Espécie de camundongo ameaçada se adapta ao clima apesar de perda genética

Estudo na Califórnia identifica 14 genes que ajudam pequeno roedor a resistir ao calor e à seca; programa de reprodução em cativeiro foi essencial para preservar variantes raras.

Fonte: Roberto Peixoto, g1 - 20

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Espécie de camundongo ameaçada se adapta ao clima apesar de perda genética
San Diego Zoo Wildlife Alliance

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  • Estudo mostra que o camundongo-do-bolso-do-Pacífico preservou genes cruciais à sobrevivência em ambientes áridos, apesar de forte declínio populacional.
  • Análise genômica de exemplares da década de 1930 e atuais identificou 14 genes ligados à resistência ao calor, com mudanças compatíveis ao aquecimento global.
  • Cruzamento em cativeiro das três populações remanescentes aumentou a resiliência climática, orientando novas estratégias de manejo para espécies ameaçadas.

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação do News Rondônia

Um dos roedores mais raros do mundo, o camundongo-do-bolso-do-Pacífico, está surpreendendo cientistas ao demonstrar capacidade de adaptação às mudanças climáticas. De acordo com um estudo publicado na revista científica “Science Advances”, a espécie conseguiu preservar genes cruciais para a sobrevivência em ambientes áridos, mesmo após sofrer um declínio populacional severo que reduziu drasticamente sua diversidade genética ao longo do último século.

Habitante de uma estreita faixa litorânea no sul da Califórnia, o pequeno animal chegou a ser considerado extinto por duas décadas, sendo redescoberto apenas em 1994. Atualmente, a espécie sobrevive em apenas três populações isoladas na natureza. Pesquisadores do San Diego Zoo Wildlife Alliance compararam o genoma de exemplares de museus da década de 1930 com indivíduos atuais, identificando 14 genes específicos ligados à resistência a altas temperaturas.

O monitoramento de uma população reintroduzida no Parque Natural de Laguna Coast revelou que essas variantes genéticas estão mudando na direção esperada para enfrentar o aquecimento global. Segundo Erik Funk, líder do estudo, a estratégia de cruzar indivíduos das três populações remanescentes em cativeiro foi fundamental para elevar a resiliência climática do grupo. Quatro desses genes mostraram-se decisivos para determinar quais animais sobreviviam aos verões rigorosos da região.

A urbanização costeira e a fragmentação do habitat continuam sendo as maiores ameaças à espécie, mas a descoberta traz esperança para os esforços de conservação. Os cientistas agora planejam monitorar um segundo grupo reintroduzido para entender como as estratégias de manejo genético podem ser aplicadas a outras espécies ameaçadas que, ao contrário do camundongo-do-bolso, podem ter perdido o repertório necessário para responder às pressões ambientais modernas.

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