Estudo revela perfil e desigualdades no alto escalão público

Pesquisa do Ipea aponta avanços na diversidade, mas destaca sub-representação de mulheres e negros em cargos de direção no governo federal.

Fonte: Alex Rodrigues - Repórter da Agência Brasil - 20

Publicado em

Estudo revela perfil e desigualdades no alto escalão público
© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Compartilhe esta notícia:

Nos siga no Google News
  • Estudos do Ipea e parceiros traçam perfil da elite do serviço público brasileiro entre 1999 e 2025, focando cargos de liderança.
  • Pesquisa aponta desigualdade racial e de gênero em postos estratégicos, com predominância de homens brancos e sub-representação de pretos, pardos e mulheres.
  • Resultados indicam alta qualificação, maioria de servidores concursados e forte mobilidade com “efeito bumerangue”, reforçando memória institucional na gestão federal.

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação do News Rondônia

Pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceria com o Movimento Pessoas à Frente e a Fundação Lemann, divulgaram nesta terça-feira (16) três estudos sobre a elite do serviço público brasileiro. A pesquisa, intitulada Lideranças Públicas no Brasil, analisou dados entre 1999 e 2025 para traçar o perfil e a trajetória de ocupantes de cargos de direção, chefia e assessoramento.

Desigualdade racial e de gênero

Os dados evidenciam que, apesar do crescimento gradual, a ocupação de postos estratégicos ainda é desigual. No período analisado, 75% dos cargos de direção foram ocupados por homens e 78% por pessoas brancas. Pretos e pardos representaram, respectivamente, 3% e 14%. Embora mulheres tenham alcançado a marca de quase 40% de participação em posições de liderança especialmente com aceleração a partir de 2022, a sub-representação persiste quando comparada à pluralidade da demografia brasileira. Ministérios como o da Igualdade Racial e o das Mulheres apresentam os índices mais elevados de diversidade.

Burocracia técnica e o mito do indicação política

A pesquisa contesta a visão de que o topo do serviço público é ocupado predominantemente por indicações políticas sem qualificação. Entre os ocupantes de cargos de alto escalão, 63% são servidores concursados e 75% possuíam experiência prévia no setor público antes de assumir a função. O perfil acadêmico também é alto, com 86% dos dirigentes possuindo ensino superior completo, enquanto apenas 16% possuem filiação partidária formal.

Mobilidade e o “efeito bumerangue”

Os estudos revelam que a alta liderança no Executivo federal é marcada por uma intensa circulação de quadros. Embora 57% dos episódios em um cargo específico durem até dois anos, 79% dos dirigentes assumem novas posições de chefia em outros órgãos após esse período. Esse fenômeno demonstra um acúmulo de memória institucional e profissionalização na gestão. Os dados apontam, ainda, um “efeito bumerangue”, onde 44% dos dirigentes que deixam uma pasta retornam a ela posteriormente, consolidando uma elite burocrática experiente.

O coordenador do projeto, Felix Lopez, pontua que a realidade da gestão estatal brasileira é mais complexa do que os extremos do debate público, que oscila entre a visão de cargos como “moeda de troca” política e a de uma burocracia puramente técnica. Os resultados detalhados da pesquisa estarão disponíveis na próxima edição do Boletim de Análise Político-Institucional (Bapi), no portal do Ipea.

NEWS QUE VOCÊ VAI QUERER LER

DESTAQUE NEWS

EMPREGOS E CONCURSOS

POLÍTICA

POLÍCIA

ÚLTIMAS NOTÍCIAS