Brasil detém 23% das reservas mundiais de terras raras, mas enfrenta desafios técnicos

País possui a segunda maior reserva global desses minerais essenciais para a transição energética; especialistas alertam para dependência da exportação de matéria-prima.

Fonte: Rafael Cardoso – Repórter da Agência Brasil - 20

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Brasil detém 23% das reservas mundiais de terras raras, mas enfrenta desafios técnicos
© Sigma Lithium/Divulgação

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  • O Brasil possui cerca de 21 milhões de toneladas de terras raras, 23% das reservas globais, atrás apenas da China.
  • O país detém 94% das reservas de nióbio e liderança em grafita e níquel, mas exporta majoritariamente commodities de baixo valor.
  • Especialistas apontam dependência do modelo primário-exportador e destacam impactos socioambientais da mineração de minerais estratégicos.

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação do News Rondônia

O Brasil consolidou sua posição como um dos maiores detentores de recursos minerais estratégicos do mundo, com reservas de terras raras estimadas em 21 milhões de toneladas. De acordo com o Serviço Geológico do Brasil (SGB), o volume representa cerca de 23% do total global, colocando o país atrás apenas da China. Localizados principalmente em estados como Minas Gerais, Goiás e Amazonas, esses minerais são fundamentais para a fabricação de tecnologias de ponta, incluindo baterias de carros elétricos, turbinas eólicas e sistemas avançados de defesa.

Apesar do potencial geológico, a distinção entre minerais “críticos” e “estratégicos” define a geopolítica atual. Enquanto os estratégicos são vitais para o desenvolvimento econômico e defesa nacional, os críticos são marcados pelo alto risco de interrupção no fornecimento. O Brasil se destaca não apenas pelas terras raras, mas por deter 94% das reservas mundiais de nióbio e ocupar posições de liderança em grafita e níquel. Contudo, a falta de infraestrutura para o refino e beneficiamento desses materiais mantém o país em uma posição de exportador de commodities de baixo valor agregado.

Dependência e impactos socioambientais

Especialistas apontam que o desafio brasileiro é romper com o histórico modelo primário-exportador. Luiz Jardim Wanderley, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), avalia que o Brasil repete padrões de dependência observados em ciclos anteriores, como os do ouro e do ferro. Sem o desenvolvimento de uma cadeia produtiva interna que transforme o minério em produto tecnológico, o país continua dependente da importação de componentes manufaturados, mesmo possuindo a matéria-prima em abundância.

Além da questão econômica, a sustentabilidade da mineração é um ponto de debate central. Geógrafos alertam que, apesar de essenciais para a “energia limpa”, a extração desses minerais envolve processos degradantes que afetam cursos d’água e biomas locais. O Ministério de Minas e Energia mantém uma lista de minerais estratégicos divididos por necessidade de importação, aplicação tecnológica e geração de superávit, mas o país ainda busca um equilíbrio entre a exploração econômica e a mitigação dos impactos socioambientais permanentes.

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