Dólar cai a R$ 5,17 e Bolsa interrompe sequência de 11 quedas

Dólar recuou 0,87% nesta quarta-feira, enquanto Ibovespa avançou 0,90%, impulsionado pelo anúncio de recompra de títulos dos Estados Unidos.

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Dólar cai a R$ 5,17 e Bolsa interrompe sequência de 11 quedas
Artem Priakhin/SOPA Images/LightRocket via Getty Images

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O dólar caiu 0,87% e fechou a R$ 5,17 nesta quarta-feira (19), enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, subiu 0,90%, aos 167,8 mil pontos. O resultado interrompeu uma sequência de 11 pregões consecutivos de queda do mercado acionário brasileiro.

A melhora do humor dos investidores ocorreu após o Tesouro dos Estados Unidos anunciar um aumento no volume de recompra de títulos públicos de longo prazo. A medida reduziu os rendimentos dos Treasuries e contribuiu para enfraquecer o dólar no mercado internacional.

Dólar recua e Bolsa volta a subir

O dólar comercial terminou o pregão cotado a R$ 5,17, após ter avançado 0,40% na terça-feira (18), quando fechou a R$ 5,22.

O Ibovespa chegou a atingir 170,3 mil pontos pouco antes das 11h, mas perdeu parte dos ganhos ao longo do dia. Mesmo assim, encerrou o pregão aos 167,8 mil pontos, com alta de 0,90%.

A recuperação interrompeu uma sequência de 11 sessões consecutivas de baixa do principal indicador da B3.

B3

O movimento positivo também foi influenciado pelo comportamento dos mercados internacionais, principalmente pelos juros dos títulos do governo americano.

Recompra de títulos dos EUA muda cenário

O anúncio do Tesouro americano aumentou o volume de recompra de títulos públicos de longo prazo. A operação ocorreu em um momento de forte elevação dos rendimentos desses papéis.

O título americano de 30 anos, conhecido como T-bond, havia ultrapassado rendimento de 5,30% nesta semana, maior nível desde 2007.

Com a expectativa de redução dos juros desses títulos, parte dos investidores passou a buscar alternativas com maior potencial de retorno, incluindo mercados emergentes.

Segundo especialistas ouvidos pelo Metrópoles, o movimento ajudou a enfraquecer o dólar e favoreceu moedas como o real.

Dólar perde força no mercado internacional

O índice DXY, que acompanha o desempenho do dólar diante de uma cesta de seis moedas fortes, registrava queda de 0,84%, aos 98,82 pontos, por volta das 16h40.

A desvalorização da moeda americana ocorreu em um cenário de redução dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.

Para analistas, o Brasil também foi beneficiado pela busca internacional por ativos de mercados emergentes.

O fluxo de recursos para países como o Brasil tende a favorecer o real quando investidores reduzem sua exposição aos títulos americanos e procuram alternativas de maior rentabilidade.

Ata do Federal Reserve também influencia mercado

Outro fator importante para os investidores nesta quarta-feira foi a divulgação da ata da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos.

Na reunião realizada em julho, o Fed decidiu manter a taxa básica de juros americana entre 3,50% e 3,75%.

A votação, porém, mostrou divergências entre os dirigentes. Nove integrantes defenderam a manutenção dos juros, enquanto três votaram por uma elevação de 0,25 ponto percentual.

Os dirigentes Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan defenderam o aumento.

Federal Reserve

A ata também indicou que o debate sobre novas altas continua aberto caso a inflação americana não apresente uma desaceleração considerada suficiente.

O que esperar dos juros nos Estados Unidos?

A perspectiva para os próximos meses continua dependente dos dados de inflação e das condições da economia americana.

De acordo com os especialistas citados na reportagem, parte dos dirigentes do Federal Reserve demonstra preocupação com a inflação e admite a possibilidade de elevar novamente os juros caso o processo de desinflação perca força.

A próxima reunião de política monetária do Fed está prevista para 15 e 16 de setembro.

Enquanto isso, os juros futuros no Brasil encerraram o pregão em queda, acompanhando o recuo dos rendimentos dos títulos americanos e a valorização do real.

O que explica a alta da Bolsa brasileira?

A recuperação do Ibovespa ocorreu principalmente em um ambiente internacional mais favorável. A redução dos rendimentos dos Treasuries diminuiu a atratividade dos títulos americanos e contribuiu para direcionar recursos para outros mercados.

No Brasil, esse movimento ajudou a interromper uma sequência de 11 quedas do Ibovespa.

A trajetória dos mercados, entretanto, ainda dependerá dos próximos dados econômicos, das decisões do Federal Reserve e do comportamento dos juros internacionais.

O que aconteceu com o dólar nesta quarta-feira?

O dólar fechou a sessão cotado a R$ 5,17, com queda de 0,87%. A moeda foi pressionada pelo enfraquecimento global do dólar e pela maior procura por ativos de mercados emergentes.

Com informações de Carlos Rydlewski.

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