Zanin diz que não dá para investigar Moraes sem julgar atos de Mendonça

Ministro vota a favor de questão de ordem e sustenta que validação de investigação contra Alexandre de Moraes exige exame de suspeição de André Mendonça.

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Zanin diz que não dá para investigar Moraes sem julgar atos de Mendonça
© Alejandro Zambrana/STF

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O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, afirmou formalmente nesta terça-feira, dia 15 de setembro de 2026, que não é possível autorizar a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, por sua suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, sem antes examinar a legalidade das medidas adotadas pelo relator original do caso do Banco Master, o ministro André Mendonça. A manifestação ocorreu durante a votação de uma questão de ordem apresentada pela manhã pelo decano Gilmar Mendes, que pediu a inclusão na pauta das supostas irregularidades cometidas por Mendonça. Ao debater o tema com o presidente da Corte, Edson Fachin, Zanin destacou que as controvérsias estão diretamente conectadas e que ignorar a ordem processual representaria uma grave distorção jurídica.

Segundo o magistrado, admitir o julgamento de uma autorização de investigação sem verificar a eventual suspeição do relator anterior configuraria uma inversão lógica dos atos processuais. O voto de Cristiano Zanin somou-se aos posicionamentos de Flávio Dino e Alexandre de Moraes, consolidando a maioria parcial favorável à questão de ordem no plenário. Enquanto o presidente Edson Fachin defendia a separação dos julgamentos em datas distintas, a maioria dos ministros passou a cobrar uma tramitação conjunta para pacificar os conflitos gerados pelo vazamento de relatórios e mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro no âmbito das investigações.

Crise institucional e desdobramentos das apurações da Polícia Federal

A crise institucional no Supremo Tribunal Federal ganhou forte repercussão desde o dia 1 de setembro de 2026, quando o sigilo de documentos da Operação Compliance Zero foi levantado. O material reuniu dezenas de mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e direcionadas a Alexandre de Moraes, mencionando transações financeiras e consultas sobre operações policiais ocorridas até a prisão preventiva do ex-banqueiro, em 17 de novembro do ano passado. A Procuradoria-Geral da República também interveio no processo, exigindo a anulação do relatório parcial por entender que a condução inicial avançou sobre um magistrado da Corte sem a devida autorização do plenário.

A votação da questão de ordem prossegue no tribunal para definir o rito e a data definitiva em que os pedidos cruzados de investigação serão apreciados pelo colegiado. A expectativa é de que a decisão pacifique as divergências regimentais e estabeleça diretrizes claras para a atuação dos ministros diante de investigações que envolvem membros da própria cúpula do Poder Judiciário brasileiro.

Perguntas frequentes

Qual foi a principal tese defendida pelo ministro Cristiano Zanin durante a sessão?
Que não se pode autorizar investigação sem analisar a legalidade e a eventual suspeição do relator anterior.

Quem apresentou a questão de ordem avaliada pelos ministros do Supremo Tribunal Federal?
O decano Gilmar Mendes.

Quais ministros votaram favoravelmente à questão de ordem no plenário?
Flávio Dino, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes.

Qual é o nome da operação policial que originou os relatórios com mensagens investigadas?
Operação Compliance Zero.

Até que data o ex-banqueiro Daniel Vorcaro permaneceu sob prisão preventiva após sua captura?
Até 17 de novembro de 2025.

 

Com informações de Pedro Rafael Vilela – Repórter da Agência Brasil

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