Especialista alerta para impactos da baixa visão infantil e defende intervenção precoce no desenvolvimento

Oftalmologista participante de congresso nacional em Salvador destaca principais causas, sinais de alerta e a importância de reabilitação multidisciplinar para crianças.

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Especialista alerta para impactos da baixa visão infantil e defende intervenção precoce no desenvolvimento
© Bruno Peres/Agência Brasil

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A saúde ocular na infância desempenha um papel determinante no desenvolvimento global da criança, englobando as esferas motora, cognitiva, comunicativa e social. O alerta foi emitido pela médica oftalmologista Maria de Fátima Neri durante a septuagésima edição do Congresso Brasileiro de Oftalmologia, evento realizado na cidade de Salvador e com encerramento previsto para o sábado, dia 12 de setembro de 2026. A especialista ressaltou que a perda visual precoce interfere de forma direta no aprendizado escolar e na autonomia, tornando essencial a intervenção célere para aproveitar o potencial da visão residual no planejamento de estratégias funcionais de adaptação.

Durante o evento científico, a médica pontuou que a baixa visão infantil vai muito além da simples redução da acuidade visual mensurada em consultórios. Segundo a profissional, o quadro compromete diretamente a exploração do ambiente, a comunicação e a interação da criança com o mundo ao seu redor. Dentre as principais causas mapeadas pela medicina especializada estão a prematuridade, a catarata e o glaucoma congênitos, anomalias no nervo óptico, o albinismo, retinopatias associadas a infecções como toxoplasmose e sífilis, além de deficiências visuais de origem cortical ou cerebral e doenças neurológicas variadas.

Sinais de alerta e a importância de uma rede de apoio multidisciplinar no tratamento

A identificação precoce de alterações visuais exige atenção redobrada dos pais e responsáveis a sinais característicos no dia a dia. Entre os principais indicativos de que a criança pode apresentar comprometimentos estão a dificuldade em fixar os olhos ou acompanhar o movimento de objetos, a mania de aproximar excessivamente brinquedos e livros do rosto, quedas frequentes, a fotofobia intensa e a apatia ou atraso no desenvolvimento sem causa clínica aparente. Questionar como o pequeno se comporta em diferentes condições de iluminação e se consegue reconhecer rostos familiares ajuda a subsidiar o diagnóstico médico especializado.

O trabalho terapêutico recomendado nesses casos envolve uma abordagem ampla e integrada, reunindo estimulação visual funcional, uso de recursos ópticos e tecnologia assistiva, orientação e mobilidade, além de acompanhamento com profissionais de fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional e pedagogia. A especialista reforça que encaminhar precocemente um paciente pediátrico com baixa visão não se resume a tratar uma patologia ocular isolada, mas sim a blindar o desenvolvimento cognitivo e garantir a autonomia e o futuro da criança na sociedade.

Perguntas frequentes

Qual evento oftalmologista nacional reuniu especialistas para debater a visão na infância?
O septuagésimo Congresso Brasileiro de Oftalmologia, realizado em Salvador.

Quais são algumas das principais causas de baixa visão em crianças apontadas no evento?
Catarata congênita, glaucoma congênito, prematuridade e retinopatias por infecções.

Como a baixa visão afeta o desenvolvimento global do paciente infantil?
Compromete a aprendizagem, a exploração do ambiente, a autonomia e as habilidades motoras.

Quais são alguns dos principais sinais de alerta observados no comportamento da criança?
Dificuldade em fixar o olhar, aproximação excessiva de objetos e tropeços frequentes.

Quais áreas profissionais participam do processo de reabilitação e habilitação visual?
Fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional, pedagogia, entre outras.

 

Com informações de Paula Laboissière – Enviada especial*

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