Cobertura vacinal global ainda deixa 15% dos bebês desprotegidos

Relatório do Unicef aponta avanços na imunização pós-pandemia, mas alerta para o risco de surtos de doenças devido a conflitos e instabilidade política.

Fonte: Francisco Rodrigo

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Cobertura vacinal global ainda deixa 15% dos bebês desprotegidos
© Rovena Rosa/Agência Brasil

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Apesar de uma recuperação nas taxas globais de vacinação após a queda acentuada durante a pandemia de Covid-19, cerca de 15% dos bebês em todo o mundo ainda não possuem a cobertura vacinal completa. Dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), divulgados nesta quarta-feira (15), revelam que, em 2025, aproximadamente 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida, classificadas como crianças “zero-dose”, enquanto outras 7,3 milhões não concluíram o ciclo básico da vacina DTP (difteria, tétano e coqueluche).

Desafios e riscos de surtos

O Unicef alerta que o número de crianças sem nenhuma proteção permanece em patamar preocupante, próximo aos níveis observados em 2009. A falha na imunização tem impactos diretos na saúde pública: em 2025, o mundo registrou mais de 411 mil casos de sarampo, com surtos afetando 57 países. O índice de segurança para a vacinação contra o sarampo, de 95%, ainda não foi atingido, com apenas 84% das crianças recebendo a primeira dose e 77% a segunda.

Conflitos e desigualdades

O relatório destaca que mais da metade das crianças “zero-dose” reside em locais afetados por conflitos ou em situação de fragilidade, cenários que dificultam a logística de saúde e o subfinanciamento crônico. Paralelamente, países de renda média e alta enfrentam quedas na cobertura devido à hesitação vacinal e desafios estruturais. Na África do Sul e na Bósnia e Herzegovina, por exemplo, índices de vacinação recuaram significativamente desde 2019, evidenciando que a instabilidade no compromisso político pode comprometer sistemas de saúde robustos.

Cenário brasileiro

Na contramão da estagnação ou retrocesso de dezenas de nações, o Brasil apresenta uma trajetória de melhora constante na cobertura vacinal. O número de crianças “zero-dose” no país é estimado em 50 mil, um reflexo da integração mais eficiente de dados públicos. Contudo, o ciclo completo da vacina tríplice (DTP-3) ainda exige atenção, mantendo uma cobertura na faixa de 86%. Especialistas ressaltam a necessidade de pesquisas independentes sobre o tema no país, prática que tem diminuído globalmente e que é essencial para garantir a qualidade e a confiabilidade das estatísticas oficiais.

Perguntas frequentes

Quantas crianças não receberam nenhuma dose de vacina em 2025?

Ao todo, 13,5 milhões de bebês foram classificados como crianças “zero-dose” no primeiro ano de vida.

Qual a situação do Brasil em relação aos outros países?

O Brasil tem apresentado uma melhora constante na cobertura vacinal e redução de crianças sem nenhuma dose, indo na contramão de países que estagnaram ou retrocederam.

Quais as principais causas da baixa cobertura vacinal global?

Instabilidade política, conflitos, pobreza, subfinanciamento crônico e o aumento da hesitação vacinal em países de renda média e alta.

Por que o sarampo voltou a ser uma preocupação?

A cobertura global ainda está abaixo dos 95% necessários para segurança, permitindo o surgimento de surtos em pelo menos 57 países em 2025.

 

Com informações de Guilherme Jeronymo – repórter da Agência Brasil

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