Ex-chefe de supervisão do Banco Central recebeu R$ 500 mil mensais de Vorcaro

Relatório divulgado pelo STF detalha repasses de meio milhão de reais, viagens internacionais de luxo e simulação de consultorias em esquema ligado ao Banco Master.

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Ex-chefe de supervisão do Banco Central recebeu R$ 500 mil mensais de Vorcaro
© Rovena Rosa/Agência Brasil

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A Polícia Federal identificou em um relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal que o ex-chefe do Departamento de Supervisão do Banco Central, Belline Santana, recebeu pagamentos recorrentes de 500 mil reais em troca do repasse de informações sigilosas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master. Mensagens interceptadas entre o operador financeiro Fabiano Zettel e o banqueiro revelam que ao menos um dos repasses atingiu a marca de 760 mil reais. O documento teve o sigilo parcialmente suspenso pelo ministro André Mendonça na noite de quinta-feira, dia 10 de setembro de 2026, revelando também que o servidor foi beneficiado com viagens internacionais de luxo, incluindo passeios custeados a Paris.

As investigações da corporação policial apontam que vantagens indevidas semelhantes foram direcionadas a Paulo Sérgio Neves de Souza, gerente adjunto do mesmo departamento de supervisão da autoridade monetária. Entre os benefícios identificados pela perícia constam o custeio de uma viagem familiar à Disney, nos Estados Unidos, além da aquisição atípica de um imóvel rural pertencente ao funcionário público. Conforme o inquérito da Operação Compliance Zero, a dupla atuava de forma integrada como consultora de Vorcaro, revisando documentos, promovendo reuniões privadas na residência do banqueiro e alinhando estratégias para blindar a instituição financeira das sanções regulatórias.

Defesa nega acusações e servidores afirmam ter arcado com custos próprios

Afastados preventivamente de suas funções institucionais no Banco Central, Belline Santana e Paulo Sérgio Souza negam veementemente qualquer envolvimento no vazamento de dados sigilosos ou na recepção de vantagens ilícitas. A defesa de ambos sustenta que há documentação comprobatória capaz de atestar que todas as despesas relacionadas a viagens e eventos sociais foram pagas estritamente com recursos próprios. O material probatório de 164 páginas segue sob análise dos ministros da Suprema Corte no âmbito dos desdobramentos judiciais do caso Master.

Perguntas frequentes

Qual foi o valor recorrente apontado pela Polícia Federal nos repasses ao ex-chefe do Banco Central?
Pagamentos frequentes de 500 mil reais, com registros de repasses de até 760 mil reais.

Quais servidores do Banco Central foram apontados no esquema de vazamento de informações?
Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza.

Quais benefícios de luxo foram identificados na investigação em favor dos servidores?
Viagens internacionais para Paris e para os parques da Disney, além de aquisição de imóvel rural.

Qual operação policial investiga as fraudes financeiras e a corrupção no Banco Master?
A Operação Compliance Zero.

Qual foi a posição adotada pelos servidores investigados diante das acusações da Polícia Federal?
Ambos negam o vazamento de sigilos e afirmam possuir provas de que arcaram com as próprias despesas.

 

Com informações de Felipe Pontes – Repórter da Agência Brasil

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