Dívida pública dos Estados Unidos supera quarenta trilhões de dólares e acende debate entre economistas

Crescimento expressivo do endividamento norte-americano é impulsionado por cortes de impostos, gastos militares, alta de juros e pressões inflacionárias, mas especialistas descartam risco de insolvência.

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Dívida pública dos Estados Unidos supera quarenta trilhões de dólares e acende debate entre economistas
© REUTERS/Gary Cameron/Proibida reprodução

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  • A dívida pública dos Estados Unidos ultrapassou 40 trilhões de dólares, impulsionada por cortes de impostos para os mais ricos, inflação ligada a conflitos no Oriente Médio, tarifas de importação e elevados gastos militares.
  • Os juros da dívida chegaram a cerca de 1,1 trilhão de dólares, mais que o dobro de 2021, em parte devido à inflação e ao chamado risco Trump, associado a medidas econômicas e comerciais imprevisíveis.
  • Economistas afirmam que não há risco de insolvência, mas apontam a baixa carga tributária de cerca de 25% do PIB, abaixo da média de 34% da OCDE, e as recentes desonerações para os mais ricos como fatores que agravam o déficit futuro.

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação do News Rondônia

A dívida pública dos Estados Unidos ultrapassou a marca histórica de quarenta trilhões de dólares, impulsionada por fatores como reduções de impostos voltadas para as camadas de maior renda, pressões inflacionárias decorrentes de conflitos geopolíticos no Oriente Médio e tarifas de importação adotadas pela gestão de Donald Trump. O cenário também reflete a manutenção de elevados gastos militares, próximos a um trilhão de dólares, e o encarecimento do serviço da dívida, cujos juros atingiram um trilhão cento e bilhão de dólares, mais que o dobro do registrado em dois mil e vinte e um.

Especialistas consultados apontam que o aumento expressivo dos juros pagos aos títulos do Tesouro norte-americano decorre tanto da inflação quanto do chamado risco Trump, caracterizado por medidas imprevisíveis que geram incertezas nos mercados globais e tensões comerciais, a exemplo de disputas tarifárias recentes com o Canadá. Apesar da cifra bilionária que dobrou desde dois mil e dezessete, economistas descartam qualquer risco iminente de insolvência do país.

Solvência e fatores estruturais da dívida

Segundo analistas, o patamar elevado da dívida não compromete a capacidade de pagamento do governo norte-americano, uma vez que os Estados Unidos emitem a própria moeda e mantêm o dólar como a principal reserva monetária global. O professor do Instituto de Economia da Unicamp, Pedro Paulo Zahluth Bastos, pontua que dois terços dos títulos estão em mãos domésticas e bilhões pertencem ao próprio Federal Reserve (Fed), o banco central do país. O economista Pedro Faria, do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da UFMG, reforça que o endividamento deve ser analisado no contexto das demais economias desenvolvidas, que registram déficits recorrentes desde dois mil e oito.

No entanto, especialistas destacam que o problema central reside na arrecadação insuficiente e na estrutura tributária do país. A carga tributária norte-americana permanece em torno de vinte e cinco por cento do Produto Interno Bruto (PIB), abaixo da média de trinta e quatro por cento observada entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A aprovação recente de novas desonerações fiscais para os mais ricos intensificou o déficit projetado para a próxima década, concentrando renda e transferindo recursos públicos para detentores de títulos públicos por meio do pagamento de juros.

FAQ

Quais foram os principais fatores que levaram a dívida dos Estados Unidos a quarenta trilhões de dólares?
O endividamento foi impulsionado por cortes de impostos para a alta renda, inflação ligada ao conflito no Oriente Médio, tarifas de importação, despesas militares bilionárias e a alta acentuada nos gastos com o pagamento de juros da dívida.

Existe risco de calote ou insolvência por parte do governo norte-americano?
Não. Economistas afirmam que os Estados Unidos não correm risco de quebrar, pois emitem sua própria moeda, controlam o principal ativo de reserva global e contam com forte demanda interna e externa por seus títulos soberanos.

O que os especialistas definem como risco Trump?
Trata-se do impacto da política econômica e externa da Casa Branca, marcada por medidas comerciais agressivas e imprevisíveis que aumentam as incertezas no mercado financeiro e pressionam para cima os juros exigidos pelos investidores em títulos de longo prazo.

 

Com informações de Lucas Pordeus León – Repórter da Agência Brasil

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