CBO orienta frequência de consultas oftalmológicas para cuidar da visão

Documento divulgado pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia reúne recomendações por idade e fatores de risco para prevenir perdas visuais.

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CBO orienta frequência de consultas oftalmológicas para cuidar da visão

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  • O CBO divulgou em seu 70º congresso documento que orienta a frequência ideal de consultas oftalmológicas por faixa etária, recomendando acompanhamento periódico mesmo sem sintomas.
  • As orientações incluem exames específicos desde o teste do reflexo vermelho em recém-nascidos, consultas completas na infância e adolescência, reavaliações periódicas em adultos e consultas anuais a partir dos 40 anos e na velhice.
  • O documento destaca acompanhamento mais frequente para grupos de risco, como pessoas com diabetes, miopia, prematuridade, uso de lentes de contato, corticoides e certos medicamentos, reforçando que a maioria dos casos de baixa visão é evitável ou tratável com diagnóstico precoce.

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação do News Rondônia

O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) divulgou nesta quinta-feira (10) um documento com orientações sobre a frequência ideal de consultas oftalmológicas ao longo da vida. O material foi apresentado durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, realizado em Salvador (BA), e considera a idade, doenças crônicas, histórico familiar e outros fatores de risco.

Segundo o CBO, a consulta periódica com o médico oftalmologista é importante mesmo quando não existem sintomas. A avaliação pode identificar doenças que evoluem de forma silenciosa e, quando não tratadas precocemente, podem provocar perda visual irreversível.

As recomendações apresentadas são referências mínimas para pessoas sem doença ocular diagnosticada e sem fatores de risco. O intervalo pode ser reduzido de acordo com a avaliação individual do oftalmologista.

Qual a frequência recomendada por idade?

Para recém-nascidos, o CBO recomenda o teste do reflexo vermelho nas primeiras 72 horas de vida ou antes da alta da maternidade. Caso o resultado apresente alteração, o bebê deve ser encaminhado com urgência ao especialista.

Entre 0 e 36 meses, o teste deve ser repetido nas consultas de puericultura, pelo menos três vezes ao ano nos três primeiros anos, acompanhado da avaliação do desenvolvimento visual, fixação e alinhamento dos olhos.

A primeira consulta oftalmológica completa é recomendada entre 6 e 12 meses, para identificar e tratar precocemente possíveis alterações no desenvolvimento visual.

Entre 3 e 5 anos, a orientação é realizar ao menos uma consulta oftalmológica completa, preferencialmente antes da alfabetização. O exame inclui avaliação da função visual, motilidade e alinhamento ocular, refração sob cicloplegia e exame de fundo de olho com dilatação.

Na idade escolar e adolescência, até os 18 anos, o CBO recomenda reavaliação periódica, com avaliação oftalmológica completa entre 12 e 18 anos. O período merece atenção devido à instalação e progressão da miopia.

Para adultos até 39 anos, a orientação é manter avaliações periódicas mesmo na ausência de sintomas, já que doenças oculares podem surgir sem manifestações clínicas.

A partir dos 40 anos, a recomendação é de consulta anual. Entre os motivos está o aumento da prevalência do glaucoma e o surgimento progressivo da presbiopia.

Para pessoas idosas, o acompanhamento deve ser anual, no mínimo, com atenção reforçada para doenças como catarata, glaucoma e degeneração macular relacionada à idade.

Diabetes exige acompanhamento especial

Pessoas com diabetes precisam de acompanhamento oftalmológico mais frequente. De acordo com o CBO, cerca de 50% dos portadores da doença desenvolverão algum grau de retinopatia diabética, proporção que pode chegar a aproximadamente 80% após 25 anos de diabetes.

A recomendação é realizar avaliação com as pupilas dilatadas desde o diagnóstico e manter acompanhamento regular, sem esperar o surgimento de alterações na visão. Gestantes com diabetes precisam de acompanhamento específico.

Também exigem atenção pessoas com histórico familiar de glaucoma ou de outras doenças oculares, como ceratocone, distrofias corneanas e retinose pigmentar.

Miopia, prematuridade e lentes de contato

Crianças com miopia devem ser acompanhadas, em geral, a cada 12 meses. Nos casos em que a condição não esteja controlada, o intervalo recomendado pelo documento pode ser reduzido para seis meses.

A miopia também está associada a maior risco de complicações oculares, como deslocamento de retina, glaucoma e degeneração macular miópica.

Bebês prematuros que tenham peso igual ou inferior a 1.500 gramas ou idade gestacional igual ou inferior a 32 semanas precisam de rastreamento para retinopatia da prematuridade nas primeiras semanas de vida, com acompanhamento continuado.

Já usuários de lentes de contato devem realizar acompanhamento pelo menos anual. O intervalo pode ser menor quando houver suspeita de alterações na córnea, mudança refracional ou redução da acuidade visual.

O CBO também recomenda vigilância para pessoas que utilizam corticoides, especialmente colírios e pomadas oftálmicas, e para usuários de agonistas do receptor GLP-1. Hipertensão, doenças reumatológicas e autoimunes e medicamentos com potencial de toxicidade ocular também podem exigir acompanhamento específico.

Exame oftalmológico começa na infância

O documento destaca que os cuidados com a visão começam ainda na maternidade. O teste do reflexo vermelho pode auxiliar na identificação de alterações como catarata e glaucoma congênitos, opacidades da córnea, tumores intraoculares, inflamações importantes e hemorragias intravítreas.

Na infância, erros de refração não corrigidos estão entre as principais causas de deficiência visual e podem interferir no desempenho escolar e na socialização.

O CBO também chama atenção para a ambliopia, conhecida popularmente como “olho preguiçoso”, que pode ser prevenida ou tratada quando identificada precocemente.

Maioria dos casos de baixa visão é evitável ou tratável

Segundo dados internacionais compilados pelo CBO, grande parte dos casos de baixa visão pode ser revertida, especialmente quando relacionados à catarata e aos erros refracionais.

No Brasil, o conselho estima cerca de 1,5 milhão de pessoas cegas. O envelhecimento da população é apontado como um dos fatores que podem contribuir para o crescimento desse contingente, já que catarata, glaucoma, retinopatia diabética e degeneração macular relacionada à idade estão entre as principais causas de cegueira no país.

O CBO reforça ainda que o atendimento oftalmológico deve ser realizado por médico especialista e em estabelecimentos que atendam às exigências sanitárias e estruturais da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A recomendação central do documento é que a avaliação não seja procurada apenas quando surgir uma queixa visual. O acompanhamento periódico permite identificar alterações antes que os danos à visão se tornem irreversíveis.

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