Em nota, oftalmologistas recomendam acompanhamento médico a quem usa canetas emagrecedoras

Conselho Brasileiro de Oftalmologia esclarece que não há recomendação de suspender os medicamentos, após suspeitas de NOIA-NA em pacientes que os usam, mas considera importante manter consultas e exames regulares.

Fonte: Francisco Rodrigo

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Em nota, oftalmologistas recomendam acompanhamento médico a quem usa canetas emagrecedoras
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O Conselho Brasileiro de Oftalmologia, maior entidade representativa da especialidade no país, divulgou uma nota à população sobre o uso das chamadas canetas emagrecedoras e sua repercussão na saúde ocular. O posicionamento ocorre após relato da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre 13 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIA-NA) em pacientes que utilizavam esses medicamentos para controle do diabetes e perda de peso.

A entidade esclarece que a associação entre as substâncias e a saúde dos olhos carece de estudos e evidências científicas robustos, mas recomenda, como forma de prevenir eventuais riscos, que quem faz uso dos medicamentos mantenha acompanhamento oftalmológico, com consultas e exames regulares. O objetivo é detectar precocemente qualquer alteração na visão.

Até o momento, estudos apresentam resultados contraditórios. “Não se conhece o mecanismo por trás dessa possível associação. Há estudos indicando a associação e estudos que não mostram esses resultados. Mesmo se essa associação seja comprovada, os estudos sugerem que o risco continua sendo muito baixo”, diz Mauro Goldbaum, secretário geral do CBO.

Segundo o CBO, as canetas, que pertencem à classe dos agonistas do GLP-1, como a semaglutida e a tirzepatida, devem ser usadas apenas com indicação médica, com retenção de receita. A entidade ressalta que a prescrição precisa se basear em benefícios potenciais importantes, como o maior controle dessas condições, o que reduz o risco de eventos cardiovasculares graves, como infarto e derrame cerebral.

NOIA-NA – A neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIA-NA) é uma doença rara, que causa perda visual aguda com defeito de campo visual. Segundo Goldbaum, “o quadro é semelhante a um infarto, mas afeta apenas o nervo óptico, responsável por levar ao cérebro a informação captada pelo olho, onde ela será interpretada”, explica.

Segundo o CBO, em nota, trata-se de uma condição grave, que muitas vezes pode levar à perda visual irreversível. A doença ocorre quando falta circulação de sangue no disco óptico, região onde o nervo deixa o olho. Sem oxigênio suficiente, as fibras nervosas sofrem lesão, e a visão é afetada. Os principais fatores de risco para a NOIA-NA são hipertensão arterial sistêmica, diabetes tipo 2, tabagismo, hiperlipidemia, obesidade, escavação pequena do disco óptico, drusa de papila e uso de medicamentos.

O CBO conclui sua manifestação lembrando que essa situação reforça a necessidade de avaliação contínua das evidências científicas. “A entidade permanece atenta ao tema e disponível para contribuir com ações individuais ou coletivas que tragam maior segurança à população”, encerra a entidade, no documento.

CONFIRA, A SEGUIR, A NOTA NA ÍNTEGRA:

SEGURANÇA DO PACIENTE

Uso de medicamentos como semaglutida ou tirzepatida exige acompanhamento oftalmológico

Diante do relato da Agência Nacional de Vigilância em Saúde (Anvisa) de 13 notificações de suspeita de casos de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIA-NA) em pacientes que usavam canetas da classe dos agonistas do GLP-1, indicadas para diabetes e obesidade, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), maior entidade representativa da especialidade no país, esclarece os seguintes pontos:

1. Os agonistas do GLP-1 devem ser utilizados sob indicação médica, com retenção de receita. A indicação da substância deve ser baseada em benefícios potenciais importantes, como maior controle de diabetes e obesidade, diminuindo o risco de eventos cardiovasculares graves, como infarto cardíaco e derrame cerebral.

2. Apesar das notificações de suspeitas de NOIA-NA, não há uma recomendação atual para suspender o uso de agonistas do GLP-1, mas sugere-se a discussão com seu médico e eventual avaliação oftalmológica para decidir qual a melhor conduta para cada caso.

3. A neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIA-NA) é uma doença rara, que causa perda visual aguda com defeito de campo visual. É como se fosse um processo semelhante a um infarto, mas que afeta apenas o nervo óptico, que é responsável por levar a informação que o olho capta para o cérebro onde será interpretada. A NOIA-NA é uma doença grave que, muitas vezes, pode levar a perda visual irreversível.

4. Os principais fatores de risco conhecidos para NOIA-NA são hipertensão arterial sistêmica, diabetes tipo 2, tabagismo, hiperlipidemia, obesidade, escavação pequena do disco óptico, drusa de papila e uso de medicamentos.

5. Ainda não há evidências científicas robustas sobre a relação causal entre agonistas do GLP-1, utilizados em canetas emagrecedoras, e o surgimento de casos de NOIA-NA. Até o momento, estudos apresentam resultados contraditórios. Contudo, entende-se que mesmo que essa associação seja comprovada, os trabalhos sugerem que o risco continua sendo muito baixo.

6. Essa situação reforça a necessidade da avaliação contínua das evidências científicas e do monitoramento oftalmológico, por meio de consultas e exames regulares, com o objetivo de detectar precocemente qualquer alteração na visão, seja uma complicação da própria doença ou do tratamento.

Comprometido com a proteção da saúde ocular dos brasileiros, o CBO permanece atento ao tema e disponível para contribuir com ações individuais ou coletivas que tragam maior segurança à população.

 

Com informações de CONSELHO BRASILEIRO DE OFTALMOLOGIA

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