Celso Amorim e oposição divergem na Câmara sobre atritos diplomáticos entre Brasil e Estados Unidos

Assessor especial da presidência defendeu a soberania nacional em comissão no Congresso, enquanto parlamentares criticaram a postura do governo federal frente à Casa Branca.

Publicado em

Celso Amorim e oposição divergem na Câmara sobre atritos diplomáticos entre Brasil e Estados Unidos
© Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

Compartilhe esta notícia:

Nos siga no Google News
  • Em audiência na Comissão de Relações Exteriores da Câmara em 12 de agosto, Celso Amorim e parlamentares da oposição divergiram sobre os recentes atritos diplomáticos entre Brasil e Estados Unidos.
  • Amorim afirmou que tarifas e pressões econômicas impostas por Washington têm motivação política, relativizam a soberania latino-americana e defendeu a suspensão de credenciais diplomáticas até o pleito de outubro.
  • Parlamentares da oposição criticaram um suposto alinhamento anti-ocidental do governo Lula e houve forte debate sobre a classificação, pelos EUA, de facções criminosas brasileiras como grupos terroristas, vista pelo Planalto como risco de interferência externa.

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação do News Rondônia

O assessor especial da presidência da República, embaixador Celso Amorim, e parlamentares da oposição divergiram acirradamente durante audiência na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados realizada nesta quarta-feira, 12 de agosto. O debate girou em torno dos atritos recentes nas relações bilaterais entre o Brasil e os Estados Unidos, abordando temas sensíveis como tarifas comerciais, vistos diplomáticos e a classificação de facções criminosas como organizações terroristas pela gestão de Donald Trump.

Durante sua exposição, Amorim argumentou que as pressões econômicas e o recente tarifaço imposto pelos Estados Unidos possuem motivações políticas voltadas a subordinar a América Latina aos interesses norte-americanos. O diplomata criticou um vídeo divulgado pela diplomacia dos EUA que relativizaria a soberania dos países latino-americanos e reafirmou que o governo do presidente Lula não aceitará medidas unilaterais ou constrangimentos externos.

Contraposições da oposição e Vistos Diplomáticos

Em contrapartida, deputados da oposição responsabilizaram a atual gestão federal pelo agravamento das tensões diplomáticas. O presidente da comissão, deputado Luiz Philippe de Orléans e Bragança, afirmou que a condução externa do país priorizou um alinhamento anti-ocidental no bloco dos Brics em detrimento do pragmatismo comercial. Parlamentares também cobraram a liberação do visto diplomático para o indicado norte-americano ao cargo de embaixador no Brasil, Daniel Pérez, cujo impasse levou Washington a revogar o visto da representante brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti.

O presidente Lula tem sido firme em reiterar que não aceitaremos que medidas unilaterais sejam utilizadas como pretexto para relativizar a soberania nacional ou impor constrangimentos econômicos para o nosso país, destacou Celso Amorim.

Sobre o tema dos vistos, Amorim explicou que o governo decidiu suspender a concessão de credenciais diplomáticas a representantes estrangeiros de qualquer nacionalidade até o pleito de outubro, classificando o anúncio antecipado do nome indicado pelos EUA sem o aceite prévio do Itamaraty como um procedimento inadequado frente aos tratados internacionais.

Classificação de facções como terroristas

Outro ponto central do debate foi a decisão norte-americana de classificar facções criminosas brasileiras como grupos terroristas. Para o Planalto, a medida pode servir de pretexto para interferências externas ou intervenções militares na região. O deputado General Girão defendeu a medida e sugeriu que há receio de que forças especiais estrangeiras atuem no combate ao crime no território nacional.

Em resposta, Amorim enfatizou que o combate à criminalidade é uma atribuição exclusiva do Estado brasileiro e rejeitou qualquer subordinação da soberania a potências estrangeiras, sejam os Estados Unidos, a China ou a Rússia, pontuando que o país possui total capacidade institucional para enfrentar as organizações criminosas de forma autônoma.

Perguntas Frequentes

Qual foi o argumento central de Celso Amorim sobre os atritos com os Estados Unidos?

O assessor especial afirmou que as ações e tarifas impostas pela Casa Branca têm motivação política e buscam relativizar a soberania dos países latino-americanos.

Quais críticas foram levantadas pelos parlamentares da oposição?

A oposição argumentou que a postura do governo brasileiro demonstra um alinhamento anti-ocidental e cobrou a liberação de vistos diplomáticos para o novo embaixador indicado pelos EUA.

Qual é a posição do governo brasileiro sobre a classificação de facções criminosas como terroristas por Washington?

O Planalto criticou a decisão por enxergar riscos de que o rótulo seja utilizado geopoliticamente como pretexto para intervenções externas, reforçando que o combate ao crime organizado é competência exclusiva do Brasil.

 

Com informações de Lucas Pordeus León – Repórter da Agência Brasil

NEWS QUE VOCÊ VAI QUERER LER

DESTAQUE NEWS

EMPREGOS E CONCURSOS

POLÍTICA

POLÍCIA

ÚLTIMAS NOTÍCIAS