Contas externas do Brasil registram déficit de US$ 6 bilhões em março

Resultado negativo é o dobro do registrado no mesmo período de 2025; segundo o Banco Central, saldo foi impactado pelo aumento das importações e remessas de lucros ao exterior.

Fonte: Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil - 20

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Contas externas do Brasil registram déficit de US$ 6 bilhões em março
© Valter Campanato/Agência Brasil

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As contas externas brasileiras fecharam o mês de março com um déficit de US$ 6,036 bilhões, conforme dados divulgados nesta sexta-feira (24) pelo Banco Central (BC). O valor representa um aumento expressivo em relação a março de 2025, quando o saldo negativo foi de US$ 2,930 bilhões. As transações correntes, que englobam o comércio de bens, serviços e transferências de renda com outros países, voltaram a crescer após três meses consecutivos de redução.

No acumulado de 12 meses encerrados em março, o déficit totalizou US$ 64,274 bilhões, o equivalente a 2,71% do Produto Interno Bruto (PIB). Apesar do aumento mensal, o cenário de longo prazo mostra uma melhora na comparação interanual, já que em março do ano passado o rombo acumulado chegava a 3,47% do PIB. A piora pontual em março deste ano foi puxada pela redução no superávit da balança comercial e pelo aumento nos gastos com serviços e renda primária.

Investimentos estrangeiros garantem financiamento

Embora o saldo das transações correntes tenha sido negativo, o Banco Central destacou que o país segue financiando suas contas com capitais de longo prazo. O Investimento Direto no País (IDP) somou US$ 6,037 bilhões em março, cobrindo tecnicamente o déficit do período. O IDP é considerado a melhor forma de financiamento, pois os recursos são aplicados diretamente no setor produtivo nacional, indicando confiança dos investidores estrangeiros na economia brasileira.

Por outro lado, o mercado financeiro registrou uma retirada líquida de US$ 2,867 bilhões em investimentos em carteira, principalmente em títulos de dívida. As reservas internacionais do Brasil também sofreram uma redução de US$ 9,072 bilhões em comparação ao mês anterior, atingindo o estoque de US$ 362,002 bilhões. O BC informou que continuará monitorando os fluxos para garantir a estabilidade do setor externo diante da volatilidade global.

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