Lula cobra empenho do G7 contra desigualdades globais

Em discurso na França, presidente brasileiro critica gastos militares e aponta assimetria na distribuição de oportunidades entre países.

Fonte: Luiz Cláudio Ferreira - Repórter da Agência Brasil - 20

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Lula cobra empenho do G7 contra desigualdades globais
Ricardo Stuckert / PR

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou sua participação na Cúpula do G7, realizada em Évian, na França, nesta terça-feira (16), para cobrar uma postura mais ativa das nações mais ricas no combate à desigualdade global. Em sua fala, Lula ressaltou que a solidariedade internacional tem diminuído enquanto os desafios se multiplicam, mantendo uma distância abismal entre a prosperidade das economias desenvolvidas e a realidade vivida por bilhões no Sul Global.

Crítica aos gastos militares e gestão financeira

O presidente brasileiro pontuou que enquanto recursos vitais para organismos como o Programa Mundial de Alimentos e a Unicef sofrem cortes significativos de orçamento, os gastos militares globais alcançaram cerca de 3 trilhões de dólares no último ano. Lula destacou o peso do serviço da dívida dos países em desenvolvimento, que transferem anualmente 1,4 trilhão de dólares a credores, um valor que, segundo ele, supera em sete vezes a ajuda recebida das nações ricas.

Combate a respostas falaciosas

Durante o discurso, o presidente criticou a ressurreição de pautas como o protecionismo e o unilateralismo, classificando-as como respostas falaciosas para problemas globais complexos. Sem mencionar nomes, Lula citou o surgimento da figura do primeiro trilionário do mundo como um exemplo da concentração extrema de riqueza, comparando sua fortuna aos 46% da população mais pobre do planeta. Para o mandatário, o sistema atual falha por distribuir oportunidades de forma profundamente assimétrica.

O chefe de Estado brasileiro relembrou sua trajetória em cúpulas internacionais, pontuando que, desde 2003, as respostas coletivas construídas para crises globais têm sido insuficientes. Ele reiterou que a superação desse cenário não reside na gestão da escassez, mas sim na necessidade urgente de implementação de políticas e, sobretudo, de vontade política. O encontro em Évian reforçou o papel do Brasil na articulação de uma agenda voltada para o financiamento do desenvolvimento e a justiça social em escala global.

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