Nota de pesar: irmã Zenaide

Irmã Zenaide deixa um legado de fé, dedicação ao louvor e serviço à igreja, marcado por décadas de atuação como regente e professora da Escola Bíblica Dominical em Porto Velho.

Fonte: Funerária Dom Bosco

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Nota de pesar: irmã Zenaide

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É com profundo pesar e, ao mesmo tempo, com imensa gratidão a Deus, que prestamos esta homenagem à irmã Zenaide, uma mulher cuja vida foi marcada pela fé, pelo serviço ao Senhor, pela dedicação ao louvor e pelo amor às pessoas que tiveram o privilégio de caminhar ao seu lado.

Nascida em 06 de julho de 1961, a irmã Zenaide partiu para estar com o Senhor em 11 de setembro de 2026, deixando saudades, mas também um legado que permanecerá vivo no coração de todos aqueles que conviveram com ela.

Em 1993, cheguei ao bairro Ulisses Guimarães, vindo da cidade de Rolim de Moura, com o propósito de construir minha vida e residir definitivamente em Porto Velho.

Foi nessa igreja que também passei a congregar e a fazer parte de alguns grupos de louvor. Entre eles, estava o Coral, sob a regência da irmã Zenaide.

E que regente!

A irmã Zenaide tinha uma capacidade extraordinária de reunir diferentes vozes, personalidades e timbres e transformá-los em uma única identidade sonora, expressiva e coesa. Não era simplesmente cantar juntos. Era fazer com que cada voz encontrasse o seu lugar dentro de um conjunto que parecia respirar como um só.

Havia técnica, disciplina, sensibilidade, expressão e, acima de tudo, uma profunda conexão com aquilo que estávamos cantando. Sob sua regência, o Coral parecia um único instrumento harmônico.

E não era apenas a música que chegava aos ouvidos. A mensagem do texto sagrado era transmitida também pela expressão de cada componente, pela intensidade de cada voz e pela emoção colocada em cada palavra. Cantávamos o que acreditávamos, e a igreja podia sentir isso.

A irmã Zenaide era uma regente de excelência, uma mulher que Deus havia capacitado de maneira especial para aquela missão. E era bonito vê-la exercendo, com tanta maestria, competência, dedicação e autoridade, aquele lugar de liderança musical.

As noites de domingo eram especiais.

Cada hino que cantávamos era preparado com dedicação, e muitas vezes a igreja era tomada pela presença de Deus. Havia momentos de cura, batismos com o Espírito Santo, manifestações espirituais e vidas sendo profundamente impactadas. Pessoas aceitavam Jesus. E algumas, depois de serem tocadas por aquele louvor, já desejavam fazer parte daquele Coral.

Os ensaios eram muitos. E havia um compromisso de cada componente que fazia parte daquela rotina: todos os domingos, às 13 horas, estávamos lá.

Naquela época, o sol de Porto Velho não dava trégua. O calor era intenso, quase escaldante. Mas aquilo não era obstáculo.

Às 13 horas, saíamos do conforto de nossas casas para ensaiar. Não porque fosse fácil, mas porque sabíamos que, algumas horas depois, estaríamos novamente reunidos para oferecer a Deus aquilo que havíamos preparado com compromisso e dedicação.

Era amor pelo louvor.

E foram muitos anos vivendo tudo isso.

Como era bom!

Hoje, quando olho para trás, percebo que algumas coisas que pareciam apenas parte da nossa rotina eram, na verdade, momentos que o tempo estava preparando para transformar em memória.

No ano passado, quando recebi o convite para participar dos ensaios e apresentar dois louvores na noite de Natal, aceitei imediatamente.

Aceitei não apenas porque ainda me lembrava da minha voz e da minha antiga participação como tenor naquele Coral, mas porque enxerguei naquele convite uma oportunidade de voltar no tempo.

Uma oportunidade de reencontrar pessoas, recordar aqueles bons tempos e, ainda que por alguns instantes, sentir novamente aquilo que vivemos tantos anos atrás.

O que eu não imaginava era que aquele convite guardaria um significado muito maior.

Eu não sabia que aquela seria uma das últimas oportunidades de estar sob a regência da irmã Zenaide.

Não sabíamos.

Nenhum de nós sabia.

Talvez por isso aquela noite tenha se tornado ainda mais preciosa.

Hoje, olhando para aquela apresentação, penso que Deus nos permitiu viver uma última lembrança que, naquele momento, não sabíamos que estávamos construindo.

E há algo ainda mais bonito nisso.

