Estudo da Fundação do Câncer alerta para alta agressividade de melanomas fora da pele e aponta desafios no SUS

Levantamento aponta que, embora menos frequente, a neoplasia em estruturas extracutâneas exige atenção médica especializada e destaca a importância do diagnóstico precoce e da imunoterapia.

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Estudo da Fundação do Câncer alerta para alta agressividade de melanomas fora da pele e aponta desafios no SUS
© Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Nem todo melanoma está relacionado de forma direta ao câncer de pele, conforme esclarece um estudo recente divulgado pela Fundação do Câncer. Com origem nas células produtoras de melanina conhecidas como melanócitos, o melanoma também pode se manifestar em estruturas extracutâneas, a exemplo do olho, de mucosas como as da cavidade oral e de órgãos internos pertencentes aos sistemas genital e digestório. Esse tipo específico de neoplasia maligna costuma ser menos frequente na população, mas apresenta um grau de agressividade e letalidade significativamente maior devido à facilidade de provocar metástase e se espalhar para tecidos vizinhos.

A décima segunda edição do boletim Análises e Tendências em Câncer foca justamente na análise detalhada do melanoma de pele e extracutâneo no Brasil. O estudo aponta que o enfrentamento da doença requer prevenção adequada, diagnóstico precoce, qualificação contínua dos registros hospitalares, acesso oportuno ao tratamento e articulação integrada entre a atenção básica e especialidades como dermatologia, oftalmologia e oncologia. Especialistas reforçam que o câncer apresenta chances reais de cura quando diagnosticado e tratado de maneira antecipada.

Cirurgias e os desafios de acesso no Sistema Único de Saúde

Pelo Sistema Único de Saúde, o padrão tradicional de tratamento para o melanoma envolve a cirurgia de remoção da lesão primária e a retirada dos linfonodos envolvidos. Dados consolidados entre 2014 e 2023 mostram que o procedimento cirúrgico foi a principal abordagem inicial para o melanoma cutâneo em todas as regiões brasileiras, concentrando 84,7% dos registros. A Região Sudeste liderou esse indicador com 89,6% dos casos, enquanto a Região Norte registrou o menor percentual, com 64,4%.

Em relação aos deslocamentos para a realização do tratamento oncológico, a maior parte dos pacientes conseguiu assistência na própria região de residência, com exceção da Região Centro-Oeste, que apresentou a maior necessidade de deslocamento, apontando um importante gargalo estrutural no acesso à assistência especializada. No cenário nacional, as estimativas oficiais do Instituto Nacional de Câncer projetam novos casos de câncer de pele melanoma com base no triênio vigente, orientando o planejamento de políticas públicas para a rede pública.

Avanços da imunoterapia e barreiras financeiras no tratamento

O tratamento do melanoma avançado ganhou novos horizontes com a chegada de medicamentos de ponta da classe dos anti-PD-1, que revolucionaram as taxas de resposta clínica de pacientes em comparação à quimioterapia tradicional. No entanto, o alto custo financeiro dessas tecnologias continua representando uma barreira considerável para o acesso em tempo hábil na rede pública. Para superar esse entrave, especialistas apontam a necessidade de compras centralizadas pelo Ministério da Saúde e o fortalecimento da produção nacional por meio de parcerias estratégicas no setor de saúde, visando a expansão da assistência farmacêutica oncológica no país.

Perguntas frequentes

O melanoma pode ocorrer em outras partes do corpo além da pele?
Sim, o tumor pode se manifestar em estruturas extracutâneas como olhos, mucosas orais e órgãos dos sistemas genital e digestório.

Qual foi o principal tratamento inicial registrado para o melanoma de pele no Brasil entre 2014 e 2023?
A cirurgia da lesão primária e a remoção dos linfonodos, representando 84,7% dos procedimentos.

Qual região brasileira apresentou o maior percentual de cirurgias como primeiro tratamento?
A Região Sudeste, com 89,6% dos casos registrados.

Qual região brasileira apresentou a maior necessidade de deslocamento de pacientes para tratamento oncológico?
A Região Centro-Oeste, com 20,2% de deslocamentos.

Qual classe de medicamentos revolucionou o tratamento do melanoma avançado e metastático?
Os medicamentos da classe anti-PD-1, como nivolumabe e pembrolizumabe.

 

Com informações de Daniella Almeida – Repórter da Agência Brasil

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