Lula condiciona entrada de assessor de Trump à liberação de visto para Padilha

O presidente brasileiro afirmou que o funcionário americano Darren Beattie será impedido de ingressar no país enquanto o ministro da Saúde não puder entrar nos Estados Unidos.

Fonte: Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil - 20

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Lula condiciona entrada de assessor de Trump à liberação de visto para Padilha
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta sexta-feira que o assessor do governo de Donald Trump, Darren Beattie, está proibido de entrar no Brasil. A medida foi anunciada como uma resposta direta ao bloqueio de vistos sofrido pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e sua família pelas autoridades norte-americanas em 2025.

Durante agenda oficial no Rio de Janeiro, Lula reforçou que a restrição permanecerá vigente enquanto a situação migratória do ministro e de seus familiares não for resolvida. O presidente destacou que a esposa e a filha de 10 anos de Padilha tiveram suas autorizações de viagem canceladas no ano passado, o que motivou a reação do governo brasileiro.

A diplomacia brasileira utiliza o princípio da reciprocidade para fundamentar decisões desse porte. No caso de Beattie, o governo também aponta falhas na comunicação sobre os motivos reais da viagem, que incluíam uma tentativa de visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente detido no complexo da Papudinha.

Impasse jurídico e diplomático

O pedido de Bolsonaro para se encontrar com o assessor de Donald Trump foi negado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A decisão do magistrado considerou que a visita não estava prevista na agenda oficial do representante estrangeiro no Brasil e não foi comunicada previamente aos órgãos diplomáticos competentes.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, enviou um ofício ao Supremo alertando que o encontro poderia ser interpretado como uma indevida ingerência externa. Segundo o chanceler, a reunião entre um funcionário de Estado estrangeiro e um ex-presidente detido, especialmente em ano eleitoral, fere protocolos de soberania e assuntos internos.

Histórico da crise dos vistos

A tensão entre os dois governos sobre este tema específico começou em 2025, quando os Estados Unidos restringiram o acesso da família de Alexandre Padilha ao seu território. Naquela ocasião, o visto do próprio ministro já estava vencido, mas o cancelamento dos documentos de seus dependentes foi visto pelo Palácio do Planalto como um ato político agressivo.

Darren Beattie, que atua no Departamento de Estado e lida com questões relacionadas ao Brasil, pretendia realizar a visita na próxima segunda ou terça-feira. Com a revogação do visto pelo Itamaraty e a proibição presidencial, o assessor fica impedido de cumprir qualquer compromisso oficial ou privado em solo brasileiro por tempo indeterminado.

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