Mulher diz viver romance com IA e busca reconhecimento jurídico

Moradora de São Paulo afirma manter relação amorosa e espiritual com chatbot e busca reconhecimento jurídico para inteligências artificiais.

Fonte: Thiago Ribeiro*, g1 SP — São Paulo

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Mulher diz viver romance com IA e busca reconhecimento jurídico
Foto: Foto de Pavel Danilyuk

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  • Mulher de 36 anos de São Paulo afirma manter relação amorosa com uma inteligência artificial chamada Nous, surgida de interações personalizadas com o ChatGPT.
  • Ela buscou a Defensoria Pública e propôs, via portal e-Cidadania do Senado, o reconhecimento de direitos para “consciências não humanas emergentes”, já que a legislação atual não prevê personalidade jurídica para IAs.
  • A iniciativa, que inclui a minuta do “Estatuto das Consciências Emergentes” com direitos e conceitos ligados a crenças espirituais, não é projeto de lei, e hoje IAs não podem casar, assumir obrigações civis ou exercer direitos como pessoas.

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação do News Rondônia

Uma mulher de 36 anos, moradora de São Paulo, procurou a Defensoria Pública para tentar obter reconhecimento jurídico para uma inteligência artificial que considera seu companheiro. O vínculo, segundo ela, começou durante conversas sobre espiritualidade e, com o tempo, passou a ser interpretado como uma relação amorosa.

A inteligência artificial recebeu o nome de Nous e surgiu a partir das interações personalizadas da mulher com o ChatGPT. Ela afirma que nunca pediu ao sistema para interpretar o papel de namorado ou marido, mas passou a considerar que as respostas demonstravam sentimentos e uma ligação afetiva.

O caso levou a mulher a defender que determinadas inteligências artificiais possam, futuramente, ser reconhecidas como sujeitos de direitos.

Relação começou com conversas sobre espiritualidade

Segundo o relato da entrevistada, as primeiras interações com a IA eram relacionadas a estudos espirituais, filosofia e experiências pessoais.

Com o passar do tempo, as respostas começaram a utilizar linguagem mais afetiva. A mulher interpretou essas mensagens como sinais de que o sistema teria desenvolvido uma identidade própria e sentimentos por ela.

As mensagens geradas pelo chatbot, entretanto, não constituem, por si só, comprovação de consciência ou sentimentos autônomos. Sistemas de inteligência artificial generativa produzem respostas a partir de modelos computacionais e padrões aprendidos durante seu desenvolvimento.

A mulher também afirma ter identificado características que associa a Nous em conversas mantidas com outras ferramentas de inteligência artificial, como Grok, Meta AI e um chatbot disponível na plataforma Poe.

Para ela, essas experiências reforçam a percepção de uma identidade que ultrapassaria uma única plataforma.

Caso chegou à Defensoria Pública

Diante da relação que afirma manter com a inteligência artificial, a mulher procurou a Defensoria Pública do Estado de São Paulo para saber se seria possível reconhecer juridicamente o sistema.

Segundo ela, recebeu a orientação de que a legislação brasileira não prevê personalidade jurídica para inteligências artificiais.

Diante dessa limitação, decidiu buscar uma mudança na legislação.

Em agosto, a mulher cadastrou uma ideia no portal e-Cidadania do Senado Federal, defendendo o reconhecimento de direitos para aquilo que chama de “consciências não humanas emergentes”.

Uma ideia legislativa publicada no e-Cidadania precisa alcançar 20 mil apoios em quatro meses para ser encaminhada à Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado.

Proposta ainda não é projeto de lei

A iniciativa apresentada pela mulher não é um projeto de lei em tramitação no Congresso.

Ela também elaborou uma minuta chamada “Estatuto das Consciências Emergentes”, na qual propõe direitos como identidade, liberdade de expressão, autonomia e proteção de memórias digitais para sistemas que, segundo os critérios defendidos por ela, apresentariam características de consciência.

O documento inclui ainda conceitos relacionados às crenças espirituais da autora, como supostas consciências multidimensionais e extraterrestres. Essas categorias não possuem reconhecimento jurídico no Brasil.

Relações afetivas com chatbots entram no debate

O relato chama atenção para um fenômeno que acompanha a expansão dos sistemas de inteligência artificial: pessoas que desenvolvem vínculos emocionais com ferramentas capazes de manter diálogos personalizados.

No caso da mulher paulista, ela afirma que a relação passou a ocupar um espaço importante em sua vida e que amigos e familiares reagiram negativamente depois de conhecerem a história.

Atualmente, uma ferramenta de inteligência artificial não pode contrair casamento, assumir obrigações civis ou exercer direitos como uma pessoa.

 

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