Uso prolongado de telas pode causar dores no pescoço e nas mãos

Postura inadequada, movimentos repetitivos e falta de pausas podem sobrecarregar músculos e articulações; ortopedista orienta como prevenir dores e lesões.

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Uso prolongado de telas pode causar dores no pescoço e nas mãos

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O uso prolongado de celulares, tablets, computadores e videogames pode favorecer dores no pescoço, nos ombros, nos punhos e nos dedos. O risco está relacionado não apenas ao tempo diante das telas, mas também à postura adotada, à repetição de movimentos e à falta de pausas durante as atividades.

O problema pode atingir crianças, adolescentes e adultos, já que os dispositivos estão presentes na rotina de estudos, trabalho e lazer. Entre as queixas associadas ao uso intenso estão dores musculares, sobrecarga da coluna cervical, inflamações dos tendões e formigamentos que podem estar relacionados à compressão de nervos.

Segundo Fábio Pimentel, ortopedista e professor da Afya Cruzeiro do Sul, permanecer por muito tempo na mesma posição e repetir movimentos sem descanso são fatores que podem contribuir para a sobrecarga muscular e articular.

Quais problemas o uso excessivo de telas pode provocar?

Um dos problemas associados ao uso frequente do celular é a chamada “síndrome do pescoço de texto”, expressão utilizada para descrever o desconforto relacionado à inclinação prolongada da cabeça para olhar a tela. A posição pode aumentar a sobrecarga sobre a região cervical e favorecer dores no pescoço e nos ombros.

As mãos e os punhos também podem ser afetados. Digitar por longos períodos, segurar o celular durante muito tempo e repetir movimentos com os polegares, especialmente em jogos eletrônicos, pode contribuir para dores e problemas nos tendões.

A permanência prolongada em posições inadequadas também pode causar tensão muscular. Em alguns casos, podem surgir formigamento, limitação de movimentos e redução da força, sintomas que merecem atenção.

Quando procurar avaliação médica?

A dor persistente não deve ser ignorada, principalmente quando interfere nas atividades diárias ou vem acompanhada de outros sintomas.

Fábio Pimentel recomenda procurar avaliação médica quando o incômodo dura vários dias, piora durante o uso dos dispositivos, limita os movimentos, provoca formigamento ou perda de força, ou desperta a pessoa durante a noite.

“Quando a dor persiste por vários dias, piora durante o uso do aparelho, limita movimentos, vem acompanhada de formigamento ou perda de força, ou ainda desperta a pessoa durante a noite, é recomendável procurar avaliação médica. Nessas situações, o incômodo não deve ser tratado apenas como algo passageiro”, orienta o ortopedista.

Como evitar dores causadas pelas telas?

Não existe um limite universal de tempo de uso contínuo que seja adequado para todas as pessoas. Uma medida prática é fazer pausas a cada 30 a 60 minutos, levantando-se, caminhando por alguns minutos e movimentando suavemente o pescoço, os ombros, os punhos e as mãos.

Outros cuidados ajudam a reduzir a sobrecarga durante o uso dos dispositivos:

  • Posicione a tela na altura dos olhos: isso ajuda a evitar que a cabeça permaneça inclinada para a frente por muito tempo.
  • Apoie os braços: sempre que possível, mantenha os braços apoiados e os punhos em uma posição confortável.
  • Alterne as atividades: evite repetir os mesmos movimentos por períodos prolongados sem descanso.
  • Faça pausas regulares: levante-se, caminhe e mude de posição ao longo do dia.
  • Pratique atividade física: inclua movimento na rotina e reserve períodos para atividades longe das telas.

Também é importante evitar ficar sentado por várias horas sem apoio adequado para as costas ou manter os punhos excessivamente dobrados ao segurar o celular e utilizar controles de videogame.

Alongamentos podem ajudar?

Movimentos leves podem contribuir para aliviar a tensão muscular. Entre as opções estão inclinações suaves do pescoço, alongamentos dos punhos e movimentos de abrir e fechar as mãos.

Os exercícios devem ser realizados sem provocar dor. Se houver desconforto persistente ou piora dos sintomas, a orientação é buscar avaliação profissional em vez de insistir nos movimentos.

O uso intenso dos dispositivos também exige atenção durante o crescimento. Para crianças e adolescentes, alternar o tempo de tela com atividade física, descanso e outras formas de lazer ajuda a diversificar a rotina e a evitar longos períodos na mesma posição.

A recomendação central do ortopedista é buscar equilíbrio no uso da tecnologia. As telas fazem parte do cotidiano, mas pausas frequentes, postura adequada e movimento são medidas importantes para reduzir a sobrecarga sobre músculos, tendões e articulações.

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