Justiça Federal mantém a prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master

O banqueiro Daniel Vorcaro teve pedido de habeas corpus negado em Brasília após ser preso na Operação Compliance Zero por suspeita de fraudes no sistema financeiro e prejuízo de R$ 17 bilhões.

Fonte: André Richter - Repórter da Agência Brasil - 20

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© Banco Master

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A Justiça Federal em Brasília decidiu manter a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, um dos sócios do Banco Master. A decisão foi proferida na noite desta quinta-feira (19) pela desembargadora Solange Salgado da Silva, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região.

A magistrada negou o pedido de habeas corpus feito pela defesa de Vorcaro, que foi preso na última segunda-feira (17) pela Polícia Federal (PF). A prisão ocorreu no Aeroporto de Guarulhos, enquanto ele tentava embarcar para o exterior em seu jatinho particular.

Investigação da Operação Compliance Zero

O banqueiro e outros sócios do banco foram alvos da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF para investigar a concessão de créditos falsos pelo Banco Master. O inquérito apura a tentativa de compra da instituição financeira pelo Banco Regional de Brasília (BRB), um banco público ligado ao governo do Distrito Federal.

Na decisão, a desembargadora Solange Salgado da Silva entendeu que a prisão de Vorcaro deve ser mantida para preservar a ordem pública e desarticular a organização criminosa.

“O contexto retrata um grupo com notável estrutura, estabilidade e poderio econômico, cuja atividade perdurou por anos, voltada à prática reiterada de delitos financeiros, com envolvimento dos gestores do Banco Master em esquemas complexos e de altíssimo padrão, utilizando-se de manobras para fraudar o sistema financeiro”, afirmou a magistrada.

Fraudes de R$ 17 bilhões

A desembargadora ressaltou que as fraudes podem comprometer a liquidez do BRB e causar um prejuízo estimado em R$ 17 bilhões.

A investigação revelou a existência de um esquema de cessão irregular de carteiras de crédito entre o Banco Master e o Banco de Brasília. “Há indícios de manipulação de ativos, criação de falsas narrativas para órgãos reguladores e utilização de empresas de prateleira para simular a origem de créditos inexistentes ou podres”, acrescentou Solange Salgado da Silva.

A defesa de Daniel Vorcaro negou que o banqueiro estivesse tentando sair do país após a prisão. Os advogados sustentaram que ele sempre se colocou à disposição para contribuir com a apuração dos fatos.

O BRB informou que vai contratar uma auditoria externa para apurar os fatos e possíveis falhas de governança ou nos controles internos.

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