Antigamente, muitas dessas lembranças se perderiam com o tempo. Não tínhamos a facilidade que temos hoje para fotografar, gravar e registrar os momentos. Mas Deus permitiu que, naquele Natal, tivéssemos registros que hoje se transformam em lembranças preciosas.

A tecnologia guardou aquilo que a memória jamais gostaria de perder.

E agora, ao saber que a irmã Zenaide partiu para estar com o Senhor, aquela apresentação ganhou um significado que nenhum de nós poderia imaginar naquela noite.

Ela não foi apenas uma apresentação de Natal.

Foi uma despedida que ninguém sabia que estava acontecendo.

Foi um último louvor sob sua regência.

Foi um último encontro.

Foi um pedaço da nossa história sendo eternizado.

Hoje, a irmã Zenaide não está mais aqui para reger nossos louvores, mas permanece aquilo que nenhuma despedida consegue levar: o legado.

Legado de uma mulher de Deus.

De uma regente dedicada.

De uma professora atuante e autêntica da Escola Bíblica Dominical, na classe Manancial de Vida.

De alguém que ensinou, orientou, corrigiu, incentivou e, por tantos anos, serviu ao Senhor com aquilo que recebeu de Deus.

E talvez o maior legado de um regente não esteja apenas nas músicas que ensinou, mas nas vidas que ajudou a tocar através delas.

Por isso, hoje, quando penso na irmã Zenaide, não quero lembrar apenas da sua partida.

Quero lembrar da sua voz de comando nos ensaios.

Da sua dedicação.

Dos domingos às 13 horas.

Do calor de Porto Velho que não nos impedia de estar ali.

Dos hinos preparados com tanto zelo.

Das noites de culto.

Das vozes que se uniam sob sua regência.

E, principalmente, da presença de Deus que tantas vezes sentimos enquanto cantávamos.

Aos irmãos e irmãs que fizeram parte daquele Coral naquela época, fica a minha homenagem.

Talvez muitos tenham seguido caminhos diferentes. Talvez alguns já nem estejam mais entre nós. Mas todos aqueles que um dia levantaram suas vozes naquele Coral fazem parte dessa história.

Uma história que não pertence a uma única pessoa.

Pertence a todos nós.

E aos que, no ano passado, aceitaram aquele convite para voltar a cantar, mesmo sem imaginar que seria a última regência da irmã Zenaide à frente daquele Coral, fica também uma palavra de gratidão.

Nós fomos convidados para cantar dois hinos.

Mas Deus, em Sua infinita sabedoria, nos permitiu participar de algo que só agora conseguimos compreender.

Naquele momento, pensávamos estar apenas revivendo o passado.

Hoje sabemos que estávamos ajudando a construir uma das últimas páginas de uma história que começou muitos anos antes.

Por isso, aqueles dois hinos jamais serão apenas dois hinos.

Eles carregam memória.

Carregam saudade.

Carregam gratidão.

E carregam a lembrança de uma mulher que dedicou parte de sua vida ao serviço do Senhor.

À família enlutada, deixo meu abraço, minha oração e meu carinho.

Que o Espírito Santo, Consolador, fortaleça cada coração neste momento de dor e saudade. Que Deus sustente a família nos dias difíceis e conceda a paz que somente Ele pode oferecer.

A nós, que ficamos, resta agradecer a Deus pelo privilégio de termos conhecido, convivido e aprendido com a irmã Zenaide.

E, quando ouvi novamente aqueles hinos, a saudade apertou.

Mas também houve gratidão.

Porque algumas pessoas passam pela nossa vida.

Outras deixam marcas.

E existem aquelas que deixam um legado.

A irmã Zenaide deixou um legado.

E enquanto houver alguém que se lembre daqueles ensaios, daqueles domingos, daquele Coral, daqueles louvores e da mulher que, à frente deles, fez tantas vozes se tornarem uma só…

a história continuará sendo cantada.

Descanse no Senhor, irmã Zenaide.

Sua regência terminou aqui na Terra.

Mas o louvor que você ajudou a construir continuará ecoando nos corações daqueles que tiveram o privilégio de cantar sob sua liderança.

Cerimônia de despedida

A cerimônia de despedida será realizada no dia 13 de setembro de 2026, a partir das 23h00, na Igreja Assembleia de Deus, localizada na Rua Gêmeos, 11784 – Bairro Ulisses Guimarães, em Porto Velho – RO.

O cortejo fúnebre seguirá às 17h00 do dia 14 de setembro de 2026, com destino ao Cemitério Jardim da Saudade, onde será realizado o sepultamento.

“Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé.”
(2 Timóteo 4:7)

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