Pesquisa aponta que maioria de conteúdos políticos criados por IA não foi sinalizada nas redes sociais

Levantamento realizado pelo Observatório IA nas eleições revela que cerca de 65% das publicações sintéticas descumpriram normas da Justiça Eleitoral entre janeiro e agosto de 2026.

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Pesquisa aponta que maioria de conteúdos políticos criados por IA não foi sinalizada nas redes sociais
© Rawpick/Freepick

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Um levantamento recente desenvolvido pelo Observatório IA nas eleições, iniciativa da Data Privacy Brasil em parceria com o Aláfia Lab, identificou que quase dois em cada três conteúdos políticos criados por inteligência artificial em publicações nas redes sociais, entre o dia 1 de janeiro e o dia 16 de agosto de 2026, não sinalizaram o uso da tecnologia. A prática irregular descumpre as determinações estabelecidas pela Justiça Eleitoral para o período de campanha e debates públicos no país. Além disso, do total de 413 conteúdos analisados pelos pesquisadores, 250 registros, representando cerca de 60%, foram classificados especificamente como sátiras cujo objetivo principal era ridicularizar algum político. Outros 163 materiais, correspondendo a cerca de 40% do total, foram enquadrados diretamente na categoria de desinformação.

Os especialistas responsáveis pelo monitoramento apontam que o cenário levanta séria preocupação sobre a circulação de materiais sintéticos compartilhados sem o devido esclarecimento ao público. A falha ocorre tanto por parte das contas que realizam as postagens quanto pelas próprias plataformas digitais que, apesar de disponibilizarem recursos técnicos de rotulagem, possivelmente falham na moderação adequada desses conteúdos. A maior parte das publicações irregulares foi disseminada por perfis de usuários anônimos na internet. No entanto, entre os candidatos que compartilharam esse tipo de mensagem, o presidenciável Flávio Bolsonaro lidera a lista com 13 conteúdos, seguido pelo deputado federal Mário Frias com 10 publicações, pelo ex-governador Romeu Zema com 5 registros, pelo deputado federal Sóstenes Cavalcante com 3 e pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro com 3 postagens.

Partidos envolvidos e uso de deepfakes contra figuras públicas

No recorte partidário, o PL destacou-se como o maior propagador de mensagens produzidas com inteligência artificial de forma indevida, totalizando 28 publicações identificadas pelo monitoramento. Em comparação, o PT compartilhou 4 mensagens irregulares e o PSDB registrou 2 publicações no mesmo período. A análise detalhada demonstra que a maior parte dos casos mapeados, exatos 81%, utilizou a técnica conhecida como deepfake para manipular imagens ou vozes de pessoas públicas. O principal alvo dessa modalidade foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teve a imagem ou a voz modificada de forma pejorativa em 112 publicações, enquanto o político Flávio Bolsonaro foi alvo de 57 manipulações semelhantes.

A tecnologia de deepfake consiste em um conteúdo sintético produzido ou manipulado por inteligência artificial, capaz de apresentar elevado grau de realismo para reproduzir ou alterar a imagem, a voz ou a manifestação de qualquer pessoa viva, falecida ou fictícia. Diante do potencial lesivo dessas ferramentas na formação do voto, o TSE proibiu expressamente o uso de deepfakes nas eleições sempre que o material for caracterizado como propaganda eleitoral. As restrições visam garantir a lisura do pleito e proteger o eleitorado contra fraudes informacionais durante o processo democrático.

Perguntas frequentes

Qual foi o percentual aproximado de conteúdos políticos por IA que não sinalizaram o uso da tecnologia?
Quase dois em cada três conteúdos analisados.

Qual foi o total de conteúdos analisados pelo Observatório IA nas eleições?
413 conteúdos.

Quem lidera a lista de candidatos que publicaram conteúdos irregulares nas redes sociais?
O presidenciável Flávio Bolsonaro, com 13 conteúdos.

Qual foi o principal alvo das manipulações utilizando a técnica de deepfake?
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, alvo em 112 publicações.

Qual órgão regulador proibiu o uso de deepfakes na propaganda eleitoral?
O TSE.

 

Com informações de Iara Balduino – Repórter da Agência Brasil

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