Projeto do SUS combate isolamento de pacientes com lobomicose na Amazônia

Doença de Jorge Lobo afeta centenas de ribeirinhos e extrativistas no Acre, Amazonas e Rondônia; iniciativa Aptra Lobo garante tratamento gratuito e resgata autoestima.

Fonte: Luciano Nascimento – Repórter da Agência Brasil - 20

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Projeto do SUS combate isolamento de pacientes com lobomicose na Amazônia
© Marcelo Camargo/Agência Brasil

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  • O projeto Aptra Lobo, do Ministério da Saúde com o Hospital Albert Einstein, trata 104 pacientes com Doença de Jorge Lobo na Amazônia Ocidental.
  • O tratamento com itraconazol, aliado a biópsias, exames e cirurgias em centros de referência, já trouxe melhora significativa para mais de 50% dos casos.
  • Um manual prático lançado em dezembro e os dados até 2026 devem embasar um protocolo clínico nacional, visando tirar a doença da condição de negligenciada.

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação do News Rondônia

O seringueiro Augusto Bezerra da Silva, de 65 anos, viveu décadas em isolamento voluntário no interior do Acre devido ao estigma de uma doença rara. Diagnosticado com a Doença de Jorge Lobo (DJL), ou lobomicose, ele viu surgirem no rosto e corpo lesões nodulares semelhantes a queloides que causavam dor, coceira e vergonha. “Você se coloca isolado com a idade de 20 anos, até perto dos 65. Não é fácil”, relatou Augusto, que agora celebra a melhora do quadro graças ao projeto Aptra Lobo.

A enfermidade, endêmica da Amazônia Ocidental, atinge principalmente populações em situação de vulnerabilidade, como seringueiros, ribeirinhos e povos indígenas. Atualmente, o Ministério da Saúde registra 907 casos da doença no Brasil, sendo que mais da metade (496) estão localizados no Acre. Por se tratar de uma infecção fúngica que deforma a pele, o impacto psicológico é profundo, levando muitos pacientes a abandonarem o convívio comunitário e familiar.

Estrutura de tratamento e resultados

Para enfrentar o histórico de negligência, o Ministério da Saúde criou o projeto Aptra Lobo, em parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein, por meio do Proadi-SUS. A iniciativa acompanha 104 pacientes nos estados do Acre, Amazonas e Rondônia, estruturando o manejo clínico no Sistema Único de Saúde (SUS). O tratamento utiliza o antifúngico itraconazol, com doses ajustadas, e já apresenta resultados promissores: mais de 50% dos participantes registraram melhora significativa das lesões.

Além da medicação, o projeto realiza biópsias, exames laboratoriais e cirurgias para retirada de lesões em áreas remotas. Centros de referência em Porto Velho, Rio Branco e Manaus servem como base para o acompanhamento trimestral. O infectologista João Nobrega de Almeida Júnior, do Einstein, explica que o acesso geográfico é a maior barreira. “Há ajuda de custos de transporte e expedições para alcançar aqueles que moram em regiões mais remotas”, afirmou o médico.

Novo protocolo e fim da negligência

Em dezembro passado, o projeto lançou um manual prático para auxiliar profissionais de saúde no diagnóstico e prevenção da lobomicose. O objetivo é que, ainda em 2026, os dados coletados pelo acompanhamento dos pacientes sirvam de base para a criação de um Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) definitivo. O documento deve padronizar o fluxo de atendimento em toda a rede pública, garantindo que a doença deixe de ser considerada negligenciada pelas autoridades.

Para seu Augusto, o tratamento representou um “livramento”. Com a redução dos nódulos no rosto, ele retomou o contato com a família e o prazer de sair de casa. Embora o tratamento ainda seja contínuo, o seringueiro afirma sentir-se mais liberto. O legado do projeto Aptra Lobo pretende garantir que futuros pacientes não precisem passar pelo mesmo isolamento social, promovendo a detecção precoce e o acolhimento humanizado nas comunidades isoladas da floresta.

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