Carlos Eduardo coloca saúde no centro de candidatura a deputado federal por Rondônia

Fisioterapeuta e ex-diretor do Hospital João Paulo II defende ampliação da estrutura de atendimento, regionalização dos serviços e mais recursos federais para Rondônia; educação profissional e apoio ao pequeno produtor também aparecem entre as propostas.

Fonte: Fabiano da Silva Coutinho

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Carlos Eduardo coloca saúde no centro de candidatura a deputado federal por Rondônia

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A experiência acumulada entre a assistência direta aos pacientes e a gestão hospitalar é o principal argumento apresentado por Carlos Eduardo Rocha Araújo, o Cadu, para disputar uma vaga de deputado federal por Rondônia nas eleições de 2026.

Fisioterapeuta e servidor da saúde estadual, Cadu afirmou durante entrevista ao programa Giro News que pretende utilizar um eventual mandato na Câmara dos Deputados para buscar recursos e projetos destinados à ampliação da assistência à saúde no estado.

Entre os pontos defendidos estão melhorias na estrutura do Hospital João Paulo II, descentralização de determinados atendimentos de média e alta complexidade e criação ou fortalecimento de polos regionais para reduzir a necessidade de deslocamento de pacientes até Porto Velho.

Educação profissional, infraestrutura rodoviária, industrialização da produção local e apoio ao pequeno produtor também foram apresentados como áreas prioritárias.

De Pernambuco a Rondônia: trajetória começou na fisioterapia

Natural de Pernambuco, Carlos Eduardo afirmou que vive em Rondônia desde 1998.

Graduado em Fisioterapia pela Universidade Federal de Pernambuco, iniciou a trajetória profissional em seu estado de origem, com passagens pelo Hospital dos Servidores do Estado e pela Beneficência Portuguesa, onde trabalhou especialmente na área de cirurgia cardíaca.

Depois da mudança para Porto Velho, participou da criação da Fisioclin, clínica que atua em diferentes segmentos da fisioterapia.

Segundo Cadu, o serviço reúne áreas como ortopedia e traumatologia, reumatologia, pediatria, neurologia e fisioterapia pélvica, além da assistência hospitalar.

O candidato afirmou que o grupo atualmente mantém dezenas de profissionais trabalhando em Porto Velho e também em hospitais no interior de Rondônia.

Experiência no João Paulo II marcou atuação na saúde pública

A trajetória de Carlos Eduardo também está diretamente ligada ao Hospital e Pronto-Socorro João Paulo II, principal referência estadual para atendimentos de urgência e emergência.

Cadu informou que é servidor concursado da Secretaria de Estado da Saúde desde 2001 e atua como fisioterapeuta na unidade.

Ao longo desse período, passou pela coordenação da fisioterapia e por funções de direção, chegando ao comando geral do hospital.

Segundo seu relato, permaneceu por aproximadamente dez anos em funções de gestão, entre 2011 e 2020.

Atualmente, afirmou continuar trabalhando como plantonista na UTI.

Essa experiência simultânea entre gestão e atendimento ao paciente, segundo Cadu, permitiu conhecer tanto os problemas administrativos quanto as dificuldades enfrentadas diariamente pelas equipes.

Estrutura da saúde é apontada como principal deficiência

Na avaliação apresentada pelo candidato, Rondônia possui profissionais qualificados, mas ainda enfrenta limitações importantes de infraestrutura.

Cadu fez questão de diferenciar a capacidade técnica dos trabalhadores das condições físicas encontradas em determinadas unidades.

Para ele, melhorar prédios, ampliar serviços e oferecer condições adequadas de atendimento precisa estar entre as prioridades dos investimentos públicos.

“O atendimento, na medida do possível, lá na ponta, os profissionais são capacitados, os profissionais são treinados, são dedicados”, afirmou.

O principal gargalo, segundo sua avaliação, está na estrutura disponível para que essas equipes consigam atender a demanda.

João Paulo II precisa de solução estrutural, defende Cadu

O Hospital João Paulo II recebeu atenção especial durante a entrevista.

Carlos Eduardo classificou a estrutura atual como precária e afirmou que uma solução precisa ser encontrada com urgência.

Segundo o candidato, diferentes alternativas já foram discutidas ao longo dos anos sem solucionar definitivamente o problema.

Uma das possibilidades levantadas por ele seria distribuir parte dos atendimentos de emergência em mais de uma estrutura.

“Talvez a solução seja dividir aquela estrutura em mais de um local para que a gente possa prestar assistência de forma mais descentralizada”, afirmou.

Como deputado federal, Cadu diz que pretende atuar principalmente na busca por recursos para apoiar investimentos realizados pelo Estado.

Regionalização pode reduzir deslocamentos até Porto Velho

O atendimento aos moradores do interior também apareceu entre as prioridades.

Cadu lembrou sua participação, enquanto gestor, no processo de ampliação dos serviços de saúde em Cacoal e defendeu que Rondônia avance na regionalização.

A proposta não significa instalar todos os serviços especializados em cada município.

Procedimentos de alta complexidade, como determinadas neurocirurgias e cirurgias vasculares, dependem de equipes especializadas e estruturas que, segundo ele, precisam ser concentradas em centros de referência.

A solução seria fortalecer polos capazes de atender diferentes regiões.

“Precisa descentralizar a saúde, mas não pode ser em todos os cantos do Estado. Tem que se criar polos”, afirmou.

Porto Velho e Cacoal já exercem parte dessa função. Cadu defendeu avaliar a criação ou fortalecimento de mais um ou dois polos para ampliar a cobertura estadual.

Candidato quer ampliar acesso aos serviços de saúde

A principal expressão utilizada por Carlos Eduardo para resumir suas propostas foi “ampliar o acesso”.

Segundo ele, Rondônia precisa aumentar a oferta de serviços e aproximá-los da população.

O candidato argumentou que sua experiência profissional pode contribuir na formulação de projetos e na definição de prioridades para aplicação de recursos federais.

Embora reconheça que a execução direta das políticas de saúde cabe principalmente aos governos estadual e municipais, Cadu considera que um deputado federal pode atuar por meio da legislação, articulação política e destinação de recursos.

“Quero ser a voz da saúde no Congresso Nacional para o estado de Rondônia”, declarou.

Fisioterapia avançou no estado, avalia candidato

Durante a entrevista, Cadu também fez um panorama da evolução da fisioterapia em Rondônia.

Quando chegou ao estado, segundo ele, a oferta de formação superior na área era limitada. Atualmente, há instituições de ensino, profissionais com mestrado e doutorado e serviços especializados.

O crescimento também ocorreu dentro dos hospitais.

O fisioterapeuta lembrou que, no passado, era comum a presença desses profissionais apenas durante determinados períodos do dia. Hoje, segundo ele, a assistência hospitalar em fisioterapia está presente 24 horas em diferentes unidades.

Cadu destacou ainda que a profissão não se limita à reabilitação ortopédica.

Fisioterapia hospitalar, neurologia, pediatria, saúde pélvica, terapia intensiva, esporte e prevenção foram algumas das áreas mencionadas.

Educação técnica entra nas propostas

Embora a saúde seja o principal eixo da candidatura apresentada na entrevista, Carlos Eduardo também defendeu investimentos em educação profissional.

A proposta é ampliar oportunidades de cursos técnicos ligados às necessidades reais do mercado de trabalho.

Cadu citou a construção civil como exemplo de setor que demanda profissionais como pedreiros, eletricistas, encanadores, pintores e marceneiros.

O candidato sugeriu ainda a criação de mecanismos para ajudar alunos formados em cursos profissionalizantes a adquirir ferramentas básicas para começar a trabalhar.

A ideia seria combinar formação com algum tipo de apoio inicial para aquisição de equipamentos.

“Não adianta você dar só o papel para o camarada e ele ir para a rua. Ele precisa, às vezes, de uma ferramenta mínima para que ele possa desenvolver o seu trabalho”, argumentou.

Estradas e produção rural também são consideradas prioridades

Fora da saúde e da educação, Cadu apontou infraestrutura e desenvolvimento do setor produtivo como necessidades de Rondônia.

Ele defendeu melhorias nas estradas para facilitar o escoamento da produção e ampliar as condições de desenvolvimento no interior.

O candidato também considera necessário incentivar a industrialização dentro do próprio estado.

Ao citar União Bandeirantes e a produção leiteira, argumentou que Rondônia precisa transformar uma parcela maior de suas matérias-primas antes de comercializá-las com outras regiões.

Na avaliação de Cadu, agregar valor à produção pode fortalecer a economia e aumentar as oportunidades no interior.

Pequeno produtor deve receber apoio

Carlos Eduardo também colocou a agricultura familiar e os pequenos produtores entre os segmentos que deveriam receber maior atenção.

Para ele, a economia rondoniense possui forte ligação com as atividades agropecuárias, o que torna necessário combinar infraestrutura, assistência e condições de produção.

O candidato argumentou que fortalecer quem produz no interior também contribui para geração de renda e abastecimento das cidades.

As propostas detalhadas para essa área não foram aprofundadas durante a entrevista.

Recursos de eventual mandato devem priorizar Rondônia

Questionado sobre o papel de um deputado federal, Cadu afirmou que pretende priorizar Rondônia na destinação de recursos parlamentares.

Na avaliação dele, o parlamentar eleito pelo estado precisa conhecer as necessidades locais e concentrar esforços para atender a população que representa.

Saúde, estradas, educação e infraestrutura foram citadas como possíveis áreas de aplicação.

“Eu acho que a gente tem que honrar o voto que nos é dado no nosso estado”, declarou.

Experiência profissional é aposta para chegar à Câmara

Ao explicar o que considera ser o diferencial de sua candidatura, Carlos Eduardo voltou à experiência acumulada na saúde pública e privada.

O candidato apresentou como credenciais os anos de atuação assistencial, a administração de serviços privados e a passagem pela direção do Hospital João Paulo II.

Segundo ele, ocupar um cargo político permitiria ampliar a escala das ações que hoje consegue desenvolver profissionalmente.

A lógica apresentada é utilizar projetos, articulação e recursos públicos para alcançar um número maior de pessoas.

Cadu encerrou a entrevista defendendo a participação dos profissionais da saúde na construção de propostas e afirmou que pretende manter diálogo com diferentes categorias caso seja eleito.

A candidatura busca transformar uma trajetória predominantemente ligada à saúde em atuação política no Congresso Nacional, com a promessa de colocar a ampliação da assistência aos rondonienses entre as prioridades do mandato.

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