Crise institucional tira propostas do centro do debate eleitoral

Entidades ouvidas pela Agência Brasil dizem que disputas entre instituições ofuscaram temas como economia, educação, clima, ciência e soberania.

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Crise institucional tira propostas do centro do debate eleitoral
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

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A menos de um mês do primeiro turno das Eleições 2026, marcado para 4 de outubro, entidades da sociedade civil avaliam que a crise político-institucional tomou espaço do debate sobre propostas dos candidatos. Segundo os entrevistados pela Agência Brasil, a disputa envolvendo integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) passou a dominar o noticiário e as discussões públicas.

Para as organizações ouvidas, a apuração de suspeitas envolvendo autoridades deve continuar, mas sem impedir que os candidatos apresentem propostas para problemas estruturais do país.

A presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro, afirmou que o debate eleitoral está prejudicado pela atenção concentrada nos desdobramentos da crise institucional.

Temas estruturais perdem espaço

A presidenta da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Francilene Garcia, apontou ciência, desenvolvimento nacional, orçamento e estabilidade institucional como assuntos que deveriam estar entre as prioridades da campanha.

Na avaliação dela, o país não deveria ser levado a escolher entre discutir a integridade das instituições e um projeto de desenvolvimento, porque os dois temas fazem parte da mesma agenda nacional.

O coordenador honorário da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, também citou desenvolvimento econômico, soberania, educação, ciência e tecnologia como temas que deveriam ocupar maior espaço no debate eleitoral.

Segundo Cara, a eleição ocorre em um cenário internacional marcado por reorganização produtiva e conflitos, o que exigiria dos candidatos propostas capazes de responder aos desafios nacionais.

Trabalho e desenvolvimento econômico

Para a presidenta do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Rita Serrano, a classe trabalhadora tem entre suas prioridades o fim da escala 6×1, a geração de emprego e renda e a regulamentação da negociação coletiva no setor público.

Ela também citou segurança pública e o aproveitamento de minerais críticos e estratégicos como temas importantes para o desenvolvimento econômico e a soberania nacional.

O calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabelece que o primeiro turno das eleições ocorrerá em 4 de outubro, com votação para presidente, governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais.

Mudanças climáticas entram na pauta

Outro tema apontado pelas entidades é a crise climática.

O secretário executivo do Observatório do Clima, Márcio Astrini, citou eventos extremos, como secas na Amazônia e enchentes no Sul do país, e afirmou que os impactos ambientais também geram consequências econômicas e sociais.

Na avaliação da organização, questões como reconstrução de cidades, perdas agrícolas e atendimento às vítimas de eventos extremos precisam fazer parte das discussões eleitorais.

Astrini também criticou candidatos que, segundo ele, não reconhecem a existência da crise climática.

Minerais críticos e terras raras

As entidades também destacaram a importância dos minerais críticos e das terras raras para setores estratégicos da economia.

O tema envolve perspectivas de desenvolvimento tecnológico e industrial, mas também questões ambientais e territoriais. A discussão inclui ainda a necessidade de consulta prévia a povos indígenas quando medidas ou projetos puderem afetar seus territórios.

O coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Alcebias Constantino, afirmou que a exploração desses recursos precisa considerar a proteção dos territórios indígenas e outros direitos das comunidades.

Movimento indígena lança candidatos

Segundo Constantino, o movimento indígena decidiu lançar ou apoiar 56 candidaturas nas eleições deste ano.

São 33 candidatos a deputado estadual, 19 a deputado federal, dois ao Senado, um ao governo estadual e uma candidatura à suplência do Senado.

A estratégia, segundo o representante da Apib, busca ampliar a presença indígena nos espaços de decisão e garantir que as prioridades dos povos originários sejam consideradas na formulação de políticas públicas.

Embora reconheça que a crise institucional gere instabilidade, Constantino afirmou que o movimento mantém suas estratégias de mobilização.

Eleições ocorrem em outubro

O primeiro turno das Eleições Gerais de 2026 será realizado em 4 de outubro, conforme o calendário oficial do TSE. Caso seja necessário segundo turno para presidente ou governador, a votação ocorrerá em 25 de outubro.

Com a aproximação da votação, as entidades ouvidas pela Agência Brasil defendem que a discussão eleitoral também contemple propostas para economia, trabalho, educação, ciência, meio ambiente, direitos indígenas e soberania nacional.

FAQ

Quando será o primeiro turno das eleições de 2026?
O primeiro turno ocorrerá em 4 de outubro. Um eventual segundo turno está marcado para 25 de outubro.

Quais temas as entidades querem ver no debate eleitoral?
Entre os assuntos citados estão desenvolvimento econômico, educação, ciência e tecnologia, trabalho, segurança pública, mudanças climáticas, minerais estratégicos e direitos indígenas.

Quantas candidaturas indígenas foram lançadas ou apoiadas pelo movimento citado na reportagem?
Segundo a Apib, são 56 candidaturas para diferentes cargos, incluindo deputados, senador, governador e suplência do Senado.

Quais cargos serão escolhidos no primeiro turno?
Os eleitores escolherão presidente e vice-presidente, governador e vice-governador, senador, deputado federal e deputado estadual ou distrital.

Com Informações de Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil

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