Celeste Saulo alerta para El Niño extremo e risco de crise humanitária global

Secretária-geral da OMM alerta para a intensificação de eventos climáticos extremos; previsão aponta maior risco de seca em partes da Amazônia, acendendo o sinal de atenção para o Brasil e Rondônia.

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Celeste Saulo alerta para El Niño extremo e risco de crise humanitária global

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  • A OMM e o OCHA alertam que o El Niño pode atingir intensidade excepcional até dezembro de 2026, com anomalia média de 3,8 °C na região Niño 3.4 e efeitos prolongados.
  • As organizações preveem alteração de padrões de temperatura e precipitação, com riscos de secas severas, chuvas intensas, inundações e calor extremo, afetando sobretudo populações vulneráveis como refugiados e deslocados.
  • A atualização climática aponta cenários regionais distintos para África, Ásia e Américas, com destaque para o maior risco de seca na Amazônia, exigindo monitoramento e ações preventivas integradas entre governos e serviços meteorológicos.

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação do News Rondônia

O fortalecimento do fenômeno El Niño pode desencadear uma onda de eventos climáticos extremos em diferentes partes do planeta e ampliar a crise humanitária em regiões já fragilizadas por conflitos, deslocamentos populacionais e falta de infraestrutura básica. Diante desse cenário, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) e o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) emitiram um apelo conjunto por ações urgentes e coordenadas para proteger vidas e reduzir os impactos sociais e econômicos previstos para os próximos meses.

A nova Atualização Global do Clima Sazonal da OMM, divulgada na quarta-feira (21), aponta que o El Niño poderá alcançar intensidade excepcional, com pico previsto para dezembro de 2026. Para o trimestre de novembro de 2026 a janeiro de 2027, os modelos climáticos projetam uma anomalia média de aproximadamente 3,8 °C acima da referência na temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4, no Pacífico equatorial. A organização alerta que os efeitos do fenômeno poderão se prolongar para além do pico de aquecimento.

O alerta foi apresentado pela secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, e pelo subsecretário-geral das Nações Unidas para Assuntos Humanitários e coordenador de Assistência de Emergência, Tom Fletcher. A avaliação das duas organizações é que a intensificação do fenômeno tende a alterar os padrões de temperatura e precipitação, elevando os riscos de secas severas em algumas áreas, chuvas intensas e inundações em outras, além de ampliar a exposição ao calor extremo.

Populações vulneráveis estão entre as mais ameaçadas

Os impactos podem ser ainda mais graves para refugiados, pessoas deslocadas e comunidades que vivem em áreas de conflito. Nessas localidades, os serviços de saúde, o abastecimento de água, o saneamento e as condições de moradia frequentemente já operam sob pressão, reduzindo a capacidade de resposta diante de desastres climáticos.

A preocupação das organizações internacionais não se limita à intensidade do fenômeno meteorológico, mas também à capacidade das comunidades de enfrentar suas consequências. A falta de água potável, a perda de plantações, a destruição de moradias e a interrupção de serviços essenciais podem agravar situações de insegurança alimentar, pobreza e deslocamento forçado.

Para Celeste Saulo, a antecipação é fundamental para evitar que eventos extremos se transformem em tragédias humanitárias. A OMM afirma que previsões científicas e sistemas de alerta antecipado podem ajudar governos e organizações humanitárias a preparar operações, proteger populações e reduzir perdas humanas e materiais.

África, Ásia e Américas enfrentam riscos distintos

A atualização climática da OMM aponta cenários diferentes conforme a região do planeta. Na África Oriental, há maior probabilidade de condições mais úmidas que o normal em partes da região durante a estação chuvosa de outubro a dezembro, aumentando a preocupação com chuvas intensas e inundações.

Na África Austral, o risco de condições mais secas a partir de novembro pode comprometer a produção agrícola, a disponibilidade de água e os meios de subsistência. Já no Sudeste Asiático, a combinação de temperaturas mais elevadas e déficits de precipitação pode aumentar a exposição ao calor e pressionar o abastecimento de água e a agricultura, além de favorecer condições propícias a incêndios florestais e episódios de fumaça.

Nas Américas, a previsão indica maior probabilidade de precipitações acima da média em partes da América do Norte, no noroeste dos Estados Unidos e em áreas do sul da porção ocidental da América do Sul. Em contrapartida, o risco de seca aumenta em partes da América Central, no sul do Caribe e na região amazônica.

Amazônia entra no radar das preocupações climáticas

A indicação de maior risco de seca em partes da Amazônia merece atenção especial para o Brasil, uma vez que mudanças na distribuição das chuvas podem afetar os recursos hídricos, a agricultura, a navegação e as comunidades que dependem diretamente dos rios para transporte e abastecimento.

Em Rondônia, entretanto, a projeção global não deve ser interpretada como confirmação de seca em todo o estado. A tendência indicada pela OMM abrange partes da região amazônica, e a definição dos impactos locais depende de previsões regionais e nacionais, do acompanhamento das chuvas e da evolução das condições atmosféricas nos próximos meses.

O monitoramento por órgãos como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) será essencial para identificar eventuais alterações no regime de precipitação e orientar medidas preventivas no estado.

Previsão precisa virar ação antes dos desastres

A OMM e o OCHA defendem a integração entre informações meteorológicas, planejamento público e resposta humanitária. A proposta é utilizar as previsões sazonais para antecipar necessidades, mobilizar recursos e preparar comunidades antes que os impactos se agravem.

As organizações ressaltam que as projeções climáticas indicam tendências para períodos e regiões, mas não determinam a ocorrência de um evento extremo específico em uma cidade ou data. Por isso, o trabalho conjunto entre instituições internacionais, governos nacionais e serviços meteorológicos regionais é indispensável para transformar os alertas em medidas concretas.

Embora não seja possível impedir a ocorrência do El Niño, a preparação antecipada pode reduzir significativamente seus efeitos sobre as populações. O desafio, agora, é aproveitar a janela de prevenção antes que secas, inundações e ondas de calor ampliem a vulnerabilidade de milhões de pessoas.

Texto baseado nas informações da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Global Seasonal Climate Update for November–December–January 2026, e declaração conjunta sobre El Niño e ação humanitária, divulgadas em 21 de outubro de 2026.

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