Especialista aponta risco de ação militar secreta dos EUA no Brasil após classificação de facções

Promotor do MP-SP alerta que designação de PCC e CV como grupos terroristas pelos EUA pode prejudicar cooperação e ameaçar soberania nacional.

Fonte: g1 - 20

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Especialista aponta risco de ação militar secreta dos EUA no Brasil após classificação de facções
REUTERS/Evan Vucci

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A classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos, anunciada pelo Departamento de Estado na última quinta-feira (28), gerou forte reação de especialistas em segurança pública. Para o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO/MP-SP), a medida é grave e pode trazer sérios problemas ao Brasil, sem oferecer benefícios práticos para o combate ao crime organizado no país.

Prejuízo na inteligência e cooperação

O principal temor de autoridades e analistas reside na mudança de competência das operações americanas. Atualmente, o combate ao narcotráfico é conduzido por agências como o FBI e o DEA, que mantêm protocolos de troca de informações com as forças de segurança brasileiras. Com a nova classificação, as ações passam para a tutela da CIA e do Departamento de Guerra dos EUA.

Segundo Gakiya, essa alteração impõe uma camada de sigilo absoluto sobre os dados, o que deve dificultar ou até inviabilizar a cooperação investigativa. “Provavelmente nós vamos ter um decréscimo e um prejuízo na troca de informações”, afirmou o promotor em entrevista ao podcast O Assunto. A preocupação estende-se ao risco de ações militares unilaterais, conforme a estratégia “paz por meio da força” adotada pelo governo de Donald Trump, que prevê a possibilidade de ataques diretos contra o que Washington denomina como “narcoterrorismo” em qualquer ponto das Américas.

Impactos no sistema financeiro

Outro ponto crítico é a vulnerabilidade do sistema financeiro nacional. Como as facções utilizam estruturas complexas de lavagem de dinheiro, que incluem desde postos de combustíveis até fintechs integradas ao sistema bancário regular, a nova classificação pode resultar em sanções amplas. Especialistas alertam que instituições financeiras que transacionaram recursos indiretamente ligados a esses grupos podem ser alvo de punições severas, afetando a estabilidade e a reputação do mercado brasileiro perante os Estados Unidos.

A designação coloca o Brasil em um cenário de pressão diplomática e militar, alinhado à nova estratégia de política externa dos EUA de reafirmar sua predominância no Hemisfério Ocidental. O governo brasileiro, que não foi formalmente avisado da decisão, avalia que o rótulo de terrorismo serve como pretexto para intervenções externas, contrariando a tese de que a legislação interna brasileira já oferece instrumentos suficientes para o endurecimento das penas contra os integrantes das facções.

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