além da ampliação de residências médicas no interior.

Educação, segurança pública, emprego e renda

No terceiro bloco, dedicado a educação, segurança pública, emprego e renda, o tom do debate subiu com debates acalorados sobre o sistema prisional e pautas legislativas. Dr. Fernando Máximo e Bruno Scheid defenderam o endurecimento das leis penais, apoio à castração química para estupradores, o fim das audiências de custódia e a redução da maioridade penal para jovens de 16 e 17 anos que cometerem crimes graves. Bruno Scheid intensificou os ataques ao Partido dos Trabalhadores e ao Supremo Tribunal Federal, gerando respostas firmes de Luciana Oliveira, que defendeu a educação pública, a valorização docente e criticou o legado de governos anteriores armamentistas.

Sílvia Cristina relatou sua experiência pessoal com a violência urbana lembrando o assassinato do pai quando ela tinha 19 anos e defendeu penas mais rígidas e inteligência policial contra facções. Neidinha Suruí destacou a importância da representatividade feminina na política, criticando ataques verbais a mulheres e propondo o turismo e a sociobioeconomia em terras indígenas como fontes de emprego e renda. Luis Fernando apresentou sua experiência como ex-secretário de Finanças, associando a queda no desemprego estadual à segurança jurídica, à melhoria da legislação, ao crédito facilitado e ao pagamento por serviços ambientais.

Considerações finais e recados ao eleitorado

Nas considerações finais, cada candidato teve um minuto para resumir suas principais bandeiras. Mariana Carvalho pediu votos focando na saúde, segurança e redução no custo de energia; Luciana Oliveira reafirmou seu compromisso com o presidente Lula e com a representação popular; Dr. Fernando Máximo enfatizou a necessidade de trabalho conjunto com uma equipe coesa alinhada ao grupo político estadual; Luis Fernando destacou sua capacidade técnica e administrativa; Aires Mota reforçou seu apelo contra a polarização ideológica e em prol do diálogo institucional; Neidinha Suruí pediu renovação com foco nas mulheres, na educação, na tecnologia e no meio ambiente; Bruno Scheid reiterou o combate frontal ao PT e às instituições que considera alinhadas à corrupção; e Sílvia Cristina encerrou destacando seu histórico de entregas na saúde pública e o compromisso de campanha. O pleito de 2026 definirá as duas cadeiras que representarão Rondônia no Senado Federal.

Confira o Debate na íntegra:

